Mas, e eu? Bom, se fosse um dia fazer uma tatuagem, seria a de um trevo discreto de quatro folhas na parte interna do pulso da mão direita, do tamanho de uma moeda de cinco centavos | Reprodução/FN

Será que um dia vou fazer alguma tatuagem no corpo? Me ocorreu esta pergunta porque tantas pessoas andam deixando em alguma parte do corpo algum desenho, algum escrito, ou algum símbolo por diversos motivos. Pode ser por fé, por amor, por rebeldia, ou até por querer ser diferente. Pode ser uma tatuagem para demonstrar o quanto gosta de alguma banda, ou até por uma ideologia que na marca mostra a intensidade de seu fanatismo. Pode ser por estupidez e até por falta de personalidade, tentando assim uma auto-afirmação através da tatuagem.

Já vi formas lindas de expressão na pele, com desenhos discretos e alegres. Uma das tatuagens mais belas que vi até hoje foi um anel de diamantes tatuado no dedo indicador de uma cliente e que parecia um anel de verdade, dando a volta em todo o dedo. Só que na cor preta. Mas chama a atenção porque é perfeito, parece até ter relevo, como se sobressaísse da pele do dedo. O autor de tamanha perfeição com certeza é um artista. Outra das tantas tatuagens lindas que já vi, foi um escrito no braço de uma garota gordinha, com dizeres proféticos em três linhas:

SUBI NÔ ÔNIBUS
Não importa a direção que vou
Meu destino é viver.

Eu estava encafifado com estes dizeres, tentando entender o motivo da primeira frase, toda escrita em letras maiúsculas, e ainda por cima, com um ô circunflexo sem necessidade, um erro de português escancarado. Não me contive, perguntei o motivo desta frase. A garota, de um rosto lindo, brilhante, daqueles que a gente olha e aprecia, dentes impecavelmente brancos e olhar de paz, respondeu: “Olha bem a frase. Leia de trás pra frente. Não vai mudar. Vai continuar sendo: ‘subi no ônibus’. Então, o complemento desta máxima está embaixo. Achei que tivesse que intrigar as pessoas com minha tatuagem, e estou notando que consegui isso.” – Maldisse minha curiosidade, afinal, tinha muita lógica e de estranha, acabei simpatizando com a tatuagem.

Já vi também tatuagens feias. Algumas deformam por estarem postas em lugares errados e outras mal desenhadas mesmo. Uma das tatuagens mais horríveis que vi, foi uma águia desenhada nas costas de um surfista. Vi lá na praia. Dá para se ver nitidamente que o artista que fez esta tatuagem nem conhecia uma águia de verdade, pois o bico da penosa mais parecia ser a de um papagaio. Só vi que se tratava de uma águia porque estava escrito embaixo: harpia. Bom, só assim mesmo para saber! As asas mais pareciam duas mãos em sentidos opostos querendo fugir do corpo da águia. Simplesmente horrível. Ou então, a tatuagem com dois erros de português que vi nas costas de um cara na net: “Tudo posso na quele que me fortalesce.” – Putz, é de uma incompetência profissional sem tamanho.

Mas, e eu? Bom, se fosse um dia fazer uma tatuagem, seria a de um trevo discreto de quatro folhas na parte interna do pulso da mão direita, do tamanho de uma moeda de cinco centavos. Por enquanto ainda não tive vontade de fazê-lo. Quem sabe um dia…

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