Micro-ônibus que fazia o transporte de alunos na Escola Jorge Guilherme Moojen ontem não tinha cintos de segurança e estava com pneus carecas - Reprodução/FN

Os fatos ocorridos no início desta semana comprovam o que já tinha sido denunciado. Alguns veículos usados no transporte escolar para o município não seriam os mesmos que passaram em vistoria. E por isso estariam em estado precário, colocando as crianças em risco.

A suspeita já tinha sido levantada pelo vereador Talis Ferreira (PR), semana retrasada, na tribuna da Câmara. No primeiro dia de chuva no ano letivo dois ônibus chegaram a atolar em estradas do interior. Isso fez com que um grupo de vereadores protocolasse uma ação no Ministério Público, pedindo que a Promotoria de Justiça apurasse a situação. A Prefeitura decidiu realizar uma vistoria em todos os vinte ônibus do transporte escolar do município, o que aconteceu no Parque Centenário na última quinta-feira, dia 7. Durante a fiscalização, foi constatado que alguns veículos não estavam em boas condições, mas as empresas responsáveis prometeram tomar providências.

Mesmo depois da vistoria, novos problemas ocorreram no transporte escolar contratado pela Prefeitura. E foram ainda mais graves.

Porta de Kombi caiu

Mesmo com a proibição das Kombis no transporte escolar da Prefeitura de Montenegro, Kombi foi usada e ainda caiu a porta – Reprodução/FN

No início da manhã de segunda-feira, dia 11, uma foto de uma postagem nas redes sociais causou grande repercussão. A porta de uma Kombi caiu durante o transporte de crianças na estrada entre Alfama e Santos Reis, no interior de Montenegro. O mais surpreendente é que a Prefeitura tinha proibido o uso de Kombis e Vans no transporte escolar, só sendo permitido ônibus, com mais de 25 lugares. Por sorte ninguém se machucou.

Em nota oficial, a Prefeitura informou que a empresa responsável pelo transporte escolar seria notificada, confirmando que a Alditur Transportes tinha utilizado um veículo de forma irregular. A empresa alegou que devido ao problema num dos ônibus, foi usado um veículo menor para as crianças não ficarem sem transporte, admitindo que a Administração Municipal não tinha sido comunicada da substituição.

Micro-ônibus com pneus carecas foi substituído após denúncia de pais
– Reprodução/FN

Ainda na segunda-feira, na parte da tarde, pais denunciaram que um micro-ônibus, com pneus carecas e sem cintos de segurança, estaria fazendo o transporte de alunos na Escola Jorge Guilherme Moojen, no bairro Zootecnia. Conforme o vereador Talis Ferreira, os próprios pais exigiram que o veículo fosse substituído, o que acabou ocorrendo. Ele também denunciou que estaria ocorrendo uma baldeação de alunos, que desciam do ônibus no bairro Germano Henke e passavam para uma Topic para depois irem para a localidade de Passo da Amora. “O transporte escolar está uma bagunça. Estão realmente usando veículos que não passaram na vistoria”, protestou Talis, que é líder de Governo na Câmara e que entende que se trata de caso de Polícia.

Maior fiscalização

A Prefeitura ainda está com contrato emergencial até a realização da licitação do transporte escolar, que estava inicialmente prevista para ontem através de pregão eletrônico, mas que acabou sendo cancelada. O prefeito Kadu Müller reuniu ontem representantes das três empresas que prestam o transporte escolar para o município, alertando sobre a necessidade de cumprimento do que consta no contrato. “Se isso não ocorrer, além de notificação, pode ter multa e até cancelamento do contrato”, alertou a secretária municipal de educação e cultura, Rita Carneiro Fleck. Ela admitiu que tanto a Kombi que caiu a porta como o micro-ônibus em situação irregular na escola Moojen, não passaram pela vistoria da Prefeitura, mas cita que são empresas diferentes. Sobre o transbordo de alunos cita que a empresa também foi questionada, mas negou que estivesse ocorrendo.

Sobre a nova licitação, Rita disse que deve sair na próxima semana. Um ajuste estaria sendo feito na questão de utilizar veículos menores em estradas do interior em que é mais difícil manobrar, mas seriam micro-ônibus, descartando Kombins e Vans. Também ressaltou que a fiscalização será reforçada, através de uma equipe da Prefeitura. Pediu, ainda, que diretores, professores, pais e comunidade ajudassem na fiscalização, podendo enviar denúncias diretamente na SMEC ou pelo fone 3632 2713. “O transporte escolar é bem pago e tem que ser de qualidade”, concluiu.

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