Felipe Canello Pires é médico infectologista do Hospital Montenegro e da Secretaria Municipal da Saúde - Crédito: ACOM/Prefeitura

Médico infectologista, Felipe Canello Pires atua no Hospital Montenegro (HM) e na Secretaria Municipal da Saúde. No final de junho, durante entrevista coletiva, quando a UTI do HM estava lotada, como coordenador da unidade de internação clínica defendeu mais restrições no comércio, através da bandeira vermelha no sistema de distanciamento controlado do Governo do Estado, para evitar uma maior sobrecarga nos leitos até que ocorra o declínio da curva nos casos de coronavírus. Para o médico, o melhor remédio é a prevenção, através do distanciamento social, higiene das mãos e o uso de máscara. “É possível algumas flexibilizações, mas desde que se cumpram regras, mantendo o distanciamento e só saindo de casa quando necessário”, entende, compreendendo as dificuldades financeiras causadas pelo fechamento do comércio e serviços, mas temendo que a reabertura volte a aumentar o número de casos.

O infectologista não concorda com os protocolos de tratamento precoce, por considerar que não existem evidências suficientes para comprovar que essas medicações funcionem em qualquer fase da doença. “Se submete o paciente a efeitos colaterais sem ter um benefício mais definido. Não existe tratamento precoce”, afirma, com base na Sociedade Brasileira de Infectologia e órgãos internacionais. “Não recomendo porque acho que tem mais chances de trazer malefícios do que benefícios para o paciente”, completa.  Mesmo assim diz que entende os colegas médicos que defendem o tratamento precoce durante os primeiros sintomas do coronavírus. Um grupo de médicos do Vale do Caí defende o tratamento precoce e a Secretaria Municipal da Saúde inclusive disponibiliza os medicamentos, que podem ser retirados se tiver receita médica e concordância do paciente. Mas para Felipe, na imensa maioria das vezes a Covid-19 é uma doença que vai resolver espontaneamente, com pacientes tendo quadro de um resfriado comum.

Médico Felipe Canello Pires diz que internações diminuíram, mas situação ainda é preocupante
– Reprodução/FN

Quanto à situação atual das internações, o infectologista afirma que continuam os atendimentos diários de pacientes de casos suspeitos e confirmados. “Reduziu o volume em relação às duas primeiras semanas de julho, mas seguem os pacientes chegando diariamente na emergência. A situação parece um pouco melhor do que era um mês atrás, mas ainda não está resolvida. Atingiu um platô, estabilizando os casos, mas ainda não começou a cair”, entende. Diz que o Hospital Montenegro ainda mantém suspensas as cirurgias eletivas para que se evite a falta de medicações. “Está muito difícil de se adquirir no mercado”, diz, sobre sedativos, mas garante que o HM possui em estoque.

O infectologista ressalta que em caso de ter sintomas de coronavírus deve ser procurado o médico. E em caso de maior gravidade deve ser encaminhado ao hospital. “É uma doença grave, que pode deixar seqüelas e matar se não for tratada adequadamente. Temos que passar da melhor maneira possível por essa pandemia e depois, no próximo ano, já com vacina disponível, possamos voltar a nossa vida normal”, conclui.

 

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