Investigação apurou que denúncias contra PMs eram falsas e acusados de tráfico foram presos - Crédito: BM/Reprodução

A investigação que desencadeou a operação de hoje de manhã, sexta-feira, dia 6, em São Sebastião do Caí, iniciou em outubro do ano passado, quando a Corregedoria da Brigada Militar e o Ministério Público receberam denúncias de que policiais militares estariam envolvidos com uma facção criminosa e cometendo abusos em prisões. A investigação, no entanto, apontou que os policiais estavam agindo corretamente e que os denunciantes estavam tentando combater a repressão ao crime. “Felizmente nada se comprovou contra os policiais. Pelo contrário, se verificou que os PMs estavam agindo corretamente. Eram denúncias caluniosas, visando afastar os policiais do seu trabalho”, destaca o sub-corregedor geral da Brigada Militar, tenente-coronel Cleberson Bastianello.

Operação Coletiva de Segurança Pública teve a participação do Ministério Público, Brigada Militar e Polícia Civil
– Crédito: BM/Reprodução

De acordo com a Corregedoria, não se comprovou nenhuma conduta irregular dos policiais caienses, mas a investigação continuou e chegou a indivíduos envolvidos com o tráfico de drogas. Por isso foi realizada hoje a Operação Coletiva de Segurança Pública, sob a coordenação do Ministério Público. “As investigações até o momento não trouxeram evidências de participação policial nos crimes investigados”, afirmou a promotora de justiça do Caí, Cristine Zottmann. “Ainda estão sendo feitas análises dos dados apreendidos no dia de hoje, mas a linha de investigação demonstrou apenas exercício de crimes pela associação do tráfico”, completa a promotora, informando que ocorreram cinco prisões no Caí, três no litoral (Tramandaí e Torres). Outros dois indivíduos já estavam presos na Penitenciária de Osório.

Foi uma das maiores operações policiais já ocorridas no Caí, com 118 PMs da Corregedoria e Batalhão de Choque
– Crédito: BM/Reprodução

A ação realizada hoje contou com 118 PMs, da Corregedoria-Geral da Brigada e do 1º Batalhão de Polícia de Choque, ambos da capital, além de agentes da Polícia Civil, Ministério Público e Corregedoria-Geral da Brigada, membros da OAB e Conselho Tutelar. Foram cumpridos vinte mandados de busca e apreensão e dez de prisão. Um dos acusados tentou fugir pelo telhado de casas do bairro Navegantes, mas foi capturado após alguns disparos. Ninguém ficou ferido. Além das prisões, também aconteceram apreensões. Três adolescentes foram apresentados pelo MP. Dois carros foram apreendidos no Caí, sendo que um deles era clonado. Também foram apreendidos 18 celulares. E entre os bens seqüestrados estavam duas casas no Caí e uma em Sapucaia do Sul. E foi feito o bloqueio de contas bancárias de 14 investigados. A suspeita é de que os bens e valores tenham sido utilizados para a lavagem de dinheiro oriunda do tráfico.

Autolesão para incriminar PMs

Uma mulher presa no Caí declarou que havia uma combinação para que, se um dos integrantes da facção criminosa fosse preso em flagrante, ferisse a si mesmo para culpar os policiais. Isso comprova que as denúncias contra os PMs eram falsas. Como as denúncias envolviam brigadianos, a Corregedoria foi acionada. “Não compactuamos com erros na nossa instituição. Identificamos que essas pessoas (denunciantes) queriam que os policiais fossem afastados do trabalho. Foi quando descobrimos uma rede de tráfico muito grande se formando”, afirma o corregedor-geral da Brigada, coronel Márcio Roberto Galdino.

Investigação comprovou que denúncias contra PMs eram falsas e chegou a várias pessoas envolvidas com o tráfico
– Crédito: BM/Reprodução

Além do tráfico, a organização criminosa estaria relacionada com homicídios ocorridos no ano passado e principalmente em 2017, além de outros crimes, sob comando de dois irmãos. Uma advogada também foi alvo da investigação e por isso membros da OAB acompanharam a operação. Ela não foi presa, mas ocorreram buscas em seu escritório. “Surgiram elementos que denotam que ela excedeu os limites da atividade profissional, pois não realizava apenas a defesa técnica jurídica, mas já tinha atos mais concretos de participação nos atos do grupo”, declara a promotora, sobre as orientações que a advogada estaria dando para a organização criminosa. “Pelos elementos existentes será denunciada por associação criminosa”, completa.

Não foram informados os nomes dos presos e indivíduos investigados. A promotora de justiça Cristine Zotmann ressalta a importância da comunidade colaborar através de informações para os policiais, sejam civis ou militares, podendo fazer denúncias pela internet ou telefone. “Mas é bastante importante que quando forem fazer isso, já tenham alguns dados, como nome, local, horário, para repassar e facilitar o trabalho”, conclui.

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