Até meados do século XIX a cidade de São Sebastião do Caí era chamada apenas de “Porto do Mateus”. Isso porque, Bernardo Mateus foi o primeiro morador dessas terras e assim todos denominavam a localidade com o nome de seu proprietário. Como já era junto ao rio, e ali já existia um atracadouro para embarcações, ficou denominado como Porto do Mateus.

Mas por volta de 1850 Antônio Guimarães adquiriu grande parte dos terrenos que ali existiam. Ele ficou tão importante que a partir de então passaram a chamar o local de “Porto do Guimarães”. Junto com isso a localidade se desenvolveu muito passando a ser um importante centro comercial do estado. Antônio e seu irmão Quintino tinham comércios importantes na vila que começava a se desenvolver.

Atenta a esse desenvolvimento a igreja católica sentiu a necessidade de estabelecer nessas terras uma sede paroquial. Para isso a igreja contou com a ajuda de Antônio Guimarães, que doou terrenos na melhor parte da cidade para que lá fosse construída a sede, uma Igreja e uma praça.

Surgiu então o momento de definir o padroeiro da localidade. Antônio queria que fosse Santo Antônio, uma evidente referência ao seu nome. Mas, o seu irmão Quintino, era da opinião que se homenageasse o primeiro proprietário daquelas terras, Bernardo Mateus, e com isso o santo escolhido deveria ser São Bernardo. Pronto; estava estabelecido o impasse.

Diante da discussão que tomou conta da localidade, tendo defensores de Santo Antônio de um lado e São Bernardo do outro, decidiram recorrer a própria Igreja pra decidir, enfim, qual seria o Santo daquelas terras. O Bispo Dom Sebastião Laranjeira ficou encarregado de resolver a questão é veio pessoalmente ao “Porto de Guimarães”.

Usando de uma decisão política, tentando não desagradar nem os apoiadores de Santo Antônio e nem de São Bernardo, o Bispo sugeriu que fosse escolhido São Sebastião como o padroeiro da localidade.

No final, a opção agradou a todos e, mesmo os que não concordavam, não se arriscariam a discordar do Bispo. Alceu Masson, na sua monografia Caí, escreveu: “Concordaram todos com a inteligente resolução. Em primeiro lugar, ela não dava ganho de causa nem a uns nem a outros; em segundo lugar, tendo o senhor bispo o mesmo nome do padroeiro escolhido, seria falta de delicadeza mostrar-se descontente com a escolha. Dom Sebastião Laranjeira – diga-se de passagem – mostrou nessa ocasião, que se não tivesse preferido o sacerdócio, bem poderia ter optado pela carreira diplomática, na qual certamente alcançaria não poucos triunfos.”

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