No canteiro de obras da Escola Centenário só foram encontrados cavalos - Guilherme Baptista/FN

Os moradores do bairro Centenário, em Montenegro, estavam na expectativa da conclusão da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI), que começou a serem construída três anos atrás, em agosto de 2016. Conforme uma placa, colocada junto à obra, na Rua Vereador João Vicente, o prédio deveria ser concluído em 180 dias, até março de 2017. Mas não existe nem previsão para a conclusão, já que a obra está totalmente parada. A única movimentação no local é de alguns cavalos, que aproveitam a grama alta para pastar.

Virou lixão

Área junto a creche virou depósito de lixo
– Guilherme Baptista/FN

A reportagem do Fato Novo esteve no local após denúncia de moradores se queixando do lixo que costuma ser colocado na área do antigo campinho, ao lado da obra da creche. O local, situado na esquina das ruas Vereadores João Vicente com Simões Lopes Neto, virou um grande lixão. Recentemente o local recebeu um acampamento de ciganos, mas de acordo com moradores próximos o lixo não foi deixado por eles. Seriam outras pessoas, que deixam entulhos de restos de materiais de construção, sofá, móveis e outros detritos junto a área verde que vai até a Escola AJ Renner (Industrial), na área que seria pertencente ao Estado. “As crianças adoravam jogar aqui. Agora não tem como. O mato tá grande e colocam lixo toda hora”, reclama Jéssica, vizinha do local faz dois anos. Ela reclama que a Prefeitura não tem feito limpeza e que só não está pior porque os moradores costumam juntar o material e colocar fogo.

O vereador Felipe Kinn da Silva cita que enviou um pedido de informação para a Prefeitura sobre a situação da área, questionando sobre a ocupação do local e como está o controle sanitário e de saúde.

Para Lisa Borchardt, que passa pelo local diariamente para levar o filho na escola, é uma negligência pública. “Mesmo que seja área do Estado, está causando danos para a sociedade”, protesta, sobre o descarte incorreto de lixo no local. Citou ainda o risco de assaltos, estupros e outros crimes, devido ao matagal e escuridão, num abandono total. “Onde está a fiscalização? De quem é a responsabilidade?”, questiona. Segundo ela, teve até cavalo comendo sacola com comida e passando mal. “É muito lixo. E vira criadouro de mosquito”, completa, sobre o risco de focos do Aedes aegypti, que transmite doenças como Dengue, febre amarela, Zica e Chikungunya.

De acordo com o secretário municipal de meio ambiente, Adriano Chagas, a Prefeitura tem feito a limpeza freqüente deste e outros locais. Mas ele lamenta que no dia seguinte já se vê novos detritos colocados irregularmente. Adriano pede que a comunidade ajude a fiscalizar e denuncie o que considera um crime ambiental.

Obras abandonadas

Tupume da obra da escola desabou e local está aberto
– Guilherme Baptista/FN

O abandono da obra da creche também causa preocupação aos moradores. “Está todo mundo esperando pela creche. As crianças têm que ir para o bairro Panorama, que fica distante, porque não tem creche no bairro. Faz quatro ou cinco meses que está tudo parado”, lamenta Jéssica, mostrando o tapume na frente do canteiro de obras, que acabou desabando.

De acordo com a Prefeitura, a obra da escola já vinha em um andamento mais lento em função dos trâmites para execução e pagamento por parte do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), onde o Governo Federal somente repassa os valores ao município após comprovada a execução de mais do que última parcela liberada, fazendo com que a empresa executora sempre trabalhe com recursos próprios, a frente do seu pagamento. Segundo a Prefeitura, neste momento há ainda divergências entre o município e a empresa, em termos de reajuste e reequilíbrio financeiro do contrato, que estão sob análise. Por este motivo o ritmo do andamento das obras caiu ainda mais.

Obra da creche está abandonada e sem previsão para retomada
– Guilherme Baptista/FN

O secretário municipal de obras, Argus Machado, diz que a obra da escola está parada faz cerca de um mês. Já tendo passado três anos do início dos trabalhos, apenas 28% da obra foi feita, tendo sido levantadas as paredes. O investimento previsto na obra é de 1 milhão e 400 mil reais. Tendo em vista as questões relacionadas ao reequilíbrio e reajustes solicitados pela empresa, não é possível precisar o prazo de entrega.

“A empresa foi notificada para definir a situação. Vai receber multas por não cumprir o contrato, que poderá ser rescindido e ser feita nova licitação”, declarou. “Esperamos uma solução para os próximos dias”, completou. Conforme informação da Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), as crianças do bairro centenário são atendidas pelas creches Gente Miúda (centro)  e Panorama.

Outra preocupação dos moradores é com relação à segurança. Pessoas estranhas têm sido vistas no local durante a noite, aproveitando que o prédio está abandonado e aberto, já que o tapume caiu, podendo servir para o consumo de drogas.

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