O Grupo CCR venceu leilão para assumir as rodovias federais no Rio Grande do Sul, incluindo BR 101, BR 386, BR 290 (freeway) e BR 448 (Rodovia do Parque), chamado pelo governo federal de Rodovia de Integração Sul. Sete praças de pedágio serão instaladas nos trechos que abrangem 473,5 quilômetros de estradas, em 32 municípios. Um dos pedágios será no Vale do Caí, em Montenegro, na altura do quilômetro 424 da BR 386, perto da ponte do rio Caí que está em obras e da divisa com Nova Santa Rita. O valor único da tarifa do pedágio, em todas as praças, será de R$ 4,30 em cada sentido. Em Montenegro o pedágio deverá ser cobrado somente a partir de 2020, assim como na BR 101. A cobrança deve começar primeiro na freeway, em Gravataí e Santo Antônio da Patrulha.

O contrato com a empresa vencedora da licitação deverá ser assinado em 9 de janeiro e a concessionária terá um mês para iniciar a recuperação das estradas. O Grupo CCR é a maior concessionária rodoviária do país, responsável pela manutenção de rodovias como a Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, e da Anhanguera/Bandeirantes, entre a capital paulista e o interior.

No total o leilão de hoje recebeu cinco propostas na sede da Bolsa de Valores de São Paulo, sendo que o da CCR foi o mais baixo, 40,53% abaixo do teto estipulado no edital, cujo valor para a tarifa era de R$ 7,24. O contrato será de 30 anos, com um cronograma que inclui inicialmente tapa-buracos e reparos, melhorias na sinalização, seguido em 2020 com a recuperação de todas as rodovias, a duplicação da BR 386 entre Lajeado e Carazinho e a adequação da duplicação de Canoas a Tabaí e alargamento da freeway de Gravataí a Osório. A estimativa das obras é com base nos prazos estipulados pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Os investimentos previstos são de R$ 7,8 bilhões e os custos operacionais estão estimados em R$ 5,6 bilhões, incluindo conservação, operação e monitoramento do trecho concedido. Ainda estão previstos estudos e pesquisas de desenvolvimento tecnológico e ações relacionadas à segurança viária, com programas de prevenção a acidentes e educação no trânsito. Entre os serviços que devem estar disponíveis estará o de socorro através de ambulâncias e guinchos, além de veículos de inspeção de trânsito. E ainda investimentos em iluminação, videomonitoramento, passarelas e outros. O investimento também proporcionará a geração de empregos diretos e indiretos. E para os municípios onde serão instaladas as praças de pedágio, como é o caso de Montenegro, estima-se um considerável retorno de Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN).

Quando foi anunciada a concessão e os pedágios, houve resistência na maioria das cidades onde as praças serão instaladas. Isso ocorreu também em Montenegro, onde no ano passado teve uma audiência pública no Clube Riograndense. Também foi feito um abaixo-assinado com 1.300 assinaturas, em Montenegro e região, contra a instalação do pedágio. Isso não impediu a concessão por parte do Governo Federal, mas pelo menos reduziu o valor da tarifa, que inicialmente estava previsto em até R$ 7,24 e no leilão reduziu para R$ 4,30. Com isso, para ir para Porto Alegre e voltar o motorista vai gastar R$ 8,60. Não está previsto pedágio na BR 448 (Rodovia do Parque). No pedágio de Portão, que é estadual, administrado pela EGR no cruzamento da RS 240 com a RS 122, a tarifa atual é de R$ 6,50 para carros de passeio, só que cobrado em um só sentido (interior/capital). A expectativa é de que após as obras de reforma da ponte sobre o rio Caí e as melhorias, não ocorram mais os constantes congestionamentos, que são diários, e os frequentes acidentes, que já deixaram muitas vítimas no trecho de Montenegro.

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