Mortes do empresário Joel da Locadora e filho Anderson com tiros disparados por cozinheiro ganharam grande repercussão e Polícia segue com investigação - Reprodução/RBS TV

Nesta sexta-feira, dia 8, completa dez dias do duplo homicídio que causou grande repercussão em Montenegro e região. E a Polícia Civil segue investigando para esclarecer os detalhes e concluir o inquérito. Ainda restam algumas dúvidas, entre elas sobre o local da arma utilizada, que ainda não foi encontrada. E também o número de tiros efetuados contra cada vítima, o que depende dos laudos da perícia e da necropsia.

O autor dos disparos que mataram o empresário montenegrino Nelson Joel de Oliveira Ferreira, de 61 anos, e seu filho Anderson Guedes Ferreira, de 36 anos, está no Presídio de Sapucaia do Sul. Ele se apresentou na Delegacia de Novo Hamburgo na sexta-feira passada, três dias após o crime, quando prestou depoimento. Deverá ser indiciado por homicídio duplamente qualificado.

Ontem o jornal Zero Hora divulgou ampla reportagem sobre o caso, com o título “O que já se sabe e o que ainda é dúvida sobre a morte de empresário e filho em Triunfo”. Foi inclusive divulgado o nome do autor dos tiros. Segundo o Tribunal de Justiça do Estado (TJ RS), em reportagem de ZH, o suspeito do ataque foi identificado como Ivandir Siqueira de Oliveira, de 39 anos. Seu nome e fotos já vinham circulando nas redes sociais, inclusive numa postagem de final de ano em que agradece ao patrão Joel e sua família que lhe estenderam a mão na hora em que mais precisava, pedindo para Deus abençoar cada segundo de suas vidas.

O empresário montenegrino Joel da Locadora, de 61 anos, e seu filho Anderson Ferreira, de 36 anos, foram assassinados na empresa da família por um indivíduo que trabalhava como cozinheiro
– Reprodução/FN

A Polícia tem prazo de dez dias para concluir o inquérito, mas como ainda falta sanar algumas dúvidas o tempo pode ser prorrogado por mais 15 dias. Enquanto isso seguem as investigações. O acusado está com prisão preventiva decretada pela Justiça e deverá permanecer preso até o julgamento. Natural de Palmeira das Missões, ele residiu em Novo Hamburgo, onde têm familiares, mas ultimamente morava com a família numa casa de propriedade do empresário Joel, junto da empresa em que ocorreu o homicídio no início da noite de terça-feira da última semana, 28 de junho, próximo ao Polo Petroquímico de Triunfo. Ele já tinha vários antecedentes criminais, incluindo homicídio, roubo a estabelecimento comercial, ameaça, difamação, dano, estupro e lesão corporal. Estaria cumprindo pena de 22 anos e quatro meses de prisão em regime semiaberto por estupro de vulnerável, lesão e ameaça, de acordo com informações do Tribunal de Justiça. Era monitorado por tornozeleira eletrônica, a qual teria rompido logo após efetuar os disparos.

Arma seria do empresário

De acordo com a delegada Sandra Mara Guaglianoni Neto, que responde pela Delegacia de Triunfo, com base em depoimentos, o acusado e Joel mantinham uma boa relação e teriam se conhecido no Presídio de Montenegro quando o empresário cumpriu pena pela morte de outro funcionário, ocorrida em 1995 em Montenegro. Em razão da amizade, quando Joel deixou o presídio convidou o acusado para trabalhar com ele como cozinheiro na empresa e lhe cedeu uma moradia nos fundos da locadora. Segundo a Polícia, o acusado informou que a arma utilizada no crime era de propriedade de Joel e a perdeu durante a fuga. Em depoimento, alegou que Joel teria dado a arma para ele guardar. Os policiais realizaram buscas na localidade informada, mas não localizaram o revólver até o momento, já que se trata de uma área de grande extensão territorial.

A mulher do acusado também já prestou depoimento. Conforme a delegada, ela confirmou que tinha ocorrido um desentendimento dela com o empresário, por ela ter entregue uma garrafa de leite solicitada pela esposa de Joel. Contou que ele teria sido ríspido na frente de funcionários da empresa ao reclamar que a vaca não deveria ter sido ordenhada porque estava muito magra. A mulher foi para casa e relatou a discussão ao marido. Esse teria ido conversar com Joel, ocorrendo nova discussão. Anderson teria então tentado intervir para acalmar a situação. Em seguida o acusado pegou a arma no carro e efetuou os disparos contra pai e filho. As duas vítimas ainda foram socorridas e levadas ao Hospital Unimed, em Montenegro, mas chegaram sem vida.

A Polícia avalia se serão tomados novos depoimentos. Seis testemunhas foram ouvidas até o momento. A reportagem buscou contato com a família de Joel e Anderson, que preferiu não se manifestar sobre o ocorrido. A Defensoria Pública do Estado vai seguir atuando na defesa de Ivandir, mas só irá se manifestar nos autos do processo.

A despedida de Joel e Anderson ocorreu na última quinta-feira pela manhã, com grande número de pessoas no velório na Funerária Vargas e nos sepultamentos no Cemitério de Montenegro.

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