Várias manifestações já foram feitas pedindo mais segurança na rodovia - Crédito: Arquivo/FN

Mesmo após a tragédia que matou duas pessoas num acidente no último sábado e a dificuldade na travessia da RSC 287, foi fraca a participação na manifestação realizada no final da tarde de ontem, segunda-feira, na entrada do bairro Panorama. Desiludidas com a falta de providências após vários acidentes, protestos e reuniões, a maioria dos montenegrinos preferiu se manifestar pelas redes sociais.

Uma das participantes no protesto, Anália Rodrigues, de 96 anos, dos quais 55 morando na Panorama, segurava um cartaz lembrando que na região existem quatro escolas, com mais de mil alunos. “Não atravesso essa faixa de jeito nenhum. Só de ônibus. Fui atravessar cainhando e um carro quase me pegou”, lembra.

Outras moradoras também reclamaram da dificuldade na travessia. “Não respeitam. Não param”, protestou Neissi, que é deficiente visual e depende de auxílio para cruzar a rodovia. Já duas funcionárias da JBS lamentaram que perderam um colega no último sábado, quando se dirigia de bicicleta ao serviço. “Mesmo com a faixa de segurança os motoristas não param. Tinha que ter uma passarela”, defendem. “Não consigo levar meu filho para a Escola Walter Bellian, que fica do outro lado da faixa. Ele tá de muleta e com esse movimento não tem como atravessar”, lamenta Silvana Rosário de Almeida. “Já acudi muitos acidentes aqui. Não tem segurança”, completa.

O protesto, de forma pacífica, já estava programado desde semana passada, mesmo antes do grave acidente. Os cartazes, inclusive, já estavam prontos. Não houve interrupção no trânsito. Apenas motoristas parando para pedestres atravessarem na faixa de segurança. A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) deu apoio na segurança.

A maior preocupação dos moradores da Panorama é com a travessia das crianças, principalmente agora com a volta às aulas. No chamado horário de pico, do início da manhã, perto do meio dia, início e final de tarde, o movimento é intenso, tanto de veículos trafegando pela faixa como de pedestres querendo atravessar.

Único vereador presente na manifestação, que não teve a participação de representantes da Prefeitura e Governo do Estado, Felipe Kinn Menezes (MDB), diz que solicitou mais sinalização ao secretário dos transportes do Estado, Juvir Costella, durante visita no local. Foi pintada a faixa de segurança e colocada placa. “Pedi também a colocação de sinalizadores e tachões”, diz.

Mesmo com faixa de segurança, maioria dos motoristas não para e moradores têm muita dificuldade para atravessar a rodovia
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

O presidente da Associação Comunitária do bairro Panorama e da União Montenegrina de Associações Comunitárias (UMAC), Airton Quadros, diariamente ataca os veículos, principalmente no horário das 17 horas, para os estudantes conseguirem cruzar a RSC 287. Ele defende a colocação de redutores, sinalizadores, refúgios e sinalização, como forma de aumentar a segurança. Airton lamenta que o projeto elaborado pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) e que foi na maior parte pago pela Prefeitura, ainda não saiu do papel. O Governo do Estado, mesmo com a arrecadação do pedágio de Portão, que é administrado pela EGR, alega não ter recursos para as obras e que isso só deve ocorrer com a concessão (privatização) da rodovia, semelhante ao que aconteceu na BR 386, mas que na RSC 287 ainda não tem previsão para acontecer. Anos atrás a Prefeitura também chegou a comprar sinaleiras para instalar na rodovia, mas os semáforos não chegaram a ser colocados e se estudou outras alternativas. A EGR, que assumiu o trecho em lugar do Daer, realizou melhorias no asfalto, mas segundo os moradores isso só fez os motoristas aumentarem a velocidade e o perigo.

No projeto, além das rótulas no bairro Santo Antônio, estão previstos obstáculos no trecho da Panorama, que impediriam a travessia e que os veículos passassem para o outro lado. No entender de Airton Quadros, caso as obras tivessem ocorrido, poderia ter impedido a tragédia do último sábado. Por volta de 5 horas, na RSC 287, perto da entrada dos bairros Panorama e Rui Barbosa, ocorreu à colisão entre Saveiro, caminhão e bicicleta, resultando em duas mortes. Airton vinha contabilizando o número de acidentes, feridos e mortos no trecho. “Já perdi as contas”, diz, citando que vai buscar os dados junto a Polícia Rodoviária Estadual. Ele admite que esperava uma participação maior de pessoas na manifestação, mas destaca que mesmo assim o objetivo foi alcançado. “Mostramos para a imprensa a falta de segurança na travessia”, diz, ressaltando que diariamente vai continuar ajudando crianças e idosos a atravessarem a perigosa RSC 287 até que alguma providência seja tomada pelas autoridades.

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