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Continuação do texto da semana passada…

Capital Financeiro
Investir nos custa muito caro em comparação a outros países. O setor industrial brasileiro ainda é 23% mais caro que o norte-americano, segundo estudos da FIESP. Isso é uma consequência do custo país. Podemos colocar nessa conta altos impostos (precisamos pagar a engessada e paquidérmica máquina pública), burocracia excessiva e custo de capital alto (juros básicos – estamos conseguindo mudar esse quadro aos poucos, apesar de ainda termos um dos mais altos juros reais do mundo).

Infraestrutura Deficitária
Apesar de termos alguns setores com capacidade ociosa (muitas vezes por falhas de planejamento), caso voltemos a crescer em um ritmo mais acelerado, é bem provável que tenhamos apagões em vários setores por deficiências estruturais. Já vimos acontecer muitas vezes na geração de energia elétrica e na qualidade das nossas rodovias (você tem ideia do custo que rodovias malconservadas e engarrafamentos causam na economia?). Passaremos, também, a ver colapsos frequentes em portos, aeroportos, segurança, saúde, etc.

Baixa Competitividade
No Brasil estamos acostumados com o péssimo hábito de pedir (e receber) incentivos governamentais para tudo. Folha de pagamento, protecionismos, controle cambial (hoje não mais), aumentos de tributos para importações, leis de conteúdo local mínimo, crédito subsidiado (bolsa empresário via BNDES, bancos públicos), etc. Os empresários estão acostumados a barganharem com o governo para manterem suas empresas de determinados setores protegidas. São os verdadeiros amigos do Rei. O normal em países produtivos é ter regras claras e iguais para todos. Isso gera um ambiente competitivo onde a adaptação torna-se imprescindível e faz com que não se crie as famosas “campeãs nacionais” artificiais. Isso é bom para a evolução da economia e principalmente para o consumidor.

Ambiente de Negócios
Nosso conjunto de regras e procedimentos as quais os trabalhadores e empresas estão submetidos, é um dos piores do mundo. De acordo com a pesquisa Doing Business, do Banco Mundial, o Brasil ocupava em 2017 a 125ª posição do ranking de ambiente favorável para negócios, no qual foram avaliados 190 países. Isso é o resultado, também, de uma economia extremamente fechada, onde se torna ainda mais caro importar maquinários que poderiam aumentar a produtividade, devido ao alto custo dos impostos. Nossas exportações também são muito menores do que poderiam ser, se tivéssemos menos burocracia. Enquanto o Chile tem acesso direto a 85% do mercado mundial de produtos, o Brasil só tem 8%, segundo a Confederação Nacional da Industria.

Falta de Reformas
Enquanto que na Alemanha importantes reformas estruturantes vêm sendo feitas desde o início da década de 90, aqui estamos recém engatinhando com algumas delas. Tivemos um arremedo de Reforma Trabalhista, que a princípio não serviu nem para diminuir a informalidade (que também é um peso para a produtividade). Estamos há pelo menos quatro anos lutando para conseguirmos reformar a nossa pirâmide financeira chamada Previdência. Vamos começar a discutir uma Reforma Tributária que só vai diminuir o número de impostos, mas jamais a carga tributária, já que nenhum ente arrecadatório tem condições de abrir mão de receita.

Ainda há o fator da “insegurança jurídica”, que afasta o investimento massivamente. Principalmente do investidor estrangeiro. As nossas leis são infinitas e não claras, permitindo que o mesmo caso, julgado por dois juízes diferentes tenham resultados diametralmente opostos. Sem falar em sindicalismos, que fazem uma empresa que tenha sedes múltiplas tenha que se submeter a uma infindável quantidade de regras municipais e regionais para não sucumbir.

O mundo globalizado se estruturou de uma forma em que concorremos com outros países, sim. Não importa o quão fechada é a economia, sofremos internamente com ações que outros países tomam dentro de suas fronteiras. E não há remédio para isso. Podemos chorar ou fazer alguma coisa para melhorar. Eu escolho o segundo caminho, mas ele é árduo e demorado. E já que falamos tanto de Alemanha nesse texto, temos neste mês de setembro o sesquicentenário do Castelo de Neuschwanstein, uma construção Bávara em estilo medieval, apesar de ter sido construído no século XIX em homenagem a Richard Wagner, que, assim como a sua obra é considerada, o que precisamos é de uma “obra de arte total” (Gesamtkunstwerk) e não puxadinhos e paródias. Como na obra de Wagner, precisamos da integração total das artes, uma conjugação perfeita entre a música com o teatro, o canto, a poesia, a dança e as artes plásticas. Precisamos das reformas: educacional, tributária, trabalhista, abertura comercial, desburocratização e ambiente para investimento em infraestrutura. Então teremos uma “obra de arte total” também na produtividade.

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Quanto à economia e política da semana, o que nos move no curto prazo, temos mais desencontros no discurso da área econômica. Apesar da demissão na semana passada do Secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, que defendia a implementação da CPMF, o Ministro Paulo Guedes voltou a defender a volta do tributo.

Aderson Gegler,
Ph.D, Diretor da Moinhos
Investimentos /Divulgação

Como já falamos aqui, talvez uma das mais nefastas formas de tributação. Sua implementação, nos moldes propostos, inviabilizaria uma série de atividades de alto giro e baixa margem. A proposta de reforma do Governo ainda não é conhecida, mas pelo discurso já podemos saber que não há chances de redução de carga. Se não vier aumento, já estamos no lucro.

E a última notícia, já esperada, tivemos nova decisão do Comitê de Política Monetária baixando para 5,5%a.a. a taxa Selic. Juros reais cada vez mais baixos. E finalizo com a pergunta: Você sabe se está pelo menos repondo a inflação nos seus investimentos?

2 COMENTÁRIOS

  1. Muito bom o texto Aderson,
    Infelizmente desmotivador.
    E duro sempre saber e sofrer na pele
    O quanto difícil tocar uma empresa hoje.
    No Brasil temos na empresa um sócio q leva sua parte todo mês ,mesmo sabendo que está fechou no vermelho…E bem difícil pois este não entrou com nada de capital e nem o mínimo de investimento.Corra você pra dar a parte dele no final do mes e pagar todos em dia.voce cria ,desenvolve ,fábrica,vende.Tu e o funcionário do sistema arcaico e quem mais sofre o desgaste pra tentar crescer e gerar mais renda.Pra quê no Brasil..Empresa q está estabilizada só quer ficar assim…e a custos mais baichos possíveis, pra q arriscar investir inchar.Guarda o q tem e espera o que vem.Este e o dilema percpetual de muitos investidores e empreendedores do nosso paiz
    E no Rio grande do Sul…Pioro..

    • Muito obrigado, Marcos!
      A intenção não é desmotivar, bem pelo contrário. Até pq no título está implícita uma importantíssima batalha ganha, a da reforma da previdência! O que quero é mostrar que temos um grande problema e que sim, tem solução, mesmo que esta não seja fácil e rápida. Estamos entrando numa nova fase em nosso país. Muito está para mudar. E aos poucos vamos melhorando. Acompanhe aqui na coluna, semanalmente vamos escrever sobre isso.

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