Plantão teve pouca procura neste primeiro dia de suspensão em alguns atendimentos - Guilherme Baptista/FN

O Hospital Montenegro (HM) comunicou, na última segunda-feira, que devido a situação financeira atual da instituição, com os atrasos e cortes indevidos sofridos nos repasses dos governos estadual e federal, iria suspender a partir de terça-feira, 6 de novembro, a prestação de serviços médicos no ambulatório de especialidades para os atendimentos de consultas, exames e procedimentos eletivos. Segundo a direção do hospital, a medida está sendo tomada a fim de evitar o endividamento da instituição, visando garantir o atendimento nas unidades de internação, UTI e emergência, evitando a falta de assistência aos pacientes de maior gravidade. Conforme o HM, os atrasos nos repasses já somam R$ 4.282.710,56.

O comunicado foi assinado pelo diretor administrativo Carlos Batista da Silveira, gerente administrativo Felipe Leser e pelo diretor técnico Fabrício Fonseca. Um evento estava marcado para amanhã, terça-feira, para comemorar os 6 anos do 100% SUS no Hospital Montenegro. Mas a solenidade de abertura das atividades alusivas à adesão ao 100% SUS foi cancelada. “Devido à grave crise financeira que a instituição está enfrentando, não encontramos motivos para comemoração neste momento”, justificou a direção do HM. A atividade festiva deu lugar a frustração, sendo realizada ontem uma entrevista coletiva para informar a imprensa sobre a situação.

Situação pode piorar

Como é 100% SUS, o hospital depende exclusivamente de recursos públicos. E com o atraso nos repasses, dificulta o atendimento. A grave situação já foi apresentada para a Coordenadoria Regional de Saúde e representantes dos municípios da região no mês passado. Foi informado sobre o déficit mensal na média de R$ 300 mil e que poderiam ser suspensos atendimentos, o que agora aconteceu. Prefeitos, secretários municipais e demais lideranças da região estão mobilizados no sentido de marcar uma nova reunião com o Governo do Estado para buscar agilizar o pagamento dos repasses atrasados ao Hospital Montenegro. Ainda ontem, prefeitos e secretários buscaram marcar audiência com o secretário estadual da saúde para tentar agilizar os pagamentos em atraso.

Sem atendimentos ambulatoriais, cadeiras para pacientes ficaram vazias
– Guilherme Baptista/FN

Foi a terceira vez que o HM suspendeu serviços só neste ano. “Tinha marcado exame para meu marido. Ele teve derrame e tem problemas de rins e próstata. Não vão fazer exame. Tá cancelado”, disse, frustrada, Clari Delazari, ao chegar ao hospital ontem pela manhã e ser informada da suspensão de serviços. Normalmente lotado no plantão da emergência e no hall de entrada, ontem os dois locais estavam praticamente vazios. Só em novembro 800 consultas marcadas foram suspensas e também 118 cirurgias eletivas agendadas até o final do ano. “Os repasses do Estado estão atrasados desde agosto. Alguns médicos, fornecedores e prestadores de serviço não estão recebendo desde julho. Não tínhamos outra saída”, lamentou o diretor administrativo do HM, Carlos Batista. “Neste momento temos que priorizar os serviços de emergência. Não sabemos quanto tempo os serviços ficarão suspensos. A situação só tende a piorar”, completou o diretor técnico, Fabrício Fonseca, não descartando outras medidas, como restrição de internações, inclusive na UTI. “Provavelmente teremos que fazer novo empréstimo para pagar os funcionários”, diz o gerente administrativo Felipe Leser.

Além dos atrasos, o diretor Batista lamenta os cortes que já vinham ocorrendo nos repasses. “O Estado reduziu R$ 400 mil do contrato. Reteve verbas federais e cortou recursos de metas. Perdemos R$ 12 milhões em 4 anos. O dinheiro diminuiu e a procura pelos pacientes aumentou. Não temos como fazer milagre”, lamentou. Batista espera que o novo governo, que assume em janeiro, cumpra a promessa de definir um cronograma de pagamentos e de rever as referências. Ele também elogia a Prefeitura de Montenegro que manifestou interesse em instalar um pronto atendimento médico 24h na Secretaria da Saúde, o que desafogaria o plantão do hospital.

 

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