Delegado André Roesse e comissário Alisson Castilhos falaram sobre a investigação e a operação de ontem que resultou em 13 prisões de acusados de envolvimento no homicídio do dono de uma boate - Crédito: Guilherme Baptista/FN

Em entrevista coletiva, na manhã de ontem, sexta-feira, dia 18, a Polícia Civil divulgou detalhes da operação Randevu dos Brutus, que teve a participação de 82 policiais, civis, militares e agente da Susepe, resultando em 13 prisões (9 homens e 4 mulheres). Dez prisões ocorreram em Montenegro. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão. Além de Montenegro, ocorreram buscas em Capela de Santana, São Leopoldo e Porto Alegre. Além das prisões temporárias, ocorreram flagrantes de tráfico, posse de arma e receptação. Um indivíduo foi preso em flagrante com drogas e um casal foi flagrado com uma arma de fogo que estava em registro de furto.

Operação conjunta ontem reuniu 82 policiais
– Crédito: Polícia Civil

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O delegado André Roese e o comissário Alisson Castilhos, que comandaram a investigação, também falaram sobre a investigação do homicídio que teria ocorrido em 31 de março deste ano, sendo que o corpo de Adroaldo Meyer, de 49 anos, foi encontrado apenas dois dias depois, no feriado de sexta-feira santa, 2 de abril, junto a linha do trem na localidade de Passo da Amora, no interior de Montenegro. Foi o único homicídio confirmado em Montenegro neste ano e que já está elucidado pela Polícia. “Operação integrada, importante para dar resposta para a sociedade e inibir que crimes como este ocorram na região. Foi um duro golpe para este conjunto criminoso”, entende o delegado. A operação foi organizada pela 1ª Delegacia de Polícia de Montenegro e contou com 41 policiais civis de todas as delegacias da 1ª Região Policial, além das delegacias de Capela de Santana, Estrela, Bom Retiro do Sul, Taquari, DRACO de São Leopoldo e 4ª DHPP de Porto Alegre; bem como 40 policiais militares oriundos do 35º BPM, 27º BPM, Canil BPChoque, pela Brigada Militar; além de um policial penal cinotécnico da SUSEPE com a utilização de cão.

Traição

A vítima era de São Leopoldo e tinha inaugurado uma boate fazia apenas um mês na margem da RSC 287.

Corpo foi encontrado junto aos trilhos do trem, em Passo da Amora, na sexta-feira santa
– Arquivo/FN

Conforme o delegado André Roese, o homicídio ocorreu em razão de uma série  intrigas geradas a partir da inauguração do cabaré, que levou os seus associados a imputarem falsamente a ele dívida de drogas, o que teria ocasionado a sua morte. “Por isso Randevu, de cabaré, e Brutus, pela traição”, explica o delegado. “Ele não era usuário e nem traficante. E imputaram a facção que ele seria o devedor. Escolheu mal as pessoas associadas. Era um freqüentador assíduo deste tipo de estabelecimento, mas não tinha conhecimento dos bastidores de como isso ocorria. Foi criada uma rede de intrigas, entre gerentes e garotas de programa, que gastaram um valor de drogas e colocaram ele como sendo o responsável. Provavelmente não aceitou ser colocado nessa situação e acabou sendo morto por algozes. Achava que poderia confiar em algumas pessoas, mas essas criaram uma situação que o levou a morte”, relata o delegado, sobre o que apurou a Polícia.

Crime brutal

O corpo foi encontrado por volta de 6 horas da manhã da sexta-feira santa por uma pessoa que colhia macela e avisou a Brigada Militar. Estava numa valeta, junto aos trilhos, com as mãos amarradas para trás e um pano cobrindo parte do rosto.

Chamou a atenção também a brutalidade do crime. As lesões aparentes eram principalmente no rosto, inclusive faltando os glóbulos oculares e nariz, além de ter algumas partes queimadas, o que dificultou a identificação. Segundo o delegado, a perícia apontou diversas lesões, que não foram por arma de fogo. “O rosto estava bastante desfigurado por marcas de fogo. Foi encontrado um recipiente de álcool próximo”, diz o delegado. Como queimou a face e o corpo já estaria mais de 24 horas no local, a Polícia acredita que alguns animais tenham ocasionado as lesões nos olhos e nariz.

O delegado também informa que o laudo da necropsia apontou que tinha fumaça no pulmão. “Não estava morto. Continuava a respirar. Possivelmente achavam que estava morto, mas não estava ainda. Ou foi mesmo com requintes de crueldade. Isso ainda está sendo investigado. Mas isso com certeza causou sofrimento o fato de estar vivo quando atearam fogo no seu rosto”, lamenta o delegado.

O delegado André e o comissário Alisson ressaltam a importância da população auxiliar o trabalho da Polícia, fornecendo informações, mesmo de maneira anônima, pelos telefones 3632 1111, 197 ou 3649 0000 da Polícia e 190 da Brigada. “A informação da população é fundamental. Não há investigação sem informações”, conclui o delegado.

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