Comandante dos Bombeiros de Montenegro, o Tenente Glaiton da Silva Contreira, de 52 anos, foi morto em 25 de outubro em Sapiranga - Reprodução/FN

É grande a repercussão e comoção pela morte do comandante do Corpo de Bombeiros de Montenegro, tenente Glaiton da Silva Contreira, de 52 anos. Ele foi encontrado sem vida no início da noite da última segunda-feira, por volta de 19h, em Sapiranga, cidade onde morava. Apresentava um corte profundo no pescoço. Rapidamente a Polícia Civil chegou ao principal suspeito do crime, o enteado do tenente, de 25 anos, que foi preso ainda na noite de segunda, quando prestava depoimento na Delegacia. O motivo do homicídio seria uma disputa patrimonial. O tenente estava em processo de separação e o enteado não teria concordado com o destino que seria dado para a residência em que a família mora, já que queria uma parte do patrimônio.

O tenente Contreira foi encontrado morto na Estrada Travessão Campo Bom, em Sapiranga. O local fica próximo da divisa com Campo Bom, numa área em que retiram areia para construção e aterro. Ele estava desaparecido desde domingo, quando saiu para caminhar pelo centro da cidade e não foi mais visto. Familiares, colegas e amigos fizeram buscas e mobilização através das redes sociais para tentar localizar o tenente. A preocupação aumentou porque na segunda-feira ele não compareceu ao trabalho, o que nunca tinha ocorrido. Também na segunda participaria de um curso sobre prevenção ao suicídio.

Vídeo: Entrevista no tenente Contreira na Rádio América, de Montenegro, em 2 de julho deste ano, no Dia do Bombeiro

A investigação é comandada pelo delegado Fernando Branco, de Sapiranga, que acompanhou o trabalho da perícia, levantamentos e depoimentos. Segundo a Polícia, o corpo apresentava sinais de golpe de estilete no pescoço. No domingo, o tenente teria emprestado seu carro para o enteado. Mas pegou uma carona com ele para chegar ao local em que faria a caminhada. O acusado teria utilizado um pano com o anestésico para deixar o padrasto desacordado e levou para o local ermo, onde teria sido degolado. O seu celular, arma do crime e substância usada para deixar o tenente desmaiado, teriam sido atirados de uma ponte. Segundo foi apurado, o enteado também teria pesquisado na internet sobre como dar facada em alguém e como colocar substância na boca para deixar uma pessoa desacordada. O rapaz não tinha antecedentes policiais. Ele trabalhava como estagiário no hospital da cidade, onde teria retirado restos de anestésicos, o que comprova que foi um crime premeditado. A Polícia Civil pediu a sua prisão preventiva, devendo responder por homicídio qualificado. Conforme apurou a Polícia, a mãe do acusado não teria participado do crime.

O tenente Contreira era natural de Rio Grande, no sul do Estado. Além de Montenegro, atuou também nos bombeiros de Sapiranga e comandou o quartel em Taquara. São muitas as homenagens, nas redes sociais, ao tenente Glaiton da Silva Contreira. O Corpo de Bombeiros do Estado emitiu nota de pesar lamentando a morte do tenente. A despedida está prevista para ocorrer no município de Rio Grande. O velório está programado para a manhã desta quarta-feira, dia 28, entre 7h30 e 11h30, na sede do 3º Batalhão de Bombeiro Militar (BBM), seguido de sepultamento no cemitério municipal da cidade de Rio Grande.

Trabalho elogiado

Em Montenegro o tenente Contreira estava no comando da corporação faz cerca de um ano e meio, atendendo municípios de toda a região. Comandava também o quartel de Taquari.

Mais recentemente comemorou importantes conquistas para Montenegro, como a chegada de uma carreta Mercedes Benz com tanque com capacidade para 27 mil litros, além de novos equipamentos e melhorias no quartel, incluindo pintura e parte estrutural. Desde que esteve no comando em Montenegro, o tenente Contreira também promoveu uma maior aproximação com o poder público e fornecedores, para mostrar as demandas da corporação. Com isso ocorreram várias melhorias através de recursos do Fundo Municipal de Reaparelhamento do Corpo de Bombeiros (Funrebom). Os bombeiros elogiam a atuação do comandante, que melhorou as condições de trabalho, o que implica também na melhora no atendimento para a população.

O soldado Ricardo Viegas de Mattos destaca a importância do trabalho e a dedicação do tenente Contreira. “Mais que um amigo, foi meu mestre, assim como para milhares de soldados e sargentos. Foi um comandante nota 1000, evocando as responsabilidades todas pra ele e nos defendendo usando o termo “pai” para tal. Iniciei minha carreira nos ensinamentos dele e tive o privilégio de ser comandado por ele após 20 anos de serviço. Deixa uma saudade eterna e uma dor imensurável”, diz, emocionado. “Montenegro, em termos de bombeiros, cresceu em um ano e meio como nunca. Um gestor e ser humano irretocável. Foram 30 anos de serviços prestado com honra. Um homem contrário a violência e a qualquer forma de litígio, sempre pensando em formar alianças e resolver as coisas com calma, diálogo e cautela”, completa o soldado Ricardo Viegas de Mattos.

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