Polícia Civil encontrou sítio com fábrica clandestina de cigarros no interior de Montenegro e pediu o apoio da Brigada Militar - Crédito: Brigada Militar

A Polícia acredita que a fábrica clandestina de cigarros, descoberta ontem, quarta-feira, na localidade do Calafate, interior de Montenegro, movimentava mais de 1 milhão de reais por mês.

Na tarde de ontem, cumprindo mandados de busca e apreensão através de depósito onde estaria carga roubada, os policiais civis de Montenegro se depararam com o sítio, bastante equipado, com cerca elétrica e difícil acesso, em meio ao mato e plantação. Foi solicitado então o apoio da Brigada Militar. Estariam no local cerca de 15 pessoas, a maioria oriundos do Paraguai, mas grande parte conseguiu fugir para o mato ao ver, por câmeras de videomonitoramento, a movimentação policial. Mesmo assim três foram detidos no local, entre eles dois paraguaios em situação irregular. Já um montenegrino foi preso por porte ilegal de uma arma calibre 12, que estava em ocorrência de roubo, além de receptação e estelionato no caso de um trator recuperado. A Policia suspeita que ele seria um dos lideres do esquema.

Galpão com equipamentos e muitos materiais foi encontrado no Calafate, em Montenegro
– Crédito: Brigada Militar

Num galpão foi encontrado equipamento, materiais, fumo, cigarros prontos e em fabricação, e até uma empilhadeira para transportar as caixas, além de gerador e várias caixas com pelo menos 10 toneladas de cigarros das  marcas Bill e 51. O delegado Paulo Ricardo Costa, da Delegacia de Montenegro, calcula que o que foi apreendido soma mais de 50 milhões de reais. Também foi encontrado um alojamento, onde os paraguaios estariam morando em condições precárias e desumanas. O delegado Paulo Costa chegou a conversar com alguns deles, que disseram que foram levados ao local com capuz na cabeça, sem saber onde estavam e nem como sair.

Maquinário fabricava cigarros falsos que eram vendidos em várias cidades
– Crédito: Talis Ferreira

A suspeita é de trabalho escravo. Na propriedade também foi encontrada uma casa, bem confortável, inclusive com piscina, onde provavelmente moravam os comandantes do esquema, incluindo o montenegrino preso. A Polícia investiga quem são os donos do sítio e responsáveis pelo crime. Seriam gaúchos que tinham contatos com o Paraguai. A suspeita é que teriam ligação com uma facção criminosa. Os cigarros, inclusive com selo do Paraguai, seriam vendidos para estabelecimentos dos Vales do Caí, Taquari, Sinos e Região Metropolitana de Porto Alegre. Entre os crimes estariam falsificação, sonegação de impostos, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Um brasileiro foi preso com arma roubada e dois paraguaios foram detidos, mas outros 12 teriam conseguido fugir
– Crédito: Brigada Militar

Ainda foi encontrada pela Polícia uma agenda, até o final de 2019, com nomes de paraguaios que viriam e que voltariam do Estado.  Documentos encontrados mostram movimentação desde 2013. A Polícia suspeita que a fábrica clandestina de cigarros falsificados funcionava no local faz cerca de 5 anos.

Foi solicitado o reforço do Grupamento de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil, de Porto Alegre, para garantir a segurança do local. Também foram acionados o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC) e a Receita Federal.

Deixe seu comentário