Vários médicos cubanos já atuaram no Caí, inclusive um casal que ficou por três anos - Arquivo/FN

Através do programa Mais Médicos, o governo cubano promoveu a vinda de médicos de Cuba para trabalharem no Brasil, especialmente no interior do país.

Graças a isso, mais de dez mil médicos vindos de Cuba já trabalharam no país.

Em contrapartida, o governo brasileiro paga R$11.520,00 para cada médico que participa desse programa. Desse valor, apenas R$3.000,00 é entregue aos médicos. E o restante, R$8.520,00, fica com o governo cubano.

Como o presidente eleito Jair Bolsonaro condenou essa repartição desigual, o governo resolveu cancelar o convênio.

Com isso, os médicos que atualmente participam do programa mais médicos terão de voltar para o seu país. Uma decisão que está sendo muito lamentada. A população de brasileiros pobres, que mais necessitam do trabalho do atendimento prestado pelos médicos cubanos, lamenta a perda dessa assistência. Os pacientes apreciam muito o serviço que os médicos vindos de Cuba estão prestando.

Caí conta atualmente com três médicas cubanas
– Prefeitura/Divulgação

No Caí três profissionais atuam, atualmente, no programa Mais Médicos: as doutoras Lianet, Dayana e Juana. Os serviços prestados por essas médicas é muito apreciado pela população mais humilde. Vários médicos cubanos já passaram pelo Caí desde 2014, ano que chegou a ter quatro, inclusive um casal que atuou por três anos. O Caí foi o município da região que mais recebeu médicos cubanos. Montenegro, que é o maior município do Vale do Caí, não aderiu ao programa. Outros municípios da região, também contam ou já contaram com médicos cubanos, como Salvador do Sul, Alto Feliz, Maratá, São José do Sul, Pareci Novo, além de Capela de Santana, que foi o primeiro a receber no Vale do Caí.

Para substituir esse grande número de médicos que irão de volta para Cuba, o governo brasileiro pretende contratar jovens médicos brasileiros em princípio de carreira. Mas como os médicos cubanos devem deixar o Brasil até o final deste ano, dificilmente se poderá substituí-los tão rapidamente, o que deve causar algum prejuízo no atendimento. No início da próxima semana vários prefeitos do Estado vão a Brasília para se reunir e tratar do assunto.

Diante da situação, que causa muita preocupação, a Prefeitura do Caí emitiu uma nota oficial hoje de tarde, confirmando que não tem como substituir com recursos próprios as três médicas cubanas, pois os custos passariam de 40 mil reais mensais.

Nota oficial da Prefeitura de São Sebastião do Caí

“A Secretaria Municipal de Saúde de São Sebastião do Caí está acompanhando com atenção as questões sobre o futuro do programa Mais Médicos após anúncio da saída de Cuba da parceria e a consequente retirada de todos os médicos cubanos que trabalham no Brasil. No nosso município, a situação atinge três profissionais de saúde que atendem a população das unidades básicas de saúde (UBS) dos bairros Centro e Navegantes e no Loteamento Popular.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Diomar Machado Flores, os três profissionais cubanos já foram contatados pessoalmente por ele e permanecem trabalhando normalmente até receberam a correspondência oficial do governo cubano com data de retorno e a passagem aérea para a viagem, o que ainda não ocorreu. “Estamos apreensivos sim. São três profissionais que precisarão ser substituídos. Segundo a comunicação oficial do governo cubano, o retorno dos médicos ao país de origem deve ocorrer entre 25 de novembro e 25 de dezembro, então aguardamos os comunicados nos próximos dias.”
Machado afirma que o município aguarda movimentos do Ministério da Saúde. “O governo Federal anunciou já para a próxima segunda-feira edital para contratação de novos profissionais de saúde para as cidades conveniadas com o Mais Médicos e esperamos que sejam ágeis, a fim de que nenhum posto de atendimento seja prejudicado.” O secretário afirma que o município não tem condições de repor os profissionais sozinhos. “Estamos tratando de três médicos com 40 horas semanais. O custo mensal será de R$ 40 mil, inviável para os cofres municipais. Mas vamos buscar alternativas para a comunidade não ficar sem atendimento.”

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