Josi Paz é a presidente da comissão e Joel Kerber o relator do processo Crédito: Guilherme Baptista/FN

Dois vereadores de situação ocupam os principais postos na comissão processante que por 90 dias vai ouvir depoimentos e analisar documentos referentes ao processo de impeachment contra o prefeito Carlos Eduardo Müller, o Kadu (Progressistas). A vereadora Josi Paz (PSB) é a presidente da comissão e o vereador Joel Kerber (Progressistas), que é o líder do governo, é o relator. O terceiro integrante da comissão é o vereador Cristiano Braatz (MDB).

Mesmo sendo de situação, Joel e Josi garantem que vão atuar de forma isenta nos trabalhos da comissão. “Vamos agir com a maior imparcialidade. Inclusive não vamos fazer novos pedidos de providências durante o período que estiver tramitando o processo de impeachment”, diz Joel. Josi afirma, que além de não encaminhar mais solicitações para a Prefeitura, também não vai participar de reuniões na Prefeitura. “O afastamento assegurará a necessária imparcialidade durante o processo. Por uma questão ética não é oportuno realizar pedidos de providência justamente para quem estamos incumbidos de julgar, sob o preço de tais atos serem confundidos com troca de favores, um mal que infelizmente permeia o jeito de se fazer política em nosso país e que desde sempre refutamos”, declarou Josi. “Temos que atuar de forma correta e ética, independente de partido”, completa.

Montenegro já teve dois prefeitos cassados por impeachment: Paulo Azeredo em 2015 e Luiz Américo Alves Aldana em 2017. Agora Kadu Müller, após quatro pedidos de impeachment rejeitados, está sofrendo o seu primeiro processo. Cabe lembrar que os membros da comissão foram escolhidos mediante sorteio, no mesmo dia da aprovação da abertura do processo, em 6 de fevereiro. E que entre os integrantes foram escolhidos o presidente e relator.

Após quatro pedidos de impeachment arquivados, prefeito Kadu vai ter que responder na Câmara sobre denúncias referentes ao contrato do recolhimento de lixo
– Crédito: Arquivo/FN

O prefeito Kadu já foi notificado na segunda-feira da última semana, dia 10. E agora tem dez dias úteis para fazer a sua defesa prévia, por escrito. Portanto, tem até logo depois do carnaval, na quarta-feira de cinzas, dia 26, para entregar a defesa. Kadu já contratou os serviços do advogado Jorge Fernandes para atuar na sua defesa. No documento deve esclarecer sobre as denúncias de irregularidades, como pagamento de propina, referentes ao contrato de coleta de lixo.

 

Ex-funcionária da Prefeitura e de empresa de lixo, Letícia da Silva protocolou pedido que foi aprovado em plenário
– Crédito: ACOM/Câmara

Letícia da Silva, ex-funcionária da Prefeitura e da empresa Komac Rental, responsável desde 2012 pelo recolhimento de lixo no município, foi quem apresentou a denúncia. O mesmo tema já tinha embasado um pedido de cassação feito no ano passado pelo ex-diretor de trânsito Alex Sandro da Silva. O pedido de Alex chegou a receber 6 votos, mas na época eram necessários 7 para abrir o processo. Depois ele reapresentou o pedido no final do ano passado, mas decidiu retirar. Denúncias envolvendo o lixo também geraram um requerimento para abertura de CPI.

Como é ano eleitoral e o prefeito Kadu inclusive é pre-candidato à reeleição, os vereadores pretendem agilizar os trabalhos para que, dentro do rito do processo, o relatório possa ser concluído e votado o quanto antes. Para que o prefeito seja cassado continuam sendo necessários dois terços do número de vereadores, ou seja, sete votos, número que hoje a oposição na dispõe. Mas a posição de cada vereador, independente de partido, pode ser definida após o conhecimento das provas e dos depoimentos dos envolvidos.

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