Sírio Richter foi dono das construtoras BRM e Terra Engenharia, presidente da Associação Comercial e participou ativamente da sociedade montenegrina Reprodução/FN

Faleceu no início da madrugada deste domingo, dia 16, por volta de 1h, o empresário Sírio Richter. Conhecido pela sua atuação no desenvolvimento de Montenegro, tanto na área da construção civil como na participação em entidades, Sírio tinha 68 anos. Conforme familiares, estava bem de saúde, mas acabou sofrendo um enfarte fulminante, ainda em casa. Foi levado para o Hospital Unimed em torno de 23h de sábado, mas não resistiu e veio a falecer no início da madrugada. O velório acontece desde o início da manhã na sala E da Capela São João da Funerária Vargas, em Montenegro, de onde sairá às 15h30 para o Crematório Cristo Rei, em São Leopoldo.

Natural de Estrela, Sírio Richter teve intensa participação na comunidade montenegrina e da região, onde estava desde o final da década de 60. Fundou empresas da construção civil como BRM Engenharia e desde 2002 dirigia a Terra Engenharia, responsáveis pela construção de muitos edifícios, comerciais e residenciais. Foi também presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços (ACI), quando foi um dos principais responsáveis pela volta do cinema (Cine Tanópolis). Sempre simpático, atendia os clientes e amigos com muita gentileza. Deixa a esposa Tania Richter e os filhos Cristiano e Juliana, além de demais familiares e um incontável número de amigos.

Histórico de Sírio Richter

Em 2015 o empresário Sírio Richter recebeu o título de cidadão montenegrino, em sessão solene na Câmara Municipal. O decreto legislativo foi de autoria do vereador Roberto Braatz e aprovado por unanimidade por todos os vereadores. Na mensagem justificativa, Braatz disse que a honraria era o reconhecimento à Sírio Richter pelo trabalho e dedicação ao município de Montenegro, promovendo o desenvolvimento econômico, social, cultural, segurança, emprego e renda.  Destaca ainda que o empresário teve expressiva liderança, não somente em prol da permanência em Montenegro do antigo CPA4, hoje CRPO Vale do Caí, assim como na adequação da estrutura que hoje abriga o Comando. Na ocasião, a Câmara de Vereadores apresentou um histórico de Sírio Richter.

Sírio Richter nasceu em Estrela, em dois de outubro de 1949, filho de pai alfaiate e mãe costureira, o segundo e último do casal. Começou a trabalhar muito cedo, sendo que com apenas sete anos já ganhava alguns trocados fazendo brita para túmulos, com remuneração paga a cada balde entregue.

Aos 11, surgiu a primeira grande dificuldade: o Colégio Agrícola só aceitava meninos com idade mínima de 13 anos. O garoto não desistiu e, com a ajuda de um vereador local, foi ao Palácio Piratini falar pessoalmente com o então Governador do Estado, Leonel Brizola, que diante do pedido de uma criança que reivindicava o direito de estudar, não hesitou em dar a permissão.

Aos 16 anos o curso estava concluído, ao lado de jovens com idade entre os 25 e os 35. Mesmo antes de concluí-lo, Sírio trabalhou em uma fábrica de sabão e na Ford, onde se tornou especialista em serviços, com amplo conhecimento em mecânica.
Aí que Montenegro entra nesta história, para não mais sair. Mário Florian era o diretor da Ford na cidade e detectou um problema constante na área de serviços da unidade local. Foi indicado um jovem de Estrela, que teria plenas condições de resolver. Florian foi pessoalmente tratar da contratação e Sírio chegou ao Vale do Caí no final da década de 60.
Mais próximo de São Leopoldo Sírio começou a cursar Economia, passando a dar aulas de Matemática na Escola São João Batista, paralelamente ao trabalho na Ford. Piloto de aviões, o jovem inquieto ainda dar aulas de voo no Aeroclube.

No começo da década de 70, Sírio decidiu abrir o primeiro negócio próprio, montando uma loja da rede Imcosul ao lado do antigo cinema. Na rede, atuou até a década de 80. Neste período mudou de cidade (foi para Porto Alegre), tendo ocupado diversos cargos no grupo como, por exemplo, o de diretor de compras. Viajou pelo Rio Grande do Sul de ponta a ponta.
No começo dos anos 80, foi a hora de voltar para Montenegro. Ajudou a montar a primeira revenda de tratores da cidade, também ligada à Ford. Em 1982 juntou-se a dois Engenheiros formando uma construtora, a BRM.

A empresa foi a responsável por muitos prédios que hoje vemos no município. Em torno de 35 prédios foram erguidos pela BRM, somando mais de 120 mil metros quadrados de área construída. Em 2002 fundou a Terra Engenharia, a qual após construir empreendimentos em Canela vem atuando com destaque em Montenegro, tendo realizado diversos empreendimentos. Milhares de pessoas moram em apartamentos e casas, ou trabalham em estabelecimentos, construídos pelas empresas de Sírio Richter.

Durante a sessão da Câmara em que recebeu o título de cidadão montenegrino, três anos atrás, diante do plenário lotado, Sírio declarou que em Montenegro vendeu desde liquidificador, a camisa, automóvel, trator, até a casa. Se a gente não movimentar a sociedade ela não chega lá. Ela é movimentada pelas lideranças”, declarou ele, na ocasião, um dos grandes responsáveis pelo surgimento de novas lideranças no município.Agradecido ao município que o acolheu, disse “moro numa cidade que me abrigou e em que nossa família sempre teve tudo que precisou”.

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