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Volta e meia publicam-se matérias dando conta de que os índices de criminalidade estão caindo: e que há reduções de crimes contra a vida e contra o patrimônio.
Pelo lado da economia, não há o que dizer. O que estava ruim, continua bastante difícil. No policiamento, tivemos alguma reposição de efetivo, mas nada substancial. Inauguramos o presídio de Canoas, sem que possamos dizer que há um grande encarceramento. No que tange às drogas, não me consta ter havido alguma inciativa.

Por que caem os índices?

Isso me remete ao início dos anos 90, nos Estados Unidos, quando os assassinatos reduziram-se mais de 40% e os crimes contra o patrimônio, mais de 30%. Dois professores, John Donohue III e Steven Levitt fizeram um estudo, relacionando a legalização do aborto com a diminuição da criminalidade.

Nos Estados Unidos a legislação sobre o aborto é estadual, houve condições de monitorar a relação causa e efeito. A tese a ser demonstrada era: as crianças indesejadas, mal amadas, abusadas e violentadas eram a matéria prima da criminalidade. Se não nascessem, por terem sido abortadas, o crime cairia?

As conclusões foram:
1) sim, o não nascimento desse tipo de filho resultava numa queda futura da criminalidade;
2) havia um prazo para fazerem efeito, que seria da ordem de 18 anos;
3) essa explicação respondia por 50% das causas.
(Informo que sou contra o aborto).

Voltemos para casa.

Não temos aborto legal, mas tivemos a lei do Planejamento Familiar de Dona Ruth Cardoso (Lei 9.263, de 1996).

Quando a ONG Brasil Sem Grades começou a trabalhar na divulgação do planejamento familiar em 2003, alguma coisa já era feita, mas bem incipiente. Para se ter uma ideia, na capital,1.000 mulheres colocavam DIU por ano, na rede pública.

Desconfio que a explicação para essa queda da criminalidade tem a ver com o planejamento familiar. A natalidade no Rio Grande do Sul tem caído em geral. As crianças indesejadas não nasceram, não foram abandonadas, não foram abusadas, não foram violentadas e, hoje temos menos matéria prima para o crime.

Quem se habilita a transformar isso numa tese acadêmica e provar se tenho ou não razão?

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