Crianças são as que mais correm risco no acampamento de índios da margem da RSC 287, em Montenegro - Crédito: Guilherme Baptista/FN

Uma cratera, de cerca de 3 metros de diâmetro por três metros de profundidade, está colocando em perigo as sete famílias de índios que estão acampadas na margem da RSC 287, próximo ao Trevo do Posto Ipiranga, no bairro Santo Antônio.

O enorme buraco se abriu com as chuvas fortes da última semana. E a situação é tão grave que pelo menos dois indígenas, entre eles uma criança de 1 ano e meio de idade, já caíram na cratera. “Tinha só um pequeno buraco. Agora tá essa cratera. Tá muito perigoso”, teme o cacique Eliseu Claudino, de 42 anos, dos índios Kaingang que estão acampados no local, em barracas de lona, faz cerca de quatro meses. A situação mais crítica foi no último final de semana, quando aconteceu mais uma inundação no local, devido ao alagamento do arroio Montenegro. “Não tínhamos saída”, diz o cacique.

Um enorme buraco se formou com a chuva, bem no meio do acampamento
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Os índios vieram das reservas de cidades como Ronda Alta, Carazinho e Redentora. “Queremos nos fixar em Montenegro. Aqui tem mais recursos para venda de artesanato e trabalhos. Nas aldeias grandes tá difícil”, diz Eliseu, que trazia do mato um rolo de cipó, que junto com taquara utiliza para a confecção do artesanato. A melhor venda, principalmente de cestos trançados, foi na época da Páscoa. “Nessa região ainda tem material para usarmos dos trabalhos de artesanato. Não podemos perder a nossa cultura”, disse o cacique, elogiando também a realização da Semana de Conscientização sobre Povos Indígenas que ocorreu em Montenegro.

Segundo o cacique, está se buscando um novo local para o acampamento. Amanhã, quinta-feira, representantes da Funai e do Ministério Público devem visitar o local. O proprietário da área também já deu um prazo para até 8 de maio ocorrer a desocupação.

Muito lixo

O presidente da União Montenegrina de Associações Comunitárias (UMAC), Airton Quadros, esteve no local e verificou o grande risco, principalmente das crianças que passam e brincam próximo da cratera. Ele constatou também a grande quantidade de lixo nas proximidades, principalmente junto ao arroio. O próprio prefeito Kadu Müller e secretários estiveram no acampamento na última segunda-feira. No meio do mato, na margem do arroio Montenegro, ele ficou surpreso ao encontrar sofá, cama, mochila, edredom, muitas sacolas plásticas e outros detritos. Na própria cratera a Prefeitura tirou um caminhão de lixo. “Aí entope tudo”, lamentou, sobre a falta de conscientização dos moradores. E isso acaba ocasionando mais alagamentos, como ocorreu no próprio bairro Santo Antônio, junto a Rua General Osório.

O Daer chegou a anunciar, anos atrás, a construção de uma nova galeria sob a RSC 287, para o arroio Montenegro. Isso iria acabar com os alagamentos. Mas até hoje a obra não saiu do papel. “Não podemos esperar pelo Daer. Quantos governos já passaram e não fizeram”, declarou o prefeito Kadu. “Vamos isolar o local, chegar aos canos e fazer o que é necessário”, completa.

 

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