Direção do hospital contesta divulgação do site do Governo do Estado e informou que ocupação é de 88% dos leitos SUS clínicos. E que, somando leitos SUS e convênios, estaria em 95% - Crédito: Arquivo/FN
Crédito: Governo do Estado

Na tarde de hoje, segunda-feira, dia 8, conforme informações do site da Secretaria Estadual da saúde, todos os 13 leitos destinados a pacientes com coronavírus ou com casos suspeitos, estavam ocupados no Hospital Sagrada Família, de São Sebastião do Caí. Mais do que isso, são 19 leitos ocupados, ou seja, mais do que os destinados para casos de coronavírus, o que representa uma taxa de ocupação de 146,2%.

Cinco leitos da UTI Covid foram abertos pelo Estado no Hospital Sagrada Família em junho do ano passado, mas depois foram fechados quando diminuíram os casos de coronavírus
– Crédito: Maicon Hinrichsen/ Palácio Piratini

A preocupação é com a alta de internações de casos de Covid-19 em todo o Estado, causando a falta de leitos, inclusive em UTIs. O próprio Hospital Sagrada Família chegou a inaugurar uma UTI Covid, com cinco leitos, em junho do ano passado, em live transmitida pela internet com a participação do próprio governador Eduardo Leite. Mas depois, com a queda nos casos, os equipamentos da UTI teriam sido devolvidos, já que eram alugados, e a unidade foi fechada. Agora, na pior situação da pandemia, faltam leitos de UTI nos hospitais.

No último final de semana dois pacientes do Caí – um homem de 69 anos e uma mulher de 46 anos, que estavam com coronavírus, vieram a falecer. Ambos tinham outras comorbidades e estavam internados na UTI do Hospital Montenegro. Aliás, o Hospital Montenegro é um dos que enfrenta problemas de superlotação. A UTI está com taxa de ocupação de 140% e hoje dois pacientes aguardavam vaga na unidade de terapia intensiva.

Em recente reunião realizada em Montenegro, com a participação de prefeitos e secretários municipais de saúde da região, foi tratado sobre a mobilização pela reabertura dos leitos de UTI Covid do hospital do Caí. A reportagem do Fato Novo tentou contato com a direção do Hospital Sagrada Família, mas não obteve retorno. Não foi atendido no celular e nem por mensagem de whatsApp. Na ligação para o hospital, pediram para telefonar outro dia.

O prefeito Júlio Campani disse que, conforme relato da última sexta-feira, dos cinco leitos de semi-UTI do hospital do Caí, apenas um estava ocupado. E todos os demais leitos normais estavam ocupados. Já a secretária municipal de saúde do Caí, Neiva Santos, diz que quem define a situação, sobre reabertura da UTI Covid, é o próprio Hospital Sagrada Família. “O que foi nos informado é que a direção do hospital não consegue contratar os profissionais para a reabertura dos cinco leitos de UTI”, diz Neiva.

A reportagem também fez contato com a coordenadora da 1ª Coordenadora Regional de Saúde do Estado, Ane Beatriz Silva Antal. Ela coordena 66 municípios, que totalizam uma população de mais de 4 milhões de habitantes. Ela diz que o Hospital Sagrada Família, do Caí, tinha 6 leitos de UTI Covid, mas os equipamentos alugados foram devolvidos. Cita que não foi renovada a habilitação por parte do Ministério da Saúde. Sobre a reabertura, afirma que depende de interesse do hospital e/ou do município. “Mais do hospital do que da gestão municipal, uma vez que ele é privado filantrópico”, declara. A coordenadora não sabe os motivos, mas cita que podem ser devido às dificuldades com pessoal, custos e outros. “Precisa verificar com o hospital os motivos”, completa. Ane Antal diz que hoje os leitos do Hospital Sagrada Família são clínicos covid, ou seja, não são de unidade de terapia intensiva (UTI), que atende os casos mais graves. E aí depende de vaga em outros hospitais, o quê está muito difícil.

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