Índios Kaingangs estão com acampamento em área do Estado, próximo ao Parque Centenário, onde querem ficar em definitivo - Crédito: Guilherme Baptista/FN

No final do ano passado e início de 2019 começaram a se instalar em Montenegro índios da tribo Kaingang. Vindos de reservas de Carazinho e Redentora, na região norte do Estado, gostaram da cidade onde passaram a vender seu artesanato feito principalmente a base de cipó trançado, encontrado em matas do município. A justificativa para trocar de região foi a busca de novos mercados, já que estava muito difícil comercializar o artesanato indígena e arrumar serviço no norte gaúcho.

Inicialmente montaram acampamento na margem da RSC 287, próximo ao posto Ipiranga, na altura do bairro Santo Antônio. Mas o local era uma área particular, com alagamento e aonde se formou uma grande cratera, colocando em risco principalmente a vida das crianças. Iniciou então a busca por outro local para a aldeia. A alternativa foi então uma área do Estado, no bairro Centenário. O local é a área de um antigo campo de futebol, na esquina das ruas Vereador João Vicente e Simões Lopes Neto, entre a Escola Estadual AJ Renner (Industrial) e a nova creche em construção perto do Parque Centenário. No local costumava ter acampamentos de ciganos, além de circo.

Comunidade tem ajudado com doações
– Crédito: Gulherme Baptista/FN

Faz cerca de três meses que os índios estão no novo local, onde já foram instaladas redes de água e luz. Também foi colocado um contêiner para recolher o lixo. A Prefeitura fez a doação de duas fossas que serão utilizadas na construção de banheiros. “Aqui está melhor. Queremos ficar em definitivo”, afirma o cacique, Eliseu Claudino. Ele diz que no local estão sete famílias, instaladas em barracas de lona preta. Uma igreja evangélica foi erguida com madeiras. E os índios têm recebido muitas doações, principalmente de roupas, calçados, cobertas e colchões. Na manhã da última segunda-feira, quando a reportagem esteve no local, parou uma van de um supermercado, deixando uma grande quantidade de doações de agasalhos.

Artesanato é a principal fonte de renda dos Kaingang
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Chama a atenção o grande número de crianças. São cerca de 30 que brincam pela tribo e muitas vezes são vistas nas ruas vendendo cestos, balaios, carrinhos, enfeites como filtro de sonho, além de arco e flecha, e outros trabalhos artesanais. “Vendemos em Montenegro e cidades vizinhas”, comenta Eliseu, agradecendo o apoio da comunidade com as doações e a boa relação com a vizinhança. Ele informa também que tem documento, através de cadastro de imóveis, permitindo a ocupação da área, além do apoio da Funai. E cita que a tribo deve receber mais famílias, devendo chegar a um total de quinze.  “Estamos encaminhando para construir uma escola de educação indígena, para as crianças, aqui na aldeia”, diz. Sobre as doações, Eliseu diz que a comunidade também pode doar móveis, como cama e sofá usados, além de geladeira e outros que não esteja mais utilizando, levando diretamente no acampamento indígena.

Relação com vizinhos

A reportagem conversou com alguns moradores vizinhos da área onde os índios montaram acampamento. Uma moradora, que reside no local faz mais de 30 anos, diz que os índios não incomodam. Ela afirmou que a maior preocupação é com o acúmulo de lixo, que deve ser recolhido. Já outro vizinho também não tem queixas dos índios. Ele cita que os maiores problemas são os alagamentos na Rua Vereador João Vicente e o abandono da obra da nova creche.

Obra da EMEI Centenário deverá ser retomada
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Conforme a Prefeitura, será feita uma nova licitação para dar andamento na construção da Emei Centenário. O prédio começou a ser construído em setembro de 2016, devendo estar pronto em 180 dias. Mas a empresa que venceu a primeira licitação não terminou e por isso o contrato acabou sendo rescindido e agora uma outra construtora deve assumir para concluir a obra.

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