As nuvens são o céu soltando puns para enfeitar nosso dia | Reprodução/FN

Sempre tenho vontade de olhar para o céu e ver em suas nuvens formas que se assemelham com coisas da Terra. Adoro olhar para as nuvens. Mesmo que não tenham formas, gosto de suas cores, seus movimentos, seu contraste em relação ao azul do céu que as separa. E este azul muda de tom de acordo com a nuvem que se encontra a sua frente.

Já vi nuvens de todas as cores do arco-íris e lamento não tê-las fotografado todas. Daria um lindo quadro. Aliás, os espetáculos mais belos da natureza são o por-do-sol, ou o amanhecer, quando enquadrado por nuvens. Com o céu limpo não tem tanta graça. Um espetáculo fantástico que tem todos os matizes e com suas formas cria quadros surreais.
Houve uma época, quando meus filhos eram pequenos, quando eu via que daria um belo por-do-sol, os colocava no carro e ia até a subida do Chapadão (aqui em nossa cidade do Caí – RS). Tudo para admirarmos o por-do-sol. Lá, no meio da subida tem um mirante natural de onde se enxerga o morro de São João em Montenegro, juntamente com suas antenas de rádio e telefonia. E Justamente no Outono, quando as mais lindas situações de anoitecer acontecem, o sol se põe naquela direção.

Eles adoravam ver aquele espetáculo e comentavam sobre formas e cores, o que sentiam. O movimento das nuvens também os fascinava. Ficavam admirados e eu via seus rostinhos no reflexo daquele poente esboçando a satisfação em ver aquele espetáculo. Algo simples, mas que aguça o sentimento de percepção e também a sensação em si, de coisas boas.

Crianças precisam ser levadas a admirarem a natureza. Ver raios no meio de tempestades, ou antes delas, para se impressionarem com a força da natureza e sentirem o tamanho da pequenez do ser humano. Ver nuvens, ver o sol se pondo e nascendo, ver o mar, as ondas de perto, árvores e plantas. Precisamos deixar os filhos descobrirem as diferenças que existem entre uma folha de limão e laranja, para entenderem por que os frutos também são diferentes. E como as folhas são praticamente iguais aos olhos, fazê-los sentir que ao amassá-las, podemos tirar no aroma da essência que exalam, qual folha pertence a qual fruta.

Quando saí da adolescência (faz tempo isso), criei em minha imaginação um lugar lindo, mágico, onde me refugiava quando as coisas aqui da Terra ‘apertavam’. Eu me refugiava em minha ‘nuvem rasa’. Um lugar tão aconchegante que fazia tanto bem, que cheguei em certos momentos a pensar que realmente esta nuvem rasa existia. Era algo além de minha imaginação. Ia além da simples forma de eu pensar que minha imaginação me levava até lá. Eu me via sobre ela, olhava lá do alto para os problemas que ficaram na Terra e de lá resolvia um a um. Um cenário indescritível entre flocos brancos de brumas feito algodão, de onde enxergava lá do alto minha cidade, meu cantinho, meus problemas. Tudo entre estas brumas. E de lá mergulhava neles e achava as suas soluções.

Com o tempo, ficando adulto e maduro, esta nuvem foi se diluindo, diminuindo de tamanho, até desaparecer por completo. O peso dos problemas dos adultos não podem ser administrados a partir de nuvens. Eles são muito pesados, as fariam cair.

Mas eu continuo olhando para o céu, vendo nas nuvens esta magia surreal que a natureza nos oferece de graça. Um espetáculo diferente a cada olhada. Nem que o espaço seja só de cinco minutos, eis que o quadro foi repintado com formas e cores diferentes. Gosto também da resposta que Laila, menina de quatro anos, deu quando lhe foi perguntado o que eram as nuvens. Ela respondeu:
– As nuvens são o céu soltando puns para enfeitar nosso dia.

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