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A Reforma da Previdência, apesar das desidratações, deve gerar uma economia de R$ 870 bilhões em 10 anos. Também não devemos ter grandes surpresas nos tramites até a sua aprovação final no Senado. É uma batalha ganha. Suada, mas ganha. Vamos olhar para frente, temos muitas outras para lutarmos, mas tem uma em especial que já perdemos.

Pelo menos no curto e médio prazos. Não vamos conseguir vencer a nossa baixa produtividade. E dada a complexidade do assunto, trataremos dele em duas partes separadas.

O Instituto Brasileiro de Economia, da FGV, divulgou o resultado do segundo trimestre de 2019. Queda de 1,7% da produtividade do trabalho no país. É um dado ruim, mas que não surpreende. Temos um histórico longo de péssima evolução nesse índice. Tanto que a Revista The Economist chamou esse problema de “A soneca de 50 anos”. Não é um problema desse ou daquele governo. É estrutural e passou por todos os espectros ideológicos.

Tive a oportunidade de trabalhar em uma universidade na Áustria (Universität Sazburg) enquanto fazia os experimentos do meu doutorado. Como brasileiro, cheguei lá pensando que os professores e pesquisadores passavam 50 horas dentro da universidade, como muitas vezes via acontecendo aqui. Nada mais diferente disso. Via as pessoas chegando para trabalhar às 9h ou mais e indo embora às 16h. Mas, o nível de produção quando lá era alucinado. O resultado disso é uma produção científica absurdamente maior do que a nossa. Porque isso acontece, tendo em vista que a produtividade reflete diretamente na renda per capita?! Existem vários fatores, e agora extrapolando para o mundo corporativo, é importante sabermos onde erramos para podermos pensar nas devidas correções.

 

Capital Humano
Precisamos reconhecer que o nosso sistema educacional é um fracasso (esse tema daria mais um tratado em si, prometo dedicar uma semana só para ele). Enquanto alguns países reformularam todo o seu modelo educacional e estão tendo ótimos resultados, ficamos discutindo ideologias ultrapassadas e usando um sistema do século XIX aqui no Brasil.

Nós conseguimos avançar no acesso dos jovens à escola e também no volume de anos de estudo (a média de anos de estudo passou de 4,7 anos em 1990 para 7,9 em 2010), mas falhamos absurdamente na qualidade dessa educação, o que não permite que eles tenham melhor produtividade. Como disse o Economista do Insper, Marcos Lisboa, “Nossos jovens chegam aos 15 anos aprendendo português e matemática muito menos do que os jovens de outros países, inclusive os emergentes”. O problema com a educação não tem sido o gasto, mas as prioridades. O foco do orçamento na educação nas últimas décadas foi destinado ao ensino superior, muito antes da consolidação da educação básica. O resultado dessa política, mesmo com alguma melhora de qualidade nos últimos 20 anos, é que a educação brasileira ainda é uma das piores do mundo segundo o ranking PISA (avaliação padronizada internacional da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE).

Outra comparação que não podemos deixar de fazer é com relação à Alemanha. Um trabalhador brasileiro tem um terço da produtividade de um alemão. Qual a diferença? Uma delas é que o sistema educacional alemão dá uma importância enorme ao ensino técnico, ou seja, prepara o estudante para o mercado de trabalho e para o que a sociedade precisa.

Já aqui, muitas vezes o trabalhador vai aprender dentro da empresa e não onde deveria, na escola (técnica), que deveria exercer esse papel. As empresas acabam tendo que gastar tempo e recursos com treinamento para conseguir mão de obra qualificada. Escolas e empresas, leia-se mercado, precisam se aproximar e trabalharem em conjunto, seja no ensino superior, técnico ou médio.

Aderson Gegler,
Ph.D, Diretor da Moinhos
Investimentos /Divulgação

Capital Físico
Nossa tecnologia está atrasada, salvo raras exceções. Enquanto em países produtivos a “indústria 4.0” já é uma realidade corriqueira, aqui ainda nem entendemos direito o que isso significa e estamos discutindo o quanto essa onda impactará nos empregos. Pudera, recentemente tivemos um ministro da ciência e tecnologia que havia proposto um projeto que proibia a adoção de tecnologias que “poupassem mão de obra” em órgãos públicos!

A gestão empresarial também preocupa. O Brasil tem excelentes empresas, mas a média delas com baixa produtividade é muito maior do que em outros países. Isso ocorre, em grande parte, pelo tamanho e representatividade do setor público na economia.

Aproximadamente 50%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Aqui reconheço que muito em breve mudaremos esse quadro. Assim espero!

To be continued…

 

Quanto à economia e política da semana, fico apenas com uma notícia que me pareceu importante. Paulo Guedes demitiu Marcos Cintra, o pai da nova CPMF. Vemos uma luz no fim do túnel dessa assim chamada “Reforma Tributária”, que deve, sim, trazer simplificação, mas engana-se quem acha que trará alívio na carga.

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