No mês passado a direção do HM anunciou que atendimentos que estavam suspensos seriam retomados - Crédito: Guilherme Baptista/FN

A situação financeira não melhorou. Os repasses do Estado continuam atrasados. Mesmo assim o Hospital Montenegro (HM), a partir de 13 de maio, vai retomar o atendimento do Ambulatório de Especialidades e Cirurgias Eletivas, que estavam suspensas desde novembro do ano passado justamente por causa do atraso nos repasses. O HM, que é o maior hospital da região, é também o único 100% SUS, ou seja, com atendimento totalmente gratuito. Por isso depende exclusivamente de recursos públicos.

O diretor administrativo do hospital, Carlos Batista da Silveira, ao lado do gerente administrativo Felipe Leser, lamentou que o Estado não cumpriu a promessa de pagar a referência de março até 30 de abril. Não foram pagos 1 milhão e 827 mil reais. Com isso, a dívida total, com os repasses atrasados desde setembro do ano passado, já somam R$ 8,2 milhões. Mesmo assim o hospital recebeu notificação do Estado alertando que, pela renovação de contrato com o Governo, tem que retomar o atendimento das especialidades e cirurgias eletivas. Caso não retome, existe a ameaça de perder a referência e transferência de recursos. Algumas especialisades, segundo Batista, já foram retomadas. Outras voltam a partir de segunda-feira, dia 6, e a maioria na outra segunda, 13 de maio. “Dependemos de negociação com os profissionais”, ressalta o diretor, já que os pagamentos deles também estão atrasados. “Espero que o Estado cumpra com o que prometeu. Se não logo teremos que parar de novo”, teme Batista. A expectativa era de que o pagamento ocorresse ainda nesta sexta-feira, dia 3.

A situação é tão grave que 80 médicos não recebem desde dezembro. “Os médicos são parceiros do hospital, mantendo o atendimento mesmo com os atrasos”, diz o novo diretor técnico, o médico Jean Ernandorena. Dentre as especialidades que devem retomar os atendimentos estão: Cirurgia Geral, Fisioterapia, Gastroenterologia com exames de Endoscopias e Colonoscopias, Cirurgia Ginecológica, Bucomaxilofacial, Hematologia, Neurologia, Cardiologia e Fonoaudiologia. Durante a retomada nos atendimentos, num primeiro momento serão chamados os pacientes que tinham consultas ou exames agendados no mês de novembro de 2018 e que foram cancelados, os quais estão sendo comunicados para reagendamentos. Após a primeira etapa, serão chamados os pacientes da lista de espera de cirurgias e de reconsultas. E posteriormente será feita uma liberação através do Sistema de Regulação do Estado (SISREG). “A fila de espera é enorme”, diz Batista.

Batista agradece a comunidade e as entidades que estão ajudando com doações, campanhas e eventos em benefício do Hospital Montenegro. Sobre o plantão, diz que diminuiu a procura desde a inauguração do pronto atendimento da Prefeitura na Secretaria Municipal da Saúde (Assistência), na Timbaúva. Batista mostrou a procura pelo plantão em abril deste ano, que foi de 2.538 pacientes, enquanto no mesmo mês de 2018 foi de 3.954. Mas o diretor diz que esperava uma redução maior ainda. Com isso, poderia priorizar mais o plantão para urgências e emergências. Lembra que, devido a situação financeira, foi reduzido o número de profissionais no plantão, mais uma razão para os pacientes que não estão em situação grave procurarem os postos de saúde do município ou o pronto atendimento (PA) na Timbaúva. E o HM está também dando um suporte ao PA através do raios x noturno.

Alta complexidade

Na reunião da Associação dos Municípios do Vale do Caí (AMVARC), com a participação de prefeitos e secretários de saúde da região, foi falado da possibilidade do Hospital Montenegro passar a ser referência regional de alta complexidade. Conforme o presidente da AMVARC, o prefeito de Pareci Novo, Oregino Francisco, atualmente os casos são encaminhados para hospitais de Canoas. Oregino diz que a legislação prevê que os prefeitos possam optar sobre onde devem ocorrer os atendimentos e entende que os hospitais de Canoas não estão atendendo bem os pacientes da região. Com a alta complexidade no Hospital Montenegro, ficaria mais próximo e rápido, além de representar mais recursos para o HM. A solicitação deve ocorrer por via jurídica. Para a direção do HM, o hospital tem condições de atender a alta complexidade, lembrando que isso já foi solicitado ao Ministério da Saúde e Secretaria Estadual da Saúde, como em casos de neurologia e ortopedia.

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