Familiares e amigos de Jean Lucas Martins, que perdeu a vida em acidente no cruzamento, realizaram protesto e homenagem neste sábado - Crédito: Guilherme Baptista/FN

Durante duas horas, na manhã deste sábado, dia 15, familiares e amigos de Jean Lucas Martins participaram de uma manifestação. O local da homenagem, que também serviu como protesto, foi justamente o trevo da RS 124, próximo das pontes estreitas do Matiel, onde o rapaz de 28 anos foi vítima de acidente no último domingo quando trafegava de moto e foi atingido por um carro, vindo a falecer no dia seguinte. O cruzamento, considerado bastante perigoso, principalmente devido a falta de sinalização, fica junto da divisa entre Pareci Novo com São Sebastião do Caí e Harmonia.

Banner e cruz foram colocados no local do acidente
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Os pais Isabela e Jonas, a irmã Julia, demais familiares e amigos, levaram cartazes e colocaram um banner no canteiro central do trevo, onde protestam contra a falta de sinalização no cruzamento. “Por irresponsabilidade do DAER perdemos nosso filho amado JEAN LUCAS”, destaca o banner. Uma cruz e flores também foram colocadas. Também foram entregues muda de flores para mães que passavam pelo local. Os participantes também deram as mãos e rezaram. “O que fizemos foi por amor. Queremos uma resposta dos órgãos competentes, Daer e Prefeituras, para que nenhuma família mais chore como estamos sofrendo agora”, destacou Julia Martins, irmã de Jean Lucas. “Agradecemos o apoio da Polícia Rodoviária Estadual, Brigada Militar, Bombeiros Voluntários de Harmonia e da comunidade”, completa. “E espero que só retirem o banner daqui quando resolverem o problema. Do contrário vão comprar uma briga ainda”, alerta.

Julia informou ainda que a família vai acionar o Daer judicialmente e um advogado contratado inclusive participou da manifestação. “Nada vai pagar a dor que essa família está passando, mas vamos buscar o ressarcimento. Neste local percebemos que existe uma negligência do Estado. Falta a sinalização vertical e horizontal. Não tem nenhum tipo de sinalização e isso com certeza contribuiu para o acidente que deu tanta dor para a família. Vamos buscar a responsabilização tanto dos agentes públicos como dos privados. O objetivo é uma sanção pedagógica aos responsáveis”, afirma o advogado Ernani Dalbem Martins.

Jean Lucas Martins, de 28 anos,, morava em Harmonia e morreu após acidente domingo entre sua moto e um carro
– Reprodução/FN

Jean Lucas foi sepultado na última quarta-feira, em Campo Bom, sua terra natal. Filho do casal de comerciantes Isabela e Jonas Martins, proprietários da Lancheria e Mercearia D’Martins no Morro Santo Antônio, o rapaz morava em Harmonia faz cerca de 7 anos, época que também começou a trabalhar na Móveis Kappesberg, de Tupandi. A família decidiu doar todos os órgãos de Jean, o que poderá salvar a vida de oito pessoas. “Meu filho era muito amoroso. Vendo o caso de uma menina de 15 anos aguardando transplante e outra que esperava por um coração, decidimos fazer a doação”, explica a mãe, Isabela. Foram doados órgãos que poderão salvar oito pessoas, como coração, pulmão, fígado, intestino e pâncreas. “Receberam um pedacinho do meu filho”, completa.

O Daer, que é o responsável pelo trecho da ERS 124, prometeu providências, mas não informou quando isso vai ocorrer. Marli Mertins, que é cadeirante, mora bem perto do local do acidente. “Foram quatro acidentes só neste mês”, diz. “É uma vergonha. Tem que tomar providência antes que aconteça outra tragédia”, alerta.

O acidente

Na tarde de domingo, dia 9, em torno de 16h50, Jean trafegava pela ERS 124 numa moto Yamaha no sentido Harmonia/Caí. Ele iria se reunir com amigos no Caí. Ao passar pelo cruzamento, pouco antes das pontes, ocorreu a colisão com um automóvel Vectra, com placas de Montenegro, que atravessava a pista para acessar em direção ao Pareci. Após o impacto, Jean foi arremessado a uma distância de cerca de seis metros e sofreu graves ferimentos, como fratura exposta na perna e lesões no rosto e cabeça. Já a condutora do automóvel, de 72 anos, não teve ferimentos, mas ficou bastante abalada, lamentando o ocorrido.

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