Carla Souza está internada em Porto Alegre e luta para encontrar doador para o transplante de medula óssea - Reprodução/FN

O ano letivo recém tinha começado e a professora montenegrina Carla Tatiana Silva de Souza, de 41 anos, estava dando aula de Língua Portuguesa na Escola Municipal de Ensino Fundamental Beato Roque e Português e Literatura na Escola Estadual de Ensino Médio São Francisco de Assis. Foi quando Carla estava em casa, no bairro São João, em Montenegro, e sentiu fortes dores no abdômen. Procurou um médico, que pediu exames e decidiu pela sua internação. Ela foi encaminhada para o Hospital Santa Clara, no complexo da Santa Casa, em Porto Alegre. Através dos exames, foi diagnosticado que Carla tinha um linfoma, que é um tipo de câncer que começa nas células do sistema linfático. Transferida para o Hospital Santa Rita, do complexo hospitalar da Santa Casa, ainda na primeira sessão de quimioterapia os médicos descobriram, numa tomografia, que o intestino estava perfurado. Foi necessária uma cirurgia de emergência.

No início deste ano Carla começou a sentir fortes dores abdominais
– Reprodução/FN

Após alguns dias da cirurgia e de ficar internada na UTI, Carla retornou para o quarto e depois para casa, seguindo com o tratamento. Depois da terceira sessão de quimioterapia e realização de exames de rotina, a professora recebeu mais uma dura notícia de que o linfoma tinha se transformado em leucemia (câncer no sangue). “Meu chão se abriu”, conta, enquanto está internada no Hospital Santa Rita. “Desde o início pra mim tudo foi mais difícil. Desta vez não vai ser diferente. Antes ficava cinco dias internada e fazia quimioterapia 24 horas ininterruptamente. Agora serão 46 dias. Mais tempo no hospital e com diferentes tipos de quimioterapia”, conta.

 

 

Busca de doador

Carla Souza tem recebido o apoio dos colegas professores (foto), alunos, familiares, amigos e da comunidade
– Reprodução/FN

Até então Carla não tinha exposto sobre a doença nas redes sociais, mesmo que muitas pessoas já soubessem da situação. No último dia 3 de agosto a professora decidiu fazer uma postagem em sua página no facebook. “Decidi abrir meu coração. Contar a minha história”, justificou, descrevendo sobre a sua luta. “Entre altos e baixos, entre uma quimio e outra, entre a fé e muita vezes a descrença, encontrei forças na minha família, nos meus amigos, nos meus colegas, alunos e pais de alunos, e de pessoas que nem mesmo conheço que não me abandonaram. Todos orando por mim, mandando mensagens positivas, me ajudando de alguma forma, me fazendo acreditar que eu posso, que consigo superar este longo caminho que tenho pela frente”, escreveu.

Carla com o marido Jaime, que está ao seu lado em todos os momentos
– Reprodução/FN

Como a médica disse que Carla precisaria de um transplante de medula, a divulgação é importante na luta por encontrar um doador compatível. Ela pede a todos que quiserem e puderem se cadastrar no banco nacional de medula. “Estarão me ajudando muito, pois quem sabe, pode salvar minha vida, mas se não for a minha, pode ser de outra pessoa que precisa tanto quanto eu”, disse.

Carla fez um agradecimento especial ao município de Pareci Novo, destacando a mobilização da Prefeitura, juntamente com a Secretaria de educação e as escolas, inclusive fornecendo transporte aos doadores. E também ressaltou o apoio dos familiares, colegas e amigos, que estão ao seu lado nesta luta. Na Escola Estadual São Francisco de Assis foi realizada uma rifa para ajudar nas despesas. “Ficaria imensamente feliz em saber que alguém pode me salvar ou salvar a outros, porque quem vive isso na pele sabe a importância desse gesto. Enfim, essa é uma parte da minha história que gostaria de virar a página com um reinício feliz. Deixo meu número de celular (whats) pra quem quiser mais informações – (51) 993138760. Obrigada a todos pelo carinho que tenho recebido”, completou.

Carla com a amiga Lori, que sempre fica com ela no hospital
– Reprodução/FN

O cadastro de doadores de medula, no Hospital de Clínicas, de Porto Alegre, pode ser feito de segunda a sexta-feira, das 8h às 15h, e no Hemocentro do Estado, também na capital, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Doadores devem ter entre 18 e 55 anos de idade, estar em bom estado de saúde, não ter doenças infecciosas, incapacidade e não apresentar doenças do sangue, sistema imunológico ou câncer. É apenas retirada uma pequena quantidade de sangue para a identificação das características genéticas. Mas é um ato muito importante que pode salvar tanto a vida de Carla como de outras pessoas.

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