Cristina Vrielink, proprietária da Cris Jóias, gravou um vídeo relatando sobre o roubo e agradecendo o apoio da Polícia, família, funcionários, fornecedores e clientes - Reprodução/FN

No final da manhã de sábado passado, dia 27 de junho, a empresária Cristina Vrielink estava atendendo em seu estabelecimento comercial, a Cris Jóias, bem no centro de Montenegro, na Rua Ramiro Barcelos, quando junto com mais dois funcionários foi surpreendida pela chegada de assaltantes fortemente armados. Os bandidos a renderam e os funcionários, que foram amarrados e ficaram de joelhos enquanto os criminosos faziam uma verdadeira “limpa” na loja. Assim que os assaltantes saíram, Cris lembra que conseguiu se desamarrar e saiu gritando pela porta, logo encontrando uma viatura da Brigada Militar. Foram feitas buscas e um grande cerco policial. Os assaltantes abandonaram o carro usado, que era roubado e tinha as placas clonadas. O veículo foi deixado na Rua São João, atrás da Catedral (igreja Matriz) e provavelmente fugiram em outro carro.

Na segunda-feira a Polícia Civil e a Brigada Militar realizaram a Operação Serra Pelada, com buscas em Porto Alegre e Viamão. Parte dos relógios e algumas pulseiras da joalheria e ótica foram recuperadas e um acusado foi preso. As investigações continuam e Cris elogia o empenho dos policiais, que não tem medido esforços.

Trauma, prejuízo e recomeço

Em 18 anos no ramo, foi o terceiro assalto sofrido pela empresária. “Foi o pior de todos”, afirma. “O trauma e o prejuízo são muito grandes”, completa.

Ainda sem calcular o montante do prejuízo, do qual não tem seguro, nesta semana Cris decidiu gravar um vídeo, que postou na página da loja no facebook e está tendo grande repercussão. Ela agradeceu as mensagens, o apoio e o carinho que tem recebido.

Publicado por Cris Jóias em Quarta-feira, 1 de julho de 2020

 

No vídeo, também falou um pouco do assalto. “A gente aqui tentando sobreviver. Vendendo na parte da ótica. Está muito difícil. Entregando encomendas de óculos, que as pessoas precisvam. E às 11h20 da manhã fomos surpreendidos por três elementos armados entrando na loja”, lembrou. “Num primeiro momento pensei em fugir e gritar, mas o bandido armado olhou para mim e disse para não sair e que tinha mais três na rua esperando. Levaram-nos para os fundos da loja. Tiraram dos bolsos várias cordas e mandaram ficar de joelhos. Tentei reagir, mas um deles veio correndo e ameaçou que era a última vez que iria falar. Ameaçou que se olhasse na cara dele, já sabia o que iria acontecer. Ficamos amarrados de joelhos, chorando em silêncio. Foram os cinco minutos mais difíceis das nossas vidas. Procuraram pelo banheiro, cozinha, gavetas. Tiraram tudo. Todos os relógios, ouro, prata, folheados. O lado direito da loja ficou vazio. O outro não porque não deu tempo. Fizeram uma contagem regressiva para sair antes da chegada da polícia. Colocaram tudo dentro de sacolas”, relata.

Como os assaltantes levaram os celulares das vítimas, a Polícia conseguiu rastrear e chegar num deles, que tem vários antecedentes criminais. “A Polícia Civil e a Brigada Militar fizeram um excelente trabalho. Mas a maioria das minhas coisas não foram recuperadas. Não tenho esperanças. Foram recuperados vinte relógios e três correntinhas de prata, algumas tornozeleiras, pulseirinhas infantis. Mas as peças em ouro, caras, não foram recuperadas”, lamenta a empresária. O dinheiro apreendido, em torno de 4 mil reais, que teria sido proveniente da venda de peças roubadas, a empresária só poderá ter direito caso ingresse na Justiça, com advogado, comprovando a origem.

“Por três noites eu não durmo. Eu choro. Mas eu me vesti de forças e vim para a joalheria”, declarou. Ao chegar na loja Cris mostra que foi recebida com flores, carta, cartazes para todos os lados, como “juntos vamos vencer essa batalha”, “só temos a agradecer pela vida de vocês que é o bem mais valioso”, “você é muito especial para nós” e “o que ninguém pode te tirar é toda a história dessa loja que vamos erguer todas juntas”.

Cris se perguntava como iria abrir as gavetas vazias. “Mas elas não estão vazias”, mostra, em lágrimas de emoção, erguendo mensagens de amor, companheirismo, carinho, lealdade, fé e determinação.

Com todas as mensagens e apoio, dos funcionários, familiares e clientes, Cris diz que está pronta para recomeçar. “Não imaginava a repercussão e o carinho. Não tá fácil, mas trabalho desde os 13 anos e não vou desistir agora”, declarou, agradecendo a solidariedade. “Recebi até presentes, como garrafa de vinho, cesta de café da manhã”, citou. Destacou também o apoio dos fornecedores, que já lhe mandaram novas mercadorias, informando que poderia pagar quando puder. “Muito obrigado a todos. Eu não queria gravar o vídeo chorando, mas o coração sempre fala mais alto. É isso que vai fazer levantar a cabeça, seguir em frente e recomeçar. Vamos superar isso. Temos mais que clientes, amigos. E estamos de braços abertos esperando a todos”, concluiu.

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