Delegado Moacir Bernardo está aposentado e ainda pode recorrer da condenação - Reprodução/FN

O ex-delegado de polícia de Montenegro, Moacir Fermino Bernardo, foi condenado pela Justiça a seis anos de reclusão. Ele assumiu o comando da investigação de duas crianças encontradas mortas e esquartejadas em Novo Hamburgo, em setembro de 2017, quando declarou que o crime seria decorrente de um ritual satânico e na ocasião chegou a prender cinco pessoas.

O delegado foi denunciado pelo Ministério Público, que o acusou de ter montado uma farsa sobre os autores do homicídio. A condenação foi confirmada na última sexta-feira pelos crimes de falsidade ideológica e corrupção ativa de testemunha. O informante do delegado, Paulo Sérgio Lehmen, que teria fornecido a versão do ritual satânico, também foi condenado, mas a 4 anos de reclusão. As penas são inicialmente em regime semiaberto, mas ainda cabe recurso e o cumprimento só deve ocorrer após o trânsito em julgado.

Moacir Bernardo, que hoje está aposentado, assumiu o caso quando o delegado titular entrou em férias. Ele teria se baseado na versão do informante, que era seu conhecido da época que atuaram juntos na política. Pela versão, a morte das crianças teria sido encomendada por um empresário para que tivesse prosperidade e teriam sido cometidas por um “bruxo”, num ritual de magia negra num templo em Gravataí. O delegado afirmou que teria tido uma revelação divina e em entrevista coletiva mostrou uma capa e máscara de cachorro, que teriam sido utilizados no ritual. Buscas chegaram a ocorrer num sítio no interior de Montenegro, que seria de propriedade de um dos acusados pelo delegado. A Justiça entendeu que tudo não passou de uma farsa e os acusados pelo delegado foram soltos. Em seu depoimento, o delegado Moacir alegou perseguição. Até hoje o crime não foi elucidado e sequer se sabe a identidade das crianças assassinadas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Deixe um comentário
Please enter your name here