Conforme a Prefeitura, em dias de chuva livros têm que ser protegidos com plástico devido as goteiras - Crédito: Prefeitura

A Prefeitura de São Sebastião do Caí alegou a existência de limitações físicas e, principalmente, de graves problemas estruturais na atual sede da Biblioteca Pública Municipal Carlos Henrique Oderich Sobrinho para abrir processo de chamamento público e definir por um novo endereço para a entidade. Segundo a Administração Municipal, alagamentos, infiltrações e comprometimento do acervo geram muitos transtornos e prejuízos para leitores, estudantes e comunidade em geral.

Infiltrações e goteiras estão entre os problemas estruturais do prédio antigo
– Crédito: Prefeitura

Instalado na esquina da Rua Pinheiro Machado com a Rua Marechal Deodoro, bem no Centro da cidade, o prédio que abriga hoje a biblioteca pertence aos Correios e, segundo o secretário municipal de Educação, Cultura, Turismo e Desporto (Smectd), Elton Fernandes, este é o primeiro problema do local. “Por ser imóvel federal, não podemos fazer obras estruturais ou reformas mais amplas e um dos principais problemas do local está no telhado, que precisa ser amplamente reformado. Além de não haver nenhuma previsão dos Correios fazer isso, nós também não podemos mexer. Então a única coisa a fazer para resolver os transtornos era realmente mudar o endereço”, justificou. A responsável pela biblioteca, Eliane Paim de Lima, é quem detalha os transtornos apontados pelo secretário. “Nosso telhado está totalmente comprometido. Basta chover um pouco mais forte para termos infiltrações e muitas goteiras, que alagam salas e pingam do teto e das entradas de lâmpadas, molhando estantes e os livros do nosso acervo. Tanto que várias estantes estão hoje com plásticos fixados para tentar proteger as obras”, afirma. Ela destaca também dificuldades de espaço. “Estamos em um local totalmente improvisado, dividido em várias salas pequenas, que dificultam a distribuição das prateleiras com livros e também os pontos de leitura e estudo”, completa.

27 mil obras e mais de 4,7 mil associados

A biblioteca pública está no atual endereço desde 2003 e conta hoje com um acervo de 27 mil obras do mais variados estilos literários e é ponto de referência na comunidade para leitores e estudantes. “Contamos com mais de 4,7 mil associados ativos, que nos procuram de forma permanente, a maior parte deles toda a semana. Como temos uma população de cerca de 25 mil pessoas, esse dado é bem interessante”, aponta Eliane Paim.

A responsável pela biblioteca destaca ainda a relação com a população. “Temos uma parceria maravilhosa com a comunidade, com muitas pessoas nos doando livros ao longo do ano, muitos deles novos e até lançamentos. Isso nos permite manter nosso acervo atualizado sem custos para o município, bem como coloca ao alcance de quem não pode comprar obras de todos os gêneros”, declara Eliane. Ela afirma estar ansiosa para a mudança de endereço. “Iremos para um prédio novo, com melhores condições e que será adaptado para nossas necessidades”, completa.

Baldes são colocados quando chove devido as goteiras
– Crédito: Prefeitura

As palavras dela são reforçadas pela professora Luciana Xavier Ledur, 40 anos, que na tarde de ontem, dia 23, estava na biblioteca. “Venho aqui quase todos os dias e já perdi as contas de quantas vezes ajudei a distribuir baldes para tentar conter goteiras e também ajudei a tirar água que invadiu salas. A mudança não é só uma melhoria, mas uma necessidade urgente”, entende.

Nova sede será próxima ao cartório eleitoral

A mudança da biblioteca para o novo endereço, que fica na Rua Coronel Paulino Teixeira, próximo ao cartório eleitoral, Centro da cidade, ainda não tem data definida para ocorrer, mas segundo a Prefeitura deve ser feita em breve.

Conforme a Prefeitura, o novo prédio será alugado e foi definida mediante processo no modelo chamamento público pelo menor preço. O aluguel será de R$ 2,4 mil mensais, dentro do limite imposto pela prefeitura, que era de R$ 2,5 mil.

Questionamento na Câmara

Na sessão da Câmara Municipal da última segunda-feira, dia 21, a vereadora Marília Leão Fortes (PSDB), questionou a forma como ocorreu a definição do novo local da Biblioteca. Ela entendeu que ocorreram irregularidades na escolha e disse que encaminhou o caso para o Ministério Público e para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). As manifestações da vereadora, assim como contraponto da Prefeitura e do vereador Cléber Schröeder, estão em reportagem anterior divulgada pelo Fato Novo: Vereadora denuncia irregularidades no aluguel de novo prédio da Biblioteca do Caí, mas Prefeitura nega.

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