Mário Leão era casado com Irene Hoff Leão e teve 6 filhos, 12 netos e 5 bisnetos | Arquivo familiar

O Caí perdeu, na noite do último domingo, um dos mais importantes políticos da sua história

O ex-prefeito de São Sebastião do Caí, Mário Carlos Leão, faleceu no início da noite de domingo, 28 de outubro, por volta de 18h30, vítima de infarto. Ele estava internado no Hospital Unimed de Montenegro e tinha 95 anos de idade.

Em homenagem a esse grande caiense, o prefeito Clóvis Duarte assinou, na manhã de segunda-feira, o decreto de luto no município por três dias. Clóvis ressaltou que o doutor Mário Leão se destacou com grande habilidade na gestão pública.

O velório foi realizado no Centro de Cultura na segunda-feira | Renato Klein/FN

O velório foi realizado no palco do Centro de Cultura e o enterro, às quatro horas da tarde de segunda-feira, no Cemitério Municipal, com grande acompanhamento.

Mário Carlos Leão foi prefeito de São Sebastião do Caí de 1956 a 1959. Foi também promotor de Justiça e advogado de 1943 a 2006. Ele era natural de Feliz que, na época, fazia parte do município de São Sebastião do Cai.

A filha Marília é vereadora e pode ser candidata a prefeita em 2020 | Arquivo familiar

O pai do ex-prefeito, Marcos José de Leão, era o escrivão distrital em Feliz onde Mário Leão ficou até os 13 anos, quando partiu para estudar em Porto Alegre no Colégio Rosário. Na capital ele fez o ginasial e, mais tarde, começou a estudar à noite no Júlio de Castilhos.
Como era aluno do noturno, sobrava tempo para trabalhar durante o dia. Foi trabalhar então no Cais do Porto, onde era agente da Companhia União Fluvial do Caí. Ainda trabalhando, fez a faculdade de Direito e, ao se formar, veio para São Sebastião do Caí advogar com seu irmão Olavo, que na época , era um dos poucos profissionais do direito na cidade.

O doutor Mário morreu dois anos após o falecimento de sua esposa Irene Hoff Leão e teve seis filhos: Janice, Regina, Juliana, Marília, Maria da Graça e Marcos Daniel.

A filha Marília Leão Fortes é atualmente a única vereadora no Caí e já é cotada para concorrer à Prefeitura nas próximas eleições em 2020.

Prefeito

Entre as obras mais importantes do governo de Mário Leão (1956-1959) no Caí, ele mesmo destacava a eletrificação rural, numa época que a energia elétrica era muito precária. “Eu me lembro que, no Caí, só tinha energia elétrica até o Rio Branco. Com isso, eu iniciei o processo de levar luz às comunidades do interior. Foi uma festa”, recordou, em entrevista ao Fato Novo. Neste tempo São Sebastião do Caí ainda abrangia os distritos de Nova Petrópolis, Feliz, Bom Princípio e Capela de Santana e Portão.

Dr. Mário teve encontro com o presidente Figueiredo | Arquivo familiar

Por isso ele foi escolhido para ser candidato a prefeito novamente em 1964, tendo como seu oponente o médico Bruno Cassel, que já havia sido prefeito caiense uma vez, nos anos de 1947 a 1951.

Devido ao grande prestígio e reconhecimento que o povo caiense tinha pelo doutor Cassel – principalmente pela sua abnegação à medicina – o doutor Mário perdeu essa eleição.

Avô Coração de Leão     

Texto escrito pela neta Mariana Leão Ledur

Como toda boa fã, sempre prestei atenção em todos os detalhes referentes ao meu ídolo: sei de cor data de nascimento, número do CPF e número da OAB; sei o filme e a música preferidos (não casualmente o filme é Dr. Jivago e a música Tema de Lara.

A janta preferida era um pão de milho torrado com manteiga e mel, acompanhado de um café com leite.

Lugar preferido no mundo era Bruges, na Bélgica, e a praia Lagoinha, em Santa Catarina. Mas, afora as opções pessoais, a história dele é o que sempre me fascinou;
Ele foi interno quando criança e o boletim da escola era sempre da cor “encarnado” (que significava excelente). Disciplinas preferidas: história e geografia.

Getúlio Vargas lhe pagou uma guaraná quando tinha nove anos e dividia a mesma pensão com Mario Quintana na juventude.

Mário e Irene com seus 6 filhos | Arquivo Familiar

Paixão Côrtes e Brizola também ilustraram episódios da sua história. Nascido na década de 20, em uma família tradicional do interior, tirou uma moça simples das amarras de um pai autoritário e lhe ofereceu a liberdade plena.

Era ele que buscava os bicos caídos dos filhos nas madrugadas e fazia as melhores mamadeiras pela manhã.

Falou para a filha grávida que não era necessário casar. Depois, quando ela quis se separar, foi o primeiro a dizer para ela voltar pra casa que ajudaria a cuidar do bebê.

E assim foi: buscava a neta na escola todos os dias e ia para casa fazer o joguinho das capitais no intervalo do Chaves (e ele não perdia um).

Ciúmes só tinha do Antônio Fagundes (e como tinha) e do tal Capitão Tigre (a clássica briga do tigre e do leão). Fez de tudo para que as netas meninas tivessem boas condições de estudo.

Visita dos netos e bisnetos ao Dr. Mário | Arquivo Familiar

Adorador da vida política e diplomata de alma, nunca vi ele levantar a voz. Há 11 anos me disseram que ele tinha uma expectativa de 6 meses de vida.

Taí… Com 95 anos. seis filhos, doze netos e cinco bisnetos: todos apaixonados por ele e que, agora, ficam cheios de saudade.

Acho que, finalmente, entendi o significado da expressão “Coração de Leão”.
Te amo, vô!

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