Muitos são os preconceitos que fazem parte da existência humana. As pessoas que fogem aos padrões e regras impostas pela sociedade, tendem a ser excluídas, marginalizadas. A tendência é que até mesmo quem esteja próximo de pessoas que são vítimas de preconceito por algum motivo, também sejam julgadas e rotuladas como parte de toda a exclusão.

Entre tantos motivos que levam uma pessoa a viver à margem da sociedade, está um grave problema de saúde: a dependência química. Esta doença é comumente vista pela sociedade como falha de caráter, colocando o dependente químico num papel de bandido ou marginal, em alguns casos. Mas na verdade a pessoa que tem vício em drogas sofre de uma doença que em alguns casos leva ela a cometer atos que jamais cometeria, tudo em prol de conseguir mais drogas. Assim, uma pessoa dependente de drogas pode mentir, manipular, extorquir, furtar e até mesmo roubar para conseguir usar aquela substância que seu cérebro e corpo passaram a necessitar para funcionar bem.

As drogas ilícitas são proibidas justamente porque causam, com o tempo, esse tipo de dano às pessoas. No início, influenciados por “amigos”, curiosidade ou por ter que se entorpecer para enfrentar as dificuldades da vida, a pessoa experimenta alguma droga. Então vai usando, gostando da sensação de prazer e bem-estar causada pela liberação de substâncias no cérebro como a dopamina e assim vai aumentando o uso gradualmente, porque a tendência é que a pessoa vá precisando fazer uso de uma quantidade cada vez maior da substância para conseguir o mesmo efeito, visto que o organismo fica tolerante, ou seja, se adapta a uma nova substância e aquela quantidade já não traz os mesmos efeitos, fazendo a pessoa usar mais e mais.

Todas as drogas, lícitas e ilícitas trazem danos ao corpo e à mente, com atenção especial para o álcool, crack e cocaína, entre outras. Num estágio mais avançado de dependência destas drogas, a pessoa passa a ter problemas de saúde física e mental, pessoais, sociais, familiares, judiciais, intelectuais, financeiros, escolares e acadêmicos, laborais, entre outros. Ou seja, as drogas afetam e destroem a vida das pessoas e de seus familiares e entes queridos.

Muitas pessoas acham que seria fácil para o dependente químico parar de usar drogas e que ele só não para porque não quer parar. Porém às vezes ele quer parar, mas dificilmente vai conseguir sozinho, porque agora seu cérebro precisa da substância para funcionar melhor. A abstinência de drogas pode causar até convulsões e outros sintomas graves.

Desta forma, o dependente químico precisa de medicações e tratamento psicológico. Em alguns casos a necessidade da droga é tão grande que a pessoa não quer o tratamento e só quer continuar usando a substância. Neste caso a família deve intervir, buscando tratamento compulsório, se necessário. Diante de um problema tão devastador como a dependência química, precisamos ser compreensivos, diminuindo o preconceito em relação a algo que é uma doença e orientando a pessoa e familiares a buscarem ajuda. Assim a doença ficará estável e a pessoa poderá seguir sua vida normalmente, mantendo seu tratamento. Qualquer forma de preconceito deve ser repensada, porque preconceito em qualquer situação significa julgar sem saber o que realmente acontece.

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