Brigada Militar prendeu os seis acusados de envolvimento no assassinato - Crédito: BM

Depois de aproximadamente 15 horas de buscas atrás dos acusados da morte do vendedor de jóias Edvaldo Tomatto, todos os envolvidos foram presos.

Logo após os assaltantes terem efetuado o latrocínio (matar para roubar) numa ótica do centro da Feliz, ontem pela manhã, quinta-feira, dia 3, iniciou o cerco da Brigada Militar, com uma intensa busca. Também foi buscada a identificação dos veículos e envolvidos através de imagens de câmeras. Descobriu-se a participação de uma Renault Duster, que foi abandonada na localidade de São Roque, também na Feliz, e de um automóvel Chevrolet Onix, abordado em Presidente Lucena, na divisa com Ivoti. Segundo a Brigada, o motorista do Ônix, que se disse de aplicativo, estava muito nervoso e não conseguiu negar a participação no latrocínio. No veículo foi encontrado marcas de sangue, confirmando que um dos marginais estava ferido e teria ficado junto com outro assaltante em um matagal no interior, próximo a localidade de Capela do Rosário, armados e com rádios na frequência da Brigada.

Com os acusados foram apreendidas armas, munição, relógios, coletes balísticos e outros materiais –
Crédito: BM

As prisões ocorreram durante a madrugada desta sexta-feira, dia 4, na região entre Presidente Lucena e São José do Hortêncio. Conforme o comandante do 27º BPM, major Oberdan do Amaral Silva, no cerco, que chegou a ter a participação de helicóptero, foram mobilizados Policiais Militares do Vale do Cai, Vale do Sinos e até de Porto Alegre, com intensa busca por informações do Setor de Inteligência e incursões nas matas, chegando na prisão dos outros dois acusados, que estavam ainda armados. Foi preso ainda um quarto indivíduo, acusado tentar resgatar os comparsas. Conforme a Brigada, os quatro acusados são de Novo Hamburgo, com idades de 30, 22, 20 e 39 anos, com vasta ficha criminal. Também foram apreendidos celulares, rádio na frequência da Brigada, coletes balísticos, sete relógios, pistola 9 milímetros, revólver calibre 38, munição, carregadores de armas, entre outros materiais.

O crime

As buscas ocorreram na região de Presidente Lucena, Linha Nova e São José do Hortêncio. As Brigada Militar tinha a convicção de que os criminosos estavam escondidos no mato e continuou com o cerco mesmo durante a noite. E obteve êxito nas prisões.


Edvaldo Tomatto, de 53 anos, era morador de Erechim – Reprodução/FN

A vítima foi identificada como Edvaldo Tomatto, de 53 anos, morador de Erechim. Ele chegou a ser encaminhado ao Hospital Schlatter, após atendimento do Samu, Bombeiros Voluntários e Secretaria municipal de saúde. Mas não resistiu e veio a falecer no final da manhã. Deixou quatro filhos. Era representante comercial da empresa Jade Jóias. O Sindicato do Comércio varejista de material óptico (Sindióptica) emitiu nota lastimando a irreparável perda e se solidarizando à família, colegas e amigos, além de clamar por justiça e na apuração dos fatos, com uma rígida responsabilização dos culpados. O crime causou comoção e revolta entre familiares a amigos da vítima.

O latrocínio ocorreu por volta de 9h25 da manhã de ontem, na Ótica Pérola, situada na Rua Pinheiro Machado, junto esquina com a Rua Maurício Cardoso. Dois criminosos teriam entrado no estabelecimento, enquanto outro aguardou no carro. Os assaltantes subiram até o segundo andar. Mesmo desarmado, Edvaldo teria reagido. A Polícia acredita que ele teria ficado nervoso e não quis entregar os seus pertences. Acabou sendo atingido por dois tiros, no tórax e outro no pescoço. Não se sabe se algum criminoso ficou de fato ferido durante os disparos. Na ótica ainda estavam mais gerente e duas funcionárias, mas elas não ficaram feridas. Não há informação se roubaram alguma mercadoria. Logo após a passagem de uma viatura da Brigada pela frente do estabelecimento, a dupla de bandidos saiu e retornou para a Renault Duster que os aguardava, seguindo em direção a Linha Nova. A Duster, que era roubada em Novo Hamburgo, foi abandonada na localidade de São Roque, ainda na Feliz. No veículo foram encontrados miguelitos, que são ferros retorcidos usados por criminosos para furar pneus de viaturas em perseguições, além de chumbinho e lacres para amarrar reféns. Também tinham manchas de sangue, o que indica que de fato um dos criminosos estaria ferido.

Após abandonar a Duster, os assaltantes teriam fugido num automóvel Chevrolet Ônix de cor prata. O carro suspeito foi abordado em Presidente Lucena, perto da divisa com Ivoti. O motorista, de 26 anos, alegou que trabalha para aplicativo, mas o veículo, que é locado, foi recolhido e conduzido para a Feliz. A suspeita é de que teria transportado os criminosos e depois os deixou em outro local. Mas a Brigada Militar, através do incessante trabalho de buscas, conseguiu prender todos os acusados, que foram encaminhados para a Delegacia de Polícia, devendo ser recolhidos ao sistema prisional.

Segundo o delegado Marcos Eduardo Pepe, que está de plantão na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Montenegro, são seis presos acusados de envolvimento. Quatro foram apresentados na DPPA e um no hospital. Ele teria sido atingido no braço pelo próprio comparsa que atirou no representante comercial. Dois dos presos devem responder por latrocínio. Três, que seriam motoristas de aplicativo, devem ser indiciados por associação criminosa. E outro foi preso ontem durante o dia. “Excelente trabalho da Brigada Militar que realizou o cerco e conseguiu prender os indivíduos na madrugada. O trabalho foi árduo e os guerreiros incansáveis”, elogiou o delegado Pepe, que está lavrando as prisões em flagrante e todos serão recolhidos para a Penitenciária.

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