Em ofício enviado aos municípios e ao Governo do Estado nesta quarta-feira, dia 30, a direção do Hospital Montenegro (HM) informou que devido à atual situação financeira da instituição, a partir desta quinta-feira, 1º de outubro, não serão mais realizadas consultas, exames e procedimentos a nível ambulatorial, conforme proposta de plano operativo encaminhada a Secretaria Estadual de Saúde.

A direção do HM lembrou que o hospital é uma entidade privada de caráter filantrópico que aderiu a portaria 100% SUS, passando a ser financiada exclusivamente com recursos públicos desde 20 de setembro de 2012. Entretanto, segundo a direção, desde 2015 o Hospital Montenegro tem seu financiamento contratual reduzido. “Com isso o déficit gerado pode levar ao colapso da instituição, fato que afetaria o Sistema Único de Saúde não só de Montenegro, mas de toda a região do Vale do Caí”, informou o ofício. A direção do hospital ressaltou que mantém interesse em realizar os atendimentos, mas não possui mais capacidade econômica para arcar com os custos dos serviços. Por isso os diretores ressaltaram que desde o ano passado tem encaminhado inúmeros ofícios solicitando providências devido aos cortes sofridos e na necessidade de recomposição contratual, mas lamenta não ter recebido nenhuma manifestação do Estado.

Sobre a suspensão nos atendimentos ambulatoriais, anunciada para esta quinta-feira, o HM informa que os pacientes que procurarem por atendimento no hospital serão direcionados para as Secretarias Municipais de Saúde onde residem para continuidade do seu tratamento. O diretor técnico do HM, Jean Ernandorena, confirmou a suspensão nos atendimentos ambulatoriais e que os documentos já foram encaminhados. “As eletivas já estavam paradas devido a pandemia. Tínhamos nos preparado para reiniciar, mas não foi possível”, lamenta, sobre as dificuldades financeiras. Em junho deste ano o hospital tinha novamente suspendido as cirurgias eletivas em razão da propagação do coronavírus no Estado e de falta de mediação no mercado. O hospital tinha retomado as cirurgias e serviços eletivos ambulatoriais no mês anterior, em maio. O diretor administrativo do HM, Carlos Batista da Silveira, disse que o hospital irá emitir uma nota sobre as decisões.

A coordenadora da 1ª Coordenadoria Regional de Saúde, Ana Maria Rodrigues, que já foi secretária de saúde de Montenegro, diz que a decisão do HM está sendo avaliada pelo Departamento de Assistência Hospitalar Ambulatorial (DAHA) da Secretaria Estadual da Saúde. Já a secretária municipal de saúde de Montenegro, Cristina Reinheimer, diz que a situação ainda está sendo analisada. O corte no atendimento de traumatologia também tem causado preocupação. Secretários de saúde e prefeitos da região demonstraram preocupação e devem realizar reunião para tratar sobre o assunto.

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