Ranolfo Vieira Júnior alega que não assinatura do contrato com consórcio vencedor poderia gerar ações de ressarcimento e que concessão é necessária para a realização das obras nas rodovias - Foto: Felipe Dalla Valle / Palácio Piratini

Mesmo com a mobilização de prefeitos e lideranças da região no sentido de impedir a assinatura do contrato do Governo do Estado com a empresa vencedora do leilão das rodovias do bloco 3, o governador Ranolfo Vieira Júnior (PSDB) disse que é muito difícil o Estado desistir da homologação do resultado. Justifica que isso poderia gerar ações judiciais por parte do consórcio vencedor, buscando ressarcimentos. Ressaltou que o consórcio ainda tem que apresentar documentos e que o processo até a concretização da concessão deve durar entre quatro e seis meses.

Sobre os protestos de lideranças do Vale do Caí e da Serra quanto a falta de diálogo com as comunidades, em entrevista ao para a Rádio ABC afirmou que ocorreram mais de cem reuniões, inclusive sendo incluídos mais R$ 500 milhões em investimentos nas rodovias. Lembrou que a concessão vai representar investimentos na ordem de R$ 3,4 bilhões nos 271 quilômetros de rodovias como RS 122, RS 240, RSC 287 e RS 453, que possuem trechos na região, sendo que R$ 2,2 bilhões devem ser aplicados nos primeiros sete dos 30 anos de concessão. Frisou que o Estado não possui recursos para os investimentos necessários e por isso a necessidade da concessão para a iniciativa privada.

Pedágio na RS 122 no Areião (Caí) deve ter tarifa de quase 10 reais, com cobrança nos dois sentidos
– Crédito: Prefeitura do Caí

Quanto as reclamações referentes ao alto valor das tarifas dos novos pedágios, que no caso da praça prevista para o quilômetro 4 da RS 122, no Caí, altura do bairro Areião, ficará em quase 10 reais, lembrou que os projetos de concessões foram elaborados com apoio do BNDES no início do Governo, antes da pandemia, e depois o cenário econômico mudou, com o custo de asfalto elevando em mais de 30%. Quanto ao fato de apenas uma empresa ter participado do leilão e ter ocorrido um deságio de apenas 1,3%, deixando as tarifas dos pedágios praticamente nos valores máximos, alega que além do cenário econômico ter impactado pela pandemia e a guerra da Ucrânia, agora há mais concorrência no mercado de concessões no país. Destacou que apesar da mudança de cenário, o Governo manteve os parâmetros traçados pelo BNDES. Acredita que se os números fossem atualizados, teria um deságio maior, mas aí a tarifa do pedágio, como no Caí, poderia chegar a 13 reais. Disse ainda que o futuro pedágio no Caí poderá sofrer alteração de local de cinco quilômetros, em direção a Portão ou Bom Princípio, o quê deverá ser discutido pelo Governo com a concessionária e comunidade local.

Ranolfo admitiu que o Governo está avaliando se mantém ou não a realização dos leilões de mais dois lotes que estavam previstos para rodovias da Região Metropolitana, Vales do Sinos, Paranhana, Taquari e Norte do Estado. Citou que está sendo analisada a possibilidade de reajuste nos parâmetros e tabelas de valores, já que o projeto tinha como base a realidade de 2020 e desde então aumentou a inflação e o custo das obras.

Pedido de reunião

Na última terça-feira, em reunião de prefeitos, deputados e lideranças na Assembleia Legislativa, foi solicitada uma audiência com o governador. O presidente da Assembleia, deputado Valdeci Oliveira, ficou de encaminhar o pedido de reunião e já manteve contato com o chefe da Casa Civil, Artur Lemos Júnior, mas ainda não recebeu retorno sobre a confirmação da audiência com Ranolfo Vieira Júnior.

Prefeito caiense Júlio Campani lidera movimento contra a homologação do resultado do leilão das rodovias
– Crédito: Prefeitura do Caí

O prefeito de São Sebastião do Caí, Júlio Campani, que lidera a mobilização contra os novos pedágios, lamenta que o governador não conheça a realidade fora do Palácio Piratini, quanto ao alto valor das tarifas e prejuízos que vão ocasionar para as comunidades. Campani está ainda mais preocupado porque o contrato é de 30 anos e os valores das tarifas podem ser ainda mais afetados pelas questões econômicas momentâneas. Por isso espera que o tema seja discutido em reunião com o governador para que a situação seja revista.

No Caí a tarifa do pedágio foi estipulada em R$ 9,83 e com cobrança nos dois sentidos, sem direito a isenção para moradores locais, tendo apenas desconto para usuários mais freqüentes. Com as novas praças será desativado o atual pedágio do Portão, onde a tarifa atual é de R$ 6,50 e cobrança num só sentido, além de isenção para moradores locais. O contrato pode ser assinado já em outubro ou deste ano, assumindo a empresa que fará a gestão e manutenção das rodovias. E com isso poderá inicialmente fazer a cobrança no atual pedágio do Portão, já aumentando as tarifas, até a instalação das duas novas praças em 2023, incluindo também um pedágio no quilômetro 30 da RS 240, na localidade de Paquete, em Capela de Santana, próximo da divisa com Montenegro, com tarifa de R$ 7,19.

 

 

1 COMENTÁRIO

  1. Como são “bonzinhos” era para ser 13,00 reais. Vai se ferrar. A eleição tá aí na porta. Todos nós que reclamamos e estamos indignados temos a OBRIGAÇÃO de pesquisar os deputados estaduais que foram a favor deste ROUBO, porque não tem outro termo para ser usado e não votar mais nessa gente. Não é difícil basta ter um pouco de vontade. Senão não tem porque reclamar. PENSEM NISSO.

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