Patrícia Marques Muller, a Patty, que era de Alto Feliz e morava em Bom Princípio, foi barbaramente morta no dia do seu aniversário - Facebook/Reprodução

No mês de maio o Fato Novo noticiou o caso de uma mulher encontrada morta em Bom Jesus e que se suspeitava que fosse uma moradora de Bom Princípio, natural de Alto Feliz. O corpo foi encontrado no dia 8 de maio por trabalhadores de uma obra na rodovia RS 110. A Polícia logo suspeitou de homicídio. Faltava ainda confirmar oficialmente a identidade da vítima. Devido ao estado do corpo, isso só poderia ser feito através de exame de DNA.

Muitas mensagens nas redes sociais lamentaram a morte de Patty Muller
– Facebook/Reprodução

A Polícia chegou a prender dois suspeitos que seriam ligados ao tráfico de drogas. Todos os indícios levavam a crer que a vítima seria uma moradora de Bom Princípio, de 28 anos. Um irmão dela, morador de Alto Feliz, fez coleta de sangue para exame de DNA. Ele lembrou que o último contato da irmã, por telefone, foi em 21 de abril, data do aniversário dela. Na ocasião ela disse que estava em Bom Jesus, na casa de amigas. Outro indício é que ela tinha uma prótese de platina na perna, colocada em cirurgia após um acidente de moto. E isso teria sido identificado no corpo. Além disso, familiares confirmaram que ela estaria grávida de cerca de 5 meses. Tudo isso foi confirmado pela Polícia após os resultados dos exames da perícia e necropsia. E a família dela vive mais essa angústia, de mais uma tragédia. Os pais dela já morreram de forma trágica. O pai foi morto e a mãe morreu num acidente de moto na Feliz.

Após a investigação, pelo menos os familiares e amigos puderam fazer uma despedida digna. A família recebeu a confirmação da identidade de Patrícia na última segunda-feira. E na terça-feira seus restos mortais foram sepultados em Alto Feliz.

Crime brutal

No dia 9 de abril Patricia Marques Muller, de 28 anos, saiu de Bom Princípio e foi para Bom Jesus, onde disse que iria morar com amigas e procuraria emprego. Desde 21 de abril, domingo de Páscoa e data do aniversário dela, os familiares não tinham mais contato de Patty Muller, como era mais conhecida. Em 8 de maio foi encontrado o corpo de uma mulher, bastante carbonizado, em decomposição e desmembrado, na localidade de Mandaçaia, a dez minutos da cidade de Bom Jesus.

O corpo foi identificado através de tatuagens e por exames de DNA e de arcada dentária. Além disso, a numeração da prótese de metal também indicou que se tratava de Patrícia. Familiares também informaram que ela era usuária de drogas. Eles se empenharam muito em tentar livrar ela da dependência química, através de tratamento, mas não conseguiu deixar o vício.

Da maneira que foi encontrado o corpo, nota-se que o crime foi cometido com requintes de crueldade, inclusive sendo esquartejado. Além de parcialmente carbonizado, não foi encontrado o útero, braço direito, parte do braço esquerdo, coxa e perna direita. A perícia constatou que foi utilizado objeto cortante.

A perícia constatou que ocorreu desova de cadáver, ou seja, foi morta em outro local e deixada onde foi encontrada apenas com peças íntimas. A vítima sofreu o desmembramento dos membros superiores e inferiores, total ou
parcialmente. E houve a queima parcial da cabeça.

Através da investigação, a Polícia chegou até uma residência, no bairro Santa Catarina, onde teria ocorrido a morte. A Polícia apreendeu diversas peças de roupa, cinco facas, um serrote, um machado e outros objetos. Um exame encontrou marcas de sangue da vítima no machado e no serrote apreendidos na casa.

Conforme reportagem da Rádio Cidade Vacaria, outra perícia foi solicitada, desta vez com emprego de luminol na residência, um produto químico especial capaz de fazer aparecer traços de sangue até então invisíveis a olho nu. Aplicado com borrifadores especiais, descobre os resquícios sanguíneos ao ter contato com a hemoglobina, identificando o ferro presente no sangue por meio da geração de uma intensa luz azul que pode ser vista em um local escuro ou no momento em que se apaga a luz do ambiente. O luminol também foi empregado no veículo no qual o corpo foi transportado até o local da desova e carbonização.

Os acusados

Um acusado está foragido e outros dois foram presos
– Reprodução/FN

A Polícia indiciou três acusados, que estariam na casa onde ocorreu o crime. Além de homicídio triplamente qualificado, são acusados de destruição e ocultação de cadáver. As prisões preventivas foram decretadas pela Justiça.

Douglas Córdova Borges, de 20 anos, morador de Bom Jesus, foi preso em 16 de maio. Ele foi preso por tráfico, junto com um comparsa, após ser encontrado entorpecente. A Polícia Civil realizou diversas diligências para prender os outros dois acusados, em cidades de Santa Catarina e em Porto Alegre. Tobias Almeida Santos, de 21 anos, foi preso na capital gaúcha no dia 31 de maio. E um terceiro indiciado, Lucas Rodrigo da Silva Velleda, de 20 anos, conhecido como LK, ainda não foi localizado e continua foragido. Ele é de Porto Alegre, mas ultimamente estaria em Bom Jesus, sendo acusado de tráfico.

A Polícia está atrás de um vídeo, que teria sido feito pelos próprios criminosos e foi postado em redes sociais. No vídeo, a vítima ainda estaria agonizando e mostraria os criminosos se divertindo com o fato. Fotos também teriam sido postadas por um dos acusados, exaltando uma facção. Também está sendo investigada a causa do crime. A suspeita é de ligação com facção criminosa. E pode ter relação com disputa entre facções.

 

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