Reunião sobre o tema foi realizada na Câmara de Montenegro, quando foi apresentado o trabalho já realizado em Farroupilha - Crédito: ACOM/Câmara

A criação de uma farmácia solidária, para onde podem ser levados medicamentos que ainda estão dentro do prazo de validade e que podem ser usados por outras pessoas, foi o tema de uma reunião na última segunda-feira, dia 2, na Câmara de Vereadores de Montenegro. O encontro foi proposto pelo presidente do legislativo, vereador Cristiano Braatz.

Cristiano pesquisou e descobriu um bom exemplo a ser copiado: o Projeto Social Solidare, de Farroupilha. Convidou para o encontro representantes da Prefeitura, Hospital Montenegro e Unimed, além da deputada-estadual e primeira-dama do Município de Farroupilha, Fran Somensi (Republicanos), uma das idealizadoras do projeto no município serrano.

O vereador explicou que sua intenção, inicialmente, seria a de apresentar um Projeto de Lei sobre o tema. No entanto, por questões de legalidade, a iniciativa precisa partir do prefeito. Neste sentido, vem buscando alternativas para incentivar a implantação deste serviço. “Muitas vezes, as pessoas acabam colocando no lixo ou em locais impróprios medicamentos que poderiam, plenamente, ser utilizados”, lamenta.

Fran Somensi, Farmacêutica por formação, contou que antes de ocupar o cargo de deputada estadual, era a primeira-dama de Farroupilha, e decidiu que não iria ser somente a esposa do prefeito acompanhando-o em eventos sociais. Em função disso, resolveu apresentar o Projeto Solidare. Com a experiência prática de proprietária de várias farmácias, relatou que o problema da sobra de medicamentos sempre a deixava incomodada. Precisava fazer algo, ao menos para que, na cidade onde vive, a realidade fosse transformada. “Somos o primeiro case de sucesso do Brasil nesta modalidade de recebimento e redistribuição de medicamentos”, contou.

Durante mais de duas horas, contextualizou todo o crescimento do projeto, que começou pequeno e foi se ampliando, graças ao engajamento da sociedade. O Programa recebe os medicamentos não mais utilizados pelas famílias e os redistribui para pessoas que não têm condições financeiras de adquiri-los. Para isso, Fran explicou que existe todo um trabalho técnico, com a participação de profissional farmacêutico. “Em Farroupilha começamos com um trabalho voluntário, sendo que, como Farmacêutica, eu mesma coloquei a mão na massa”, disse, emocionada. Hoje, já existe um Farmacêutico contratado, que também é servidor do Executivo. A outra ponta do projeto é o descarte correto dos medicamentos que não poderão ser distribuídos. Em três anos, duas toneladas de remédios vencidos tiveram destino correto, evitando o impacto ambiental.

Fran elogiou a iniciativa do vereador Cristiano Braatz, de fomentar essa discussão na cidade e de trazer o projeto, cuja finalidade é alcançar pessoas que não tenham condições financeiras. A deputada explicou que existe toda uma preocupação técnica, sendo que, por exemplo, medicamentos recebidos sensíveis à variação de temperatura são descartados.

A secretária da Saúde de Montenegro, Cristina Reinheimer, se disse simpática ao projeto, revelando que já foi dado início a este trabalho, timidamente, na SMS. Quem também participou e se mostrou interessada foi a Chefe da Vigilância Sanitária, Silvana Schons, que fez alguns questionamentos quanto ao funcionamento.

Dirigindo-se aos representantes dos hospitais presentes, a Farmacêutica e deputada reforçou a importância das casas de saúde, como pontos de coleta. A Farmacêutica do Hospital Montenegro, Sheila Lima dos Santos, contou que a instituição, atualmente, recebe algumas doações de medicamentos que, se estiverem dentro da padronização, são devidamente aproveitados.

Voltando à parte técnica do funcionamento da Solidare, Fran explicou que existe um controle de recebimento e doações. No final de sua explanação, revelou os números do projeto: em quatro anos de existência, foram mais de um milhão e 800 mil reais de medicamentos distribuídos à população, tudo oriundo da colaboração e participação da comunidade.

O vereador Von já está agendando visita à Farroupilha, para que uma comitiva possa conhecer in loco o projeto. “É importante que seja visto o funcionamento na prática, como forma de motivação”, finaliza.

Qual o objetivo com a implantação em Montenegro?

  • Contribuir no tratamento de saúde das pessoas;
  • Aproveitar sobras dos medicamentos através das doações;
  • Reduzir o desperdício e o descarte incorreto;
  • Estimular a solidariedade;
  • Possibilitar à famílias carentes o alcance às medicações;

Os números em Farroupilha:

* 1.519.926 medicamentos recebidos;

* 927.303 medicamentos doados para a população, o equivalente a R$ 1.779.635,00;

* Duas toneladas de medicamentos descartados corretamente;

* Doze mil pessoas beneficiadas

Como funciona

Receber doações de medicamentos, fraldas, seringas, realizar a triagem técnica do que pode ser reaproveitado e doado;

Dar destino correto às medicações vencidas e sem condições técnicas de serem doadas.    

1 COMENTÁRIO

  1. Será ótimo se este projeto da farmácia solidária der certo , vai beneficiar muitas pessoas ,e ao mesmo tempo dar destino correto aos medicamentos que sobram !!!! Show

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