Nati está em Curitiba e vai continuar com o aparelho para fixar mais o osso da perna - Reprodução/FN

A menina Natália Barbosa Tavares, de 9 anos, moradora de Montenegro, está novamente em Curitiba (Paraná). Na última segunda-feira, dia 11, ela passou por nova cirurgia no Hospital Vita. O procedimento, inicialmente previsto para julho, tinha sido antecipado porque exames apontaram que o osso da perna já estaria consolidado e a expectativa era que com isso o aparelho que está usando desde setembro do ano passado pudesse ser retirado. Seria colocado gesso para a consolidação e uma semana depois a implantação de uma placa de sustentação para evitar uma refratura.

Durante o procedimento da última segunda-feira, que durou cerca de duas horas, a equipe médica, comandada pelo doutor Richard Luzzi, constatou que ocorreram algumas complicações indesejadas no andamento da cirurgia. “Ele optou por cancelar a retirada do fixador externo nesse momento”, diz o pai de Nati, Claudio Tavares. Conforme o pai, ao tentar retirar o pino principal de fixação que atravessa o ossinho da canela, ocorreu uma mobilidade na área do enxerto que tinha sido realizado. Por isso foi constatada a necessidade de deixar o fixador externo por mais um tempo, para não arriscar tudo que tinha sido feito na cirurgia anterior. “Ainda não era a hora de tirar o aparelho. Deus sabe o tempo certo para todas as coisas”, afirmou.

Natália está em Curitiba junto com os pais
– Reprodução/FN

Mas tem uma boa notícia. Com o procedimento, Natália agora está com o pé liberado para poder colocar no chão. “Foi tirada a parte debaixo do aparelho e a Nati ficou com o pé livre”, diz Claudio, agradecendo as orações e a torcida de todos. Segundo a equipe médica, foi possível remover o anel inferior do fixador e retirado os pinos que fixavam o pezinho. Claudio cita que a idéia agora é incentivar a Natália a colocar o pezinho diretamente no chão para ajudar a produzir mais cálcio e reforçar o ossinho novo através de caminhadas. E na próxima etapa realizar a retirada do fixador. Ele cita ainda que a Natália se recuperou bem da cirurgia e está bastante animada. Ela está recebendo a reposição de eletrólitos e potássio, além de fisioterapia. E ontem, terça-feira, já teve alta do hospital, seguindo por alguns dias ainda em Curitiba para avaliações e tratamento. “Ela vai fazer uma semana de fisioterapia para aprender a colocar o pé no chão novamente. Precisa colocar a carga agora no caminhar para incentivar o organismo a reforçar o ossinho novo recém formado e que ainda está muito frágil”, explica Claudio.

A campanha

O tratamento da menina montenegrina, que já tinha superado um tumor anterior, só foi possível graças à mobilização da comunidade. A campanha foi muito além da expectativa, angariando os recursos suficientes para a cirurgia, compra do aparelho importado dos Estados Unidos e o tratamento. Através do tratamento e colocação do aparelho, está concluindo o alongamento ósseo da perna. Mesmo em tratamento, Natália segue com os estudos, agora com o ensino domiciliar, através da Escola Walter Bellian. Mesmo com o aparelho, ela caminha com o apoio de andador.

Após uma fratura na tíbia da perna esquerda, Nati, como é mais conhecida a simpática e comunicativa estudante da escola Walter Belian, fez uma cirurgia cinco anos atrás. Só que ao ser retirado o aparelho fixador externo de Ilizarov, notou-se que não se consolidou e surgiu o temor de necessidade de amputação da perna. Os pais, Claudio e Daniela, foram atrás de alternativas para enfrentar o problema da Neurofibromatose (NF1), uma doença neurológica rara. A primeira notícia era de que o tratamento só poderia ser feito nos Estados Unidos, o que geraria um custo de cerca de R$ 250 mil. Mas depois de uma viagem para o Paraná, veio a notícia de que a cirurgia, com a colocação de um aparelho, poderia ser feita em Curitiba. Com isso a despesas caíram pela metade. Uma grande mobilização foi feita junto à comunidade para garantir os recursos necessários para o tratamento. Através das doações por contas bancárias, no site Vakinha, rifas e outras iniciativas, foram arrecadados recursos suficientes para a compra do aparelho e despesas médicas.

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