Técnico falou que declarações do vice-presidente do Grêmio foram determinantes para a sua saída - Crédito: Grêmio/Divulgação

Em entrevista ao programa “Bem, Amigos”, comandado por Galvão Bueno na SporTV, ontem de noite, segunda-feira, dia 10, Renato Portaluppi falou sobre a sua saída do comando técnico do Grêmio. Sem citar nomes, falou que as declarações do vice-presidente do clube, após a eliminação do tricolor na pré-Libertadores, foram determinantes para a sua demissão. Conforme reportagem do jornal Zero Hora, Renato se referia ao empresário caiense Claudio Oderich.

Em entrevistas na metade do mês passado, o vice-presidente gremista defendia a troca no comando técnico. Após a eliminação, Claudio Oderich ressaltou que Renato é o maior ídolo do clube, mas não garantia a sua permanência. “Tudo tem início e fim”, declarou. As declarações de Oderich e a convocação de uma reunião de dirigentes teriam desagradado Portaluppi, que se recuperava da Covid-19 num hotel em Porto Alegre e inclusive não treinou a equipe na derrota para o Independiente del Valle. “Eu não ia ficar escutando coisa de uma pessoa que não faz nada pelo clube”, declarou o técnico que comandou o tricolor por 4 anos e 7 meses.

Na entrevista, Renato não mencionou o nome de Claudio. O comentarista Maurício Saraiva, que participava do programa, chegou a perguntar se ele estava se referindo a Oderich, mas Portaluppi preferiu não dizer. “Não vou dar moral para gente que não ajuda, bem pelo contrário, atrapalha. Tem vontade de ser presidente do Grêmio, mas não vai ser nunca. Essa é a verdade”, falou.

Após saída de Renato, Claudio Oderich é cogitado como um dos possíveis substitutos de Romildo Bolzan na presidência do Grêmio
– Crédito: Lucas Uebel/Grêmio

Sobre a despedida do Grêmio e o retorno ao Rio de Janeiro, Renato admitiu ter saudades do clube, da torcida e dos jogadores. Destacou a emoção na despedida e que chegou a ir às lágrimas com o presidente Romildo Bolzan. O técnico declarou que agora pretende descansar e aproveitar a família para depois pensar nas propostas que tem recebido para novos desafios como treinador, mas não escondeu o sonho de um dia treinar a Seleção Brasileira. Mencionou propostas que recebeu de Singapura, Dubai e também de Atlético Mineiro e Santos, mas neste momento preferiu deixar a parte financeira de lado para poder descansar e ficar com a família.

Evitando polêmica

A reportagem do Fato Novo entrou em contato com o empresário caiense Claudio Oderich. “Não tenho nada a falar AGORA”, declarou, no início da manhã, em resposta pelo whatsApp. Já mais tarde, em conversa com o site Zona Mista, Claudio tentou evitar polêmica, ressaltando que sempre manteve o respeito na relação com o treinador. “Aquilo que ele colocou é da forma dele, como ele enxerga. Eu fui bem claro com relação à questão de reavaliarmos aquilo que estava acontecendo: a desclassificação. Acho que o Renato também não deve ter gostado da desclassificação”, disse o vice-presidente gremista. “Ele é nosso ídolo maior, sempre tratei ele com muito respeito, tivemos a relação muito respeitosa e de certo ficou magoado com aquilo que eu declarei, que a gente estava em avaliação. Acho que técnico está sempre em avaliação. Eu não vou me manifestar mais do que isso. Deixa os dias passarem, dar uma acalmada e depois a gente fala como é que as coisas aconteceram tudo direitinho”, finalizou.

O empresário de São Sebastião do Caí tem sido cogitado como um dos possíveis substitutos do atual presidente Romildo Bolzan. E isso ganhou força após a saída de Renato Portaluppi. Segundo coluna de Zé Alberto, em ZH, “Dividindo opiniões entre os torcedores e, provavelmente, não tendo a concordância unânime de seus companheiros de Conselho de Administração, Oderich se expôs e viu, menos de 24 horas depois, sua vontade atendida. Não há como negar que o saldo político para um dirigente que toma uma atitude dessas e tem o resultado que teve aumenta muito e o destaca entre seus pares”.

Falta mais de um ano para a eleição no Grêmio. Mas como Romildo é cogitado para concorrer a governador pelo PDT, o atual presidente pode sair antes do cargo.

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