Júlio Campani diz que o Caí não aceita a instalação do pedágio em seu trecho da RS 122, mesmo com o Areião sendo colocado como alternativa - Crédito: Prefeitura do Caí

Segue o impasse sobre os locais em que serão instaladas as novas praças de pedágio no Vale do Caí. Ontem, quinta-feira, durante reunião no Centro Cultural de Feliz, o secretário extraordinário de parcerias do Estado, Leonardo Busatto, teria mencionado que o pedágio anunciado inicialmente para o quilômetro 22,5 da RS 122 na Bela Vista, próximo da ponte sobre o rio Caí em Bom Princípio, poderá ser implantado no quilômetro 4 da rodovia, ou seja, na reta da localidade do Areião, em São Sebastião do Caí, próximo da divisa com Portão. Mas o prefeito do Caí, Júlio Campani, rechaça essa possibilidade. “Não permitiremos que o pedágio seja no Caí”, garante.

Reta do Areião, perto da divisa do Caí com Portão, foi apresentado como alternativa para local do novo pedágio, mas prefeito Júlio Campani não concorda
– Crédito: Fato Novo

O Governo tem destacado que os investimentos nas rodovias dependem da concessão e instalação de pedágios, inclusive anunciando a possibilidade de construção de um novo viaduto de ligação entre a ERS 122 e a ERS 452, no chamado trevo da Polícia Rodoviária Estadual, em Bom Princípio. O local costuma ser palco de congestionamentos e acidentes, principalmente em horários de maior movimento. O anúncio do viaduto também ocorreu na reunião do Parlamento da Serra Gaúcha, organizada pela Câmara de Vereadores de Feliz. Já sobre a possibilidade de que o pedágio seja no Caí, Campani desconhece que a opção tenha surgido após diálogo e apresentação de possíveis impactos. Ele lembra no quilômetro 4 tem a Estrada da Tafona, que pode ser utilizada como desvio, o que inviabiliza a instalação da praça de pedágio neste trecho. E que ao ficar sabendo da possibilidade anunciada ontem na Feliz, de imediato fez contato com o diretor do Departamento de Concessões e Parcerias Público-Privadas do Estado, Rafael Ramos, o qual garantiu que ainda não existe qualquer definição sobre local do pedágio. “Nada definido ainda”, confirmou Ramos para a reportagem.

O Governo segue estudando outras alternativas. Outra possibilidade seria no quilômetro 11 da RS 122, na altura do bairro Conceição. Mas essa alternativa acabou sendo descartada porque afetaria diretamente dois grandes bairros como a São Martim e a própria Conceição. Caso não seja confirmado um novo local, não se descarta a possibilidade do pedágio continuar onde está hoje, em Rincão do Cascalho (Portão), com cobrança nos dois sentidos. Só que os moradores do Portão também são contra e inclusive fizeram um protesto no último domingo, devido ao fim das isenções para residentes no município. O pedágio atual, administrado pela EGR, que é uma empresa pública, concede isenção e tem cobrança num só sentido, diferente do que vai ocorrer com a concessão.

O mesmo impasse ocorre no outro pedágio anunciado para o Vale do Caí, no quilômetro 25 da RS 240, na localidade de Divisa, em Capela de Santana. O município de Capela também não aceita a instalação do pedágio, já tendo realizado protesto, reuniões e abaixo-assinado. E com isso o Governo estuda outras alternativas para a instalação de uma praça entre Capela e Montenegro.

Consulta Pública termina neste sábado

O processo ainda está em fase de consulta pública até este sábado, dia 31. No site parcerias.rs.gov.br/rodovias o governo do Estado recebe questionamentos e sugestões. Para participar, os interessados devem realizar seus apontamentos mediante o preenchimento do “formulário de contribuições”. O documento deve ser encaminhado para o e-mail [email protected], destacando no campo “assunto” o bloco (bloco 3) a que se referem as contribuições. As sugestões serão respondidas pelo corpo técnico do governo.

Até o final de agosto deve se ter uma definição sobre os locais dos novos pedágios, para depois ser lançado o edital e para o final do ano está previsto o leilão que definirá as empresas que ganharão a concessão. Por outro lado, os prefeitos do Vale do Caí encaminharam documento ao Governo pedido que o projeto de concessão de rodovias, que prevê a instalação de novos pedágios, fique para depois das eleições de 2022, podendo assim inclusive ser tema de debate durante a campanha eleitoral.

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