Neiva Patrícia Orth tinha 34 anos e estava num cruzeiro na Europa quando sofreu uma parada cardiorrespiratória Crédito: Álbum de família

Neiva Patrícia Orth trabalhou desde cedo. Juntamente com os irmãos, André e Mara, ajudava os pais Paulo e Judit no trabalho na roça, na localidade de Santa Rita, no interior de Tupandi. Dona Judit também é conhecida por ter sido vereadora em Tupandi entre 1997 e 2000. Com 20 anos, Neiva foi trabalhar como baby Sitter na Alemanha, através do intercâmbio como au pair. A família alemã onde ficou como babá era proprietária de hotel e restaurante. A irmã Mara também ficou depois na mesma família. Ao retornar, com o apoio da família de Tupandi, Neiva se formou em Hotelaria em Gramado, no único curso do país. Já foi uma grande conquista, para quem vinha do interior. Mas ela foi ainda mais longe. Trabalhou e estudou nos Estados Unidos. Ao voltar, encaminhou currículos para obter emprego. Surgiu então a oportunidade de trabalho na empresa Costa Cruzeiros, com sede em Gênova, na Itália, que possui grandes navios, para até 5 mil pessoas, e faz viagens marítimas internacionais.

Foram dez anos trabalhando em cruzeiros internacionais, sempre em alto mar e percorrendo diversos países. Muito atenciosa e dedicada, Neiva vinha tendo uma carreira promissora. Era atualmente gerente de recepção da empresa italiana. Bastante comunicativa, falava seis idiomas. Além do português, alemão e inglês, era fluente no espanhol, italiano e atualmente estudava francês. E estava muito contente com o trabalho nos cruzeiros, pois estava realizando um sonho. A irmã Mara lembra que um mês atrás, junto com o marido e a filha, participou de um cruzeiro onde Neiva trabalhava. “Fazia dez anos que ela vinha convidando e finalmente tínhamos conseguido”, lembra Mara, moradora do bairro Angico, no Caí, onde Neiva costumava ficar quando tirava férias. Mara conta que Neiva, após o trabalho nos cruzeiros, pretendia morar e investir no Caí. Ela inclusive tinha comprado um terreno no Loteamento Lírios, onde futuramente sonhava em residir junto com o marido Tiago, que mora em São Paulo e que também trabalha na Costa Cruzeiros.

Neiva estava atualmente trabalhando num roteiro pela Europa, para o qual havia embarcado faz cerca de dois meses. Segundo Mara, a irmã não apresentava nenhum problema de saúde. Ela lembra que a empresa exige exames freqüentes dos tripulantes, inclusive antes de cada embarque. E os últimos exames não apontaram nada de anormal. Por isso a família foi surpreendida com o seu falecimento. Mara lembra que o último contato com a irmã foi no final da tarde de sexta-feira, às 18h20. “Ela pediu fotos nossas. Eu enviei por whats App, mas ela não chegou a ver”, lamenta. Depois, às 18h22, Neiva ainda manteve contato com o marido Tiago, que estava de férias em São Paulo, com previsão de retornar em maio embarcando no mesmo navio da esposa. Foi a última vez que falou com os familiares.

Os colegas estranharam que no sábado pela manhã Neiva não tinha saído do quarto. Ao verificar, encontraram a tupandiense já sem vida. A suspeita é que tenha sofrido uma parada cardiorrespiratória durante a noite, com um infarto enquanto dormia, e não resistiu. Agora a família aguarda o translado para o Brasil. O corpo deve chegar entre quinta e sexta-feira. Ontem, domingo, o navio atracou em Málaga, na Espanha, onde os colegas se despediram de Neiva com muitas homenagens. Em Tupandi, na localidade de Santa Rita, familiares e amigos aguardam para a despedida, que contará com velório e missa. Depois ela será cremada em Novo Hamburgo. “A Neiva foi uma guerreira vitoriosa. Chegou aonde chegou por mérito dela. Estava sempre de alto astral, sorrindo”, recorda a irmã Mara. Funcionária exemplar, Neiva também era muito estimada pelos colegas. “Foi uma menina que saiu do interior e por seus méritos conquistou o mundo”, conclui Mara.

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