Kaingangs protestaram contra atos de discriminação e dificuldades enfrentadas após surto de coronavírus - Crédito: Guilherme Baptista/FN

“Vocês tinham que morrer tudo. Não eram mais para estar aqui”. As palavras, gritadas por um motociclista, ao cruzar pela Rua Simões Lopes Neto, em frente da aldeia dos índios Kaingangs, mostra o sentimento de discriminação ao hostilizar os indígenas que estão no assentamento situado no bairro Centenário.

Apresentação ocorreu na aldeia, no bairro Centenário
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

No início da tarde desta segunda-feira, dia 8, os Kaingangs decidiram mostrar, através de dança e canto, um pouco de sua cultura. Iniciaram mostrando para a imprensa, representantes da Secretaria Municipal da Saúde e Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), algumas danças de como seus antepassados se preparavam para as guerras. “Reflete muito a respeito do que acontece hoje”, diz o vice-cacique Darci Rodrigues, citando a forma de protesto contra a discriminação, racismo e as próprias hostilizações sofridas pelos índios. “Xingamentos, palavras de baixo calão e hostilidades que a comunidade indígena vem sofrendo”, lamenta.

Homens e mulheres, de várias idades, participaram das danças e cantos
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

A situação ficou ainda mais difícil após o surto de coronavírus que ocorreu na aldeia no mês passado. Através de testes rápidos, feitos pela Secretaria da Saúde, dos 52 índios da aldeia, foi constatado que 28 estavam com o vírus. Darci diz que após foram feitos novos exames pela Sesai e somente três tinham Covid-19. Os índios ficaram em isolamento, recebendo auxílio de alimentos e medicamentos da Prefeitura. “Agora estão todos bem”, diz Darci. Só que depois do surto e em função da crise econômica decorrente da pandemia, dificultou a venda de artesanato, que é a principal fonte de receita. Também não estão trabalhando mais na colheita de algumas culturas, onde trabalhavam em municípios da Serra. Com isso passaram a depender de doações da Prefeitura, Sesai e comunidade. As doações podem ser encaminhadas ao Posto de Saúde do Parque Centenário, como de roupas e alimentos, que depois são encaminhadas para a aldeia.

3 COMENTÁRIOS

  1. Se sofrem discriminação é errado e crime. Ninguém, de raça alguma merece morrer. Todos merecem respeito. Assim como é errado ouvir música alta todos os dias como a tribo kaingang tem feito à meses. Ligam a música exageradamente alta pela manhã e desligam à noite. A comunidade também pede respeito nesse sentido da parte deles. A polícia já orientou e continuam fazendo. Discriminação é crime mas ouvir música altíssima todos os dias também é crime de perturbação. Nós que temos família não fizemos denúncia formal pois temos medo de sofrer com represália da parte deles. Pois quem não seguiu orientação da Brigada Militar, tampouco ouvirá os vizinhos. Acho que poderiam ouvir mais baixo a música sim. Não é música de cultura indígena, nem nada. É um desrespeito para com a comunidade que acolheu eles, fez doações e os tratou bem. Esse motoqueiro não representa a opinião de todos. Mas todos nós merecemos respeito também. Para quem pede respeito através de matérias em jornais está faltando respeitar em troca.

  2. Se esse comentário aconteceu, é discriminação e crime. Não representa a todos na comunidade. Assim como é crime perturbar ouvindo música altíssima da manhã à noite todos os dias como fazem os da tribo kaingang. Isso não comentam. É uma falta de respeito com os vizinhos que ajudaram, doaram e acolheram. Se vc procurar as primeiras reportagens feitas sobre os kaingang à um ano atrás quando se instalaram no bairro Centenário vc verá que eles mesmo disseram que firam bem recebidos pelas pessoas da comunidade de Montenegro. A situação tem dois lados e foi ouvido somente um pois é sensacional publicar assim dessa forma. Eles sentam o dia inteiro mexendo no celular escolhendo a música mais alta e tem sido assim desde que o sesai ajudou a ligar e pagar a luz. Nós que pagamos por tudo sem privilégios pedimos apenas que baixe o volume do som. E nem isso podem fazer pois se sentem melhores que a vizinhança pois estão rodeados de jornais e órgãos públicos para defender seus direitos. Porém direitos trazem também obrigações. E é crime sim, perturbação sonora, contra os vizinhos que não os fizeram nada. Se estão protestando, façam de firma honesta, sem perturbar. Sejam mais transparentes quando informarem a real situação. Também temos filhos, família. Meu marido trabalha muito para prover assim como a maioria dos vizinhos. Quem nos protege ou nos consede privilégios? Qual jornal ou órgão público nos ouve e aconselha os kaingang à baixar o volume do rádio deles? Não gera notícia e nem fotos comoventes o suficiente? Não desejamos a morte deles, desejamos que consigam superar seus problemas assim como todos nós, brancos, negros, alemães, italianos, qualquer que for a raça, pois somos colonizados por todas essas raças aqui no estado. Todos merecem viver bem. O respeito tem que ser mútuo. Não imposto a base de protesto sem fim e limites. Apreciamos as apresentações indígenas que fizeram. O artesanato. Mas não apreciamos a música todos os dias, sem pensarem que algum outro vizinho quer ouvir ou não. Aconselhem.

  3. Não é discriminação pedir para baixarem o som. Não é discriminação pedir que respeitem a vizinhança e escutem música mais baixo.

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