Em pronunciamento na frente da Estação da Cultura, prefeito Kadu Müller lamentou ter que fechar comércio e serviços, a partir desta terça-feira, devido ao risco de sanções - Crédito: Reprodução/FN

Logo após reunião com representantes de entidades empresariais e do comércio local, na Estação da Cultura, o prefeito de Montenegro, Carlos Eduardo Müller, o “Kadu”, anunciou na tarde de hoje, segunda-feira, dia 27, que após várias tratativas com o Governo do Estado, teve que recuar no decreto municipal que liberava o funcionamento do comércio e dos serviços. “Desde dia 16 de abril tomamos a iniciativa de abrir o comércio com toda a prevenção”, lembra, sobre as medidas tomadas pelos comerciantes e pelo poder público. “Temos pouco casos confirmados de coronavírus em Montenegro. São apenas quatro”, recordou. Mesmo assim, devido ao risco de sanções punitivas, citou que o município vai ter que se alinhar ao decreto estadual, de fechamento do comércio, a partir de amanhã, terça-feira, dia 28. “Com muita tristeza e decepção vamos que fechar novamente o comércio local”, lamentou

Kadu criticou autoridades que, segundo ele, desconhecem a realidade local. “Não entendem o que é a verdade de cada município e o que passam os empreendedores locais. Nós prefeitos sabemos o que é isso”, protestou. O prefeito montenegrino está na expectativa de que no próximo dia 30 de abril, quando for emitido o novo decreto estadual, Montenegro e a região tenham uma notícia boa, de flexibilização do comércio. “Só Montenegro, dentro do Vale do Caí, está sendo penalizado. E somos a cidade que recebe todas as pessoas por causa da nossa boa estrutura na saúde”, ressalta, elogiando os empresários montenegrinos, dizendo que cumpriram a sua função. “Estaremos ao lado dos empresários e comerciantes. Esperamos que a partir do dia 30 de abril possamos ter Montenegro novamente com o comércio funcionando, com toda a precaução e fazendo as prevenções necessárias.

No decreto estadual só podem funcionar as atividades essenciais, provocando novamente o fechamento de lojas em Montenegro. As indústrias podem continuar operando, assim como serviços de tele-entrega e tele-busca. Prestadores de serviço podem funcionar sem atendimento ao público, apenas com retiradas já agendadas. O decreto estadual permitiu a abertura de salões de beleza e barbearias, desde que obedecendo às medidas necessárias. Também restaurantes poderão funcionar com até 30% da capacidade e distanciamento de dois metros. Detalhes constam no novo decreto emitido hoje pela Prefeitura e que começa a vigorar amanhã, terça-feira, dia 28 de abril.

Para ler o decreto nº 8.049, que entra em vigor nesta terça-feira 28 de abril, basta acessar o link:
https://bit.ly/Decreto8049-MGO

Questionamentos do governador e MP

O prefeito Kadu Müller teve que responder ao Ministério Público (MP) sobre o motivo de não cumprimento do decreto estadual. O governador Eduardo Leite vem cobrando dos prefeitos dos municípios da Região Metropolitana para que cumpram o decreto. “Equivocada, errada e ilegal”, chegou a declarar o governador, sobre a flexibilização na abertura do comércio, contrariando o decreto estadual, que ocorreu em algumas cidades, entre elas Montenegro. Leite afirmou que estava tomando as providências junto ao Ministério Público estadual. No Vale do Caí, além de Montenegro, também São Sebastião do Caí, Capela de Santana e Portão, fazem parte da Região Metropolitana. Em Montenegro e Caí, por exemplo, foram emitidos decretos municipais, flexibilizando o comércio e serviços.

No caso de Montenegro, na última segunda-feira o MP instaurou expediente para avaliar a responsabilidade do prefeito. Após ser notificado, Kadu Müller respondeu ao Ministério Público. “Estamos dando a oportunidade de o comércio poder trabalhar. Respondemos mostrando os números de casos confirmados que são baixo em Montenegro (apenas 4 confirmados e nenhuma morte) porque trabalhamos desde cedo as medidas de prevenção. Estamos muito tranqüilos”, declarou o prefeito, em sua participação na Rádio América na última sexta-feira. “O objetivo é trabalhar o coletivo, com prevenção, mas não podemos parar o ciclo de desenvolvimento”, completa.

Além do comércio, serviços e indústrias, o prefeito citou a crise que se abate sobre a agricultura em razão da forte estiagem. Por isso, além da calamidade pública causada pela pandemia do coronavírus, o município decretou situação de emergência devido a falta de chuva, que vem gerando grandes perdas na produção agrícola.

Sobre as medidas de prevenção contra o coronavírus, Kadu citou a sanitização das ruas e a obrigatoriedade do uso de máscaras pela população. Lembrou ainda da baixa ocupação de leitos de hospitais. Destacou que Associação dos Municípios do Vale do Rio Caí (AMVARC), integrada por vinte prefeitos da região, enviou documento ao governador pedindo pela flexiblização, lembrando que o mesmo ocorreu nos municípios da Serra e nos demais do interior gaúcho. Entidades empresariais também encaminharam documentos pela flexibilização. Mas mesmo assim o governador e o MP alegaram que Montenegro teria que cumprir o decreto estadual.

O governador já anunciou que a partir de maio o Estado deve adotar o chamado distanciamento controlado, prevendo a retomada de alguns setores por regiões. Para isso, no entanto, esses locais precisam estar com a pandemia sob controle e os sistemas de saúde precisam ter capacidade para absorver pacientes com coronavírus. Não se sabe ainda como será a divisão por regiões e se com este novo formato a partir de maio Montenegro poderá voltar a abrir o comércio e os serviços.

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