Charge feita a pedido do Fato Novo pelo designer gráfico Henrique Barth

O final de 2018 está sendo mais triste no Caí e na região. O Vale do Caí perdeu, na última semana, o maior realizador de eventos da região. João Batista Giuriatti da Silva, o JB Gralha, faleceu aos 57 anos.

O falecimento de Gralha foi confirmado no início da tarde de quarta-feira da semana passada, dia 19. Após a confirmação da morte, uma equipe da OPO – Organização de Procura de Órgãos e Tecidos, passou a conversar com os familiares. Mesmo num momento de intensa dor, a família aceitou fazer a doação de órgãos. Rins e fígado foram doados, que poderão salvar mais vidas.

Vítima de AVC
Desde domingo pela manhã, dia 16, quando Gralha foi encontrado pela mãe, em casa, inconsciente, já se sabia que a situação era muito crítica. Ele foi vítima de um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. O quadro clínico era considerado irreversível. Mas o coração ainda estava batendo e ainda tinha fluxo sanguíneo do cérebro. Por isso não tinha sido diagnosticada a morte cerebral, como chegou a circular a informação em redes sociais. A morte só foi confirmada oficialmente no exame de Doppler transcraniano realizado logo após o meio-dia de 19 de dezembro na UTI do Hospital Montenegro (HM), onde Gralha estava internado.

O grande festeiro
Gralha organizou os maiores e melhores eventos do Caí e da região. E teve um grande envolvimento com a comunidade. O blog Histórias do Vale do Caí, do jornalista Renato Klein, diretor e editor do Fato Novo, conta um pouco a história deste que pode ser considerado o “maior festeiro da região”.

Nascido no Caí no dia 19 de novembro de 1961, Gralha é filho de José Soares da Silva, o Zé Taioba. Seu pai era policial e sua mãe morava em Canela, onde Zé trabalhou um certo período. Sobrinho de João Soares da Silva, o Pai João, que era dono de um escritório de despachante, aos 13 anos, foi trabalhar com o tio. Como ele falava o tempo todo, deram-lhe o apelido de Gralha. Começou, então, a fazer coisas diferentes. A primeira que aprontou foi um jornalzinho impresso no mimeografo do escritório. Logo em seguida ele passou a organizar festas. Qualquer festa. Principalmente as de aniversário de amigos. Mas ele sempre colocava nas festas algo de diferente e criativo. Ganhou fama e as suas festas começaram a virar eventos destacados na cidade. Elas passaram a ser realizadas nos principais clubes da cidade na época, como Aliança e Country. Tornaram-se festas coletivas.

Uma delas, comemorando o aniversário de oito aniversariantes, reuniu 450 pessoas no Country.

Formou-se, então, um grupo de amigos que ajudavam Gralha a organizar os eventos. Com eles, Gralha realizou o seu primeiro grande evento, que foi a festa de escolha da Rainha das Piscinas, no Clube Rio da Mata. O cenário incluía um vulcão e uma cachoeira. Na época Gralha tinha 19 anos.

Depois disso ele e a sua equipe organizaram o Torneio de Taco e o concurso Garota Verão, no Ginásio A do Parque Centenário.

Veio, então, o primeiro super evento da equipe: a festa denominada Uma Noite no Velho Oeste, que teve várias realizações, no Clube Aliança e até no Ginásio de Esportes. Um grande cenário era montado para a festa e o evento começava com a encenação de uma cena de filme, com tiros, mortes e quedas espetaculares.

Mas foi em 1989, que Gralha e a sua equipe fizeram a sua maior realização. A Corrida Maluka. Uma gincana automobilística que impactou a cidade inteira. Um sucesso tão grande que a promoção teve 18 edições . Outro grande evento foi a Caça ao Tesouro, uma gincana que chegou a ter a participação de 330 ciclistas.

Com tanto sucesso, Gralha tornou-se uma figura destacada da cidade. Foi convocado para organizar os bailes de escolha da Rainha da Festa da Bergamota e eleito quatro vezes presidente do Country Tênis Clube. Em 1998 foi o presidente da Festa da Bergamota, quando o Parque Centenário do Caí recebeu o show do famoso cantor Fábio Júnior e outros artistas. Ainda participou da política, sendo candidato a vereador pelo PSB em 2012 e 2016.

O amigo Pedrinho Griebler, parceiro em vários eventos, lembra que Gralha continuava ativo nos eventos. Neste ano de 2018 realizou em abril a festa Corrida Maluka Remember, relembrando momentos, vídeos e fotos de um dos maiores eventos da região e do Estado.

Também seguia trabalhando como vendedor na empresa Compumaq e envolvido com outras atividades.

A despedida
O velório de JB Gralha acabou atrasando e só começou na noite de quinta-feira no Country, clube que presidiu por quatro gestões. Além da doação de órgãos, foi feita necropsia no Instituto Médico Legal – IML, em Porto Alegre, para apurar o que teria causado o AVC. O laudo com o resultado deve sair em cerca de 30 dias.

O sepultamento ocorreu na sexta-feira passada no cemitério católico do bairro Conceição, com grande acompanhamento de familiares e amigos. “Meu pai, meu amigão, que sabia como eu estava só pela minha voz. Me ensinou tudo sobre amizade, humildade, respeito e AMOR. Pai, tu fez tanta gente feliz, tanta gente te ama. Só lembranças boas. Ninguém fez o que tu fez”, escreveu a filha Mariana Hillebrand da Silva, no facebook. “Tua voz, tua alegria e tua presença vão ficar para sempre”, completou.

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