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O cenário econômico destas últimas semanas foi especialmente importante para todos aqueles que se preocupam com seu futuro financeiro, buscando a melhor qualidade para seus investimentos. Conforme esperávamos, diversos fatores atuaram conjuntamente para possibilitar o novo corte de juros anunciado pelo Comitê de Política Monetária no último 31 de julho. Vamos dedicar o texto para entender as razões para esse corte de juros, as perspectivas para o futuro, e principalmente os impactos para os investidores brasileiros.

Desde que foi inaugurada nossa atual moeda, com o fim da época da hiperinflação, nossos juros seguiram uma tendência de queda no longo prazo. Inicialmente, logo após a implementação do plano Real, tínhamos juros reais (acima da inflação) na casa de 20% a.a. Com a gradual estabilização da inflação, a partir dos anos 2000 nosso país aproveitou um favorável ambiente internacional, de apreciação das commodities, e conseguiu alinhar crescimento econômico com juros reais já na casa de 10% a.a. Ainda assim, taxas muito altas.

Passamos pela crise de 2008, não sofrendo tanto quanto outros países. Nossos juros reais continuaram cedendo conforme nos tornávamos uma economia mais sólida, chegando ao patamar mínimo de 1,5% a.a. em 2012. Contudo, veio o governo Dilma e a crise mais grave de nossa história, um desastre econômico sob qualquer ótica de análise. Começou a ficar evidente o rombo fiscal em que o Estado estava envolvido, principalmente pela Previdência, e lá para cima se foram os juros reais novamente, voltando a patamares elevados – acima de 7% a.a., sem contar a inflação.

Como essas movimentações influenciam na sua vida, e na qualidade de seus investimentos? Basicamente, com juros remunerando muito acima da inflação, o brasileiro se acostumou a “investir” de forma preguiçosa. Em muitos casos, deixar o dinheiro na poupança, com alta liquidez, baixo risco, e ainda ganhando o quase folclórico 1% ao mês. Agora, este é um cenário do passado.

A última decisão do Copom, iniciando um novo ciclo de cortes e levando a Selic a 6% ao ano, mostra que já estamos em um cenário completamente diferente, e que ao que tudo indica veio para ficar. Nossos indicadores de inflação estão controlados, inclusive abaixo da meta, nosso problema previdenciário está finalmente sendo endereçado por um governo reformista (apesar de todos os seus defeitos), e o cenário internacional também favorece com as principais economias mundiais também reduzindo seus juros por causa de preocupações com o baixo crescimento.

Tudo isso somado permite que, atualmente, estejamos vivenciando juros reais de menos de 2% a.a., algo histórico para um país como o Brasil! E isso é ótimo, pois possibilita e incentiva a tomada de crédito e investimentos na economia real, gerando inovação e concorrência – uma experiência capitalista verdadeira, e não mais o conforto do rentismo que tínhamos até então. Além disso, o mercado já precifica que poderão haver novos cortes na Selic no futuro, chegando até patamares de 5% a.a.

Para o investidor que estava acostumado com os juros altos, vai ser cada vez mais necessária uma migração para investimentos melhores. Um fundo de renda fixa bancário que renda o equivalente à Selic, menos taxa de administração, vai começar a ficar muito “caro” para o cliente, entregando pouco ou nada de ganho real de capital, ou ainda com ganho real negativo, como já se vê em alguns fundos bancários. Isso sem falar em aplicações como poupança ou mesmo previdência privada bancária, que geralmente possui altas taxas de manutenção e baixa rentabilidade.

Felizmente, existem boas – e cada vez mais – alternativas. As plataformas de investimento que surgiram e se consolidaram na última década no Brasil são um ótimo exemplo. Elas têm levado aos seus clientes opções de investimento conservadoras, de baixo risco, com custos de administração muito mais baixos do que os dos bancos. Além disso, gradualmente os investidores deverão também passar a buscar aplicações mais arriscadas, incluindo o posicionamento em renda variável, e tolerando a volatilidade em busca de ganhos que realmente superem a inflação. Dentro dessas mesmas plataformas, existem excelentes aplicações de nível moderado e agressivo de risco, que buscam um retorno bastante superior à renda fixa no longo prazo.

Por isso, para aproveitar este momento é fundamental buscar a educação financeira e contar com a ajuda de especialistas que estejam alinhados com você, e não com as metas do banco. É essencial que seus investimentos estejam também sempre adequados ao seu perfil.

Aderson Gegler,
Ph.D, Diretor da Moinhos
Investimentos /Divulgação

Não é um cenário “confortável”, pois todos nós teremos que nos esforçar mais para entendermos sobre nossos investimentos, cuidando melhor deles. No entanto, esta será a única forma de darmos segurança à realização de nossos sonhos no longo prazo, que requerem uma maior solidez financeira.

Quem não se mexer, e achar que pode continuar investindo como fazia antes, talvez perceba lá na frente, tarde demais, que a inércia custou muito caro.

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