Operação Omertà visa desarticular organização criminosa sediada no Vale do Sinos e que tem atuação também no Vale do Caí - Crédito: Polícia Civil

Na manhã desta sexta-feira, dia 7, a Polícia Civil, por meio da 3ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (3ªDPRM) de São Leopoldo, deflagrou a Operação Omertà, com o objetivo de desarticular organização criminosa sedada no Vale dos Sinos e que atua também em outras regiões do Estado como o Vale do Caí. Durante a ação, 38 pessoas foram presas, sendo apreendidos documentos, celulares, drogas, comprovantes de depósitos bancários, entre outros, que serão analisados.

 

No Vale do Caí, conforme o site da Polícia Civil, também foram cumpridos mandados em Montenegro. As ordens judiciais foram cumpridas em várias cidades como São Leopoldo, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Alvorada, Poço das Antas, Arroio do Meio, Tramandaí, Três Cachoeiras, Montenegro, Charqueadas, Caxias do Sul e Lajeado. Destes, 16 mandados foram cumpridos em presídios de vários municípios. Conforme o delegado regional, Marcelo Farias Pereira, foram cumpridos três mandado de prisão na Penitenciária Modulada do Pesqueiro, que recebe muitos presos do Vale dos Sinos e Paranhana, além do Vale do Caí. A Polícia Civil da região deu apoio através da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA). Quarenta e oito integrantes da organização foram indiciados pelos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, tráfico de drogas, associação para o tráfico de drogas, coação no curso do processo e denunciação criminosa.

 

A facção Os Manos, que tem atuação também no Vale do Caí, estaria descontente com o trabalho de combate ao tráfico realizado pela Polícia. Por isso teria inclusive ameaçado policiais. Os integrantes da facção gostavam de exibir dinheiro, drogas e armas em postagens nas redes sociais. Chegaram ao ponto de construir um túnel para tentar libertar presos do Presídio Central de Porto Alegre, o qual foi descoberto pela Polícia em fevereiro do ano passado.

 

Segundo o delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior, a investigação teve início em maio de 2018, após ameaças a policiais civis do Vale dos Sinos. Durante as diligências, os agentes chegaram ao principal autor de tais ameaças, um dos líderes de uma facção no Vale dos Sinos, preso na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC). De dentro da prisão, ele exercia função de comando em uma hierarquia bem estabelecida. Nas casas prisionais também foram encontradas drogas nas celas, especialmente cocaína e ecstasy.

 

As investigações apontaram também um outro indivíduo, braço direito do líder nas funções de contabilidade da facção. Este se tornou gerente após a morte de outro integrante, em São Leopoldo, no ano de 2017, a mando do líder, devido à divergências dentro da facção. “Através de anotações de contabilidade, foi possível chegar a outras pessoas, de diversas localidades, que recebiam valores expressivos e exerciam diversas funções dentro da organização criminosa, como laranjas, que emprestavam suas contas para lavagem de dinheiro advindo de práticas criminosas da facção”, disse o delegado.

 

Durante as investigações foram R$ 2,5 milhões em valores sequestrados em imóveis; R$ 1 milhão sequestrado em veículos; mais de 30 contas bancárias congeladas, além de valores monetários sob apuração e em sigilo.

 

Omertà, que deu nome a operação, é um código de honra da máfia siciliana que dá importância ao silêncio, ao não cooperar com as autoridades e ao não interferir nas ações ilegais de outros. Na facção conforme apurado pela Polícia, traidores pagam com a própria vida.

 

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