Pedro foi sepultado no domingo em São Sebastião do Caí - Reprodução/FN

A morte repentina do seminarista Pedro Adolfo Flores, o “Pedrão”, de 22 anos, ocorrida no início da noite do último sábado, 31 de agosto, causou grande comoção em São Sebastião do Caí e na região. Pedro sofreu um mal súbito após o término das atividades de animação vocacional em Paverama, onde participava de um encontro de coroinhas. Houve pronto atendimento pela equipe do SAMU, sendo encaminhado para o Hospital de Estrela, onde foi atestado o óbito.

Pedro Adolfo estava na companhia do padre Gabriel e do seminarista Rodrigo quando passou mal. Foi tentada a reanimação pelo Samu e ao ser levado ao hospital foi constatada a morte em razão de parada cardíaca. Em razão do falecimento, as missas na igreja Matriz do Caí foram canceladas no último domingo.

Natural de São Sebastião do Caí, Pedro tinha 22 anos e estava no 1º ano da Configuração (Teologia) no Seminário Maior São João Batista de Viamão. Na sexta-feira, véspera de sua morte, ainda participou do programa Diocese da Alegria, da rádio da Diocese. Pedro era o festeiro geral da Festa dos Seminários de Viamão prevista para o próximo domingo e falou com entusiasmo sobre o evento. Tinha sido escolhido como organizador da festa justamente pela sua liderança e espírito comunitário. Muito estimado, sua despedida foi num clima de grande consternação. O corpo foi velado na igreja Matriz do Caí, onde foi celebrada missa de corpo presente seguida de sepultamento no cemitério do Chapadão com grande acompanhamento de familiares, amigos e fieis.

Pedro era filho de Rubilar Flores e de Marli Kich Flores (in memória) e deixa também a madrasta Cleonice Sebastiany e os irmãos Mateus e Luana. Além do Caí, estudou também no seminário de Bom Princípio e em Montenegro.

Jovem muito dedicado

O pároco do Caí, padre Alexandre Baptista de Oliveira, lembra que Pedro era um jovem muito disposto, religioso e que valorizava muito a liturgia. “Sabia conviver e brincar com todo mundo. Logo fazia amizade”, recorda. Estava sempre presente nas atividades da Paróquia, como na Festa de São Sebastião, Natal e Páscoa. “Era uma pessoa maravilhosa”, diz. Recentemente tinha feito uma cirurgia bariátrica justamente para cuidar mais da saúde. Lembra ainda que ele gostava muito de conversar e cozinhar.

O padre Eduardo Haas lembra que Pedro ingressou no Seminário em 2011, no primeiro ano do Ensino Médio, no Seminário de Bom Princípio. Provavelmente seria ordenado padre em 2023, pois faltavam sete semestres de teologia e um ano de estágio. “Foi uma morte repentina, o que causa um impacto maior. Ele estava muito bem, levando uma das melhores fases da sua vida”, afirma. O padre Eduardo cita que muitas pessoas foram na despedida. “A igreja Matriz do Caí ficou pequena para tanta gente”, conta, sobre a missa de corpo presente. “Não havia mais espaço para tantas flores. Participaram 50 padres, diáconos e bispos concelebraram a missa. Dezenas de seminaristas e religiosas também estiveram presentes”, completa. “Foi uma despedida cristã. Muito triste e dolorida, mas sobretudo com muita fé na ressurreição. Pedro passou pela morte, mas temos firme esperança de que ele está com Cristo, na eternidade”, diz.

A família de Pedro mora no Loteamento Laux, do Caí. Ele tinha perdido a mãe faz cerca de 7 anos. Na época, já estava estudando no seminário. “Desde pequeno tinha a vocação. Sonhava muito em ser padre”, recorda a madrasta Cleonice. A família recorda que quando criança ele brincava de ser padre, colocando roupa branca e criando um altar. Depois foi coroinha e aos 14 anos entrou no seminário. “Era muito querido, dedicado e preocupado com os outros”, cita. Mesmo nos momentos de folga dos estudos, em finais de semana costumava ajudar os padres, como nas Paróquias do Caí, Feliz e Montenegro. “Era muito focado na igreja, principalmente no trabalho com as crianças e na pastoral carcerária”, lembra.

Sobre a saúde, Cleonice recorda que Pedro teve um problema de miocardiopatia, que é uma doença do músculo do coração, dificultando o bombeamento adequado de sangue para o corpo. Mas fez tratamento e estava muito bem. Tanto que na sexta-feira, um dia antes do falecimento, fez exames com cardiologista, que não apontaram nenhum problema. Também se recuperou bem da cirurgia bariátrica que fez faz cerca de dois meses, para redução de estômago, visando reduzir o peso.

Como a família achou por bem que se desse sequência na Festa dos Seminários, para continuar o trabalho de Pedro, o evento foi mantido para domingo em Viamão. Pedro será homenageado com a missa de sétimo dia no próximo sábado, 18h, na Igreja Matriz do Caí. E também no domingo, 10h da manhã, na missa em Viamão.

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