É o terceiro pedido de impeachment contra Kadu Muller, sendo que os dois anteriores foram arquivados - Arquivo/FN

Após reportagem do jornal Fato Novo, de que na verdade a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) não tinha entregado o projeto de reestruturação da RSC 287 para a Prefeitura de Montenegro, o prefeito Kadu Müller foi pego de surpresa na tarde de ontem, quinta-feira, dia 5. “Deixaram uma caixa de papelão, envolta com sacos de lixo, tendo dentro o projeto”, declarou o prefeito. Segundo Kadu, a caixa foi entregue na recepção da Prefeitura, por volta de 15h, por dois mensageiros da EGR. “Foi deselegante”, avaliou Kadu.

Obras de rótulas e vias laterais estão orçadas em mais de R$ 20 milhões
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

No último dia 19 de agosto chegou a ser noticiado pela Prefeitura e confirmado pela EGR que o projeto da RSC 287 havia sido entregue em reunião entre o prefeito, secretários e direção da Empresa Gaúcha de Rodovias. Mas nesta semana a Prefeitura informou que, na verdade, só foi apresentado o projeto e nada foi recebido pelo prefeito.  “Ficamos apreensivos. Parece que Montenegro não é importante para o Estado, mesmo sendo o 19º em arrecadação de ICMS”, lamentou, em entrevista coletiva para a imprensa na manhã de hoje, demonstrando muita insatisfação com a maneira que a EGR entregou o projeto.

A reunião com lideranças dos bairros diretamente interessados e que tinha sido cancelada na segunda-feira porque a Prefeitura não tinha o projeto, foi remarcada para a tarde de hoje. Na ocasião foi mostrado o grande volume de documentos.

Busca por recursos

Conforme Kadu, a EGR já informou que não dispõe de recursos para realizar as obras visando aumentar a segurança na travessia da RSC 287, no trecho de 7,1 quilômetros que ela assumiu em 5 de dezembro de 2017 e que antes era de responsabilidade do Daer. “Não vamos desanimar”, declarou o prefeito, garantindo que como a Prefeitura também não tem dinheiro para executar os cerca de R$ 20 milhões em obras, vai atrás de verbas federais, como de emendas de bancada e de deputados e senadores. Mesmo assim, para fazer as obras vai depender de autorização da EGR, o que foi preciso inclusive para fazer as recentes melhorias nas vias laterais da rodovia, na altura do bairro Santo Antônio.

Só a rótula do trevo do Ipiranga, no cruzamento da RSC 287 com a Rua Ramiro Barcelos, está orçada em cerca de R$ 4 milhões. Somado com a rótula do trevo da Renauto, no cruzamento com a rua Coronel Antônio Inácio, seriam cerca de R$ 7 milhões.  “Se fosse em torno de 3 milhões de reais até poderíamos buscar um financiamento, mas esse valor é muito alto”, lamenta Kadu, sobre a possibilidade do município arcar com as obra.

Para o prefeito, o Estado, que é o responsável pela RSC 287, tem que fazer alguma intervenção, já que recebe recursos do pedágio de Portão. “Passam por ali 2.200 carros por hora”, disse, sobre levantamento. Entretanto, admite que é pouco provável alguma intervenção da EGR após o descaso demonstrado na entrega do projeto.

Quando da assinatura do convênio em que a Prefeitura repassou R$ 200 mil para a elaboração do projeto, o que foi mais da metade do custo pago para a empresa que elaborou o material, a expectativa era de que as obras ocorreriam com a arrecadação do pedágio de Portão. A tarifa de automóveis, no final de 2017, recém tinha aumentado de R$ 4,80 para R$ 6,50 para automóveis. Entretanto, agora a EGR alega não ter recursos. E que para fazer as obras constantes no projeto teria que aumentar a tarifa em mais 2 reais.

Kadu diz que vai solicitar a EGR que, através de seus técnicos, apresentem e expliquem o projeto em audiência pública em Montenegro.  Entende que é um projeto muito importante e esperado pela comunidade, que merece o devido respeito. “São mais de 10 mil pessoas que moram nos bairros Santo Antônio, Panorama, Faxinal, Alfama e outros, que tem que atravessar a faixa todo dia”, lembrou. Além dos motoristas, citou a preocupação com pedestres e ciclistas. Por isso chegou a verificar a possibilidade de instalação de passarelas metálicas, como as colocadas recentemente na BR 116. Só que o custo fica entre 3 e 5 milhões de reais. “Vamos tentar também através de verbas federais”, afirmou.

Manifestação da EGR

A reportagem fez contato com a assessoria de imprensa da EGR. “Não houve qualquer intenção de desrespeito por parte da EGR. Os projetos foram entregues em uma caixa pelo volume de cadernos. Apenas isto”, esclareceu a Empresa Gaúcha de Rodovias. “Foi entregue normalmente, no protocolo da prefeitura, inclusive sendo protocolado. A caixa foi apenas utilizada para conseguir carregar o volume de cadernos. É só ver quantos cadernos são que fica claro que não é estranho uma caixa ser necessária. Os sacos foram utilizados para reforço”, complementa.

 

 

 

 

 

 

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