Ex-prefeitos Paulo Azeredo e Percival de Oliveira também participaram da mobilização - Crédito: Câmara de Vereadores

Os moradores da Volta do Anacleto, em Montenegro, continuam na luta para garantir acesso para a localidade, na ligação com a BR 386. Ameaçados de terem bloqueado seu único acesso à rodovia Tabaí-Canoas devido a instalação da praça de pedágio na BR 386, o protesto foi manifestado de uma forma inédita às autoridades federais, ontem, quinta-feira, dia 7. Eles fizeram uma espécie de “desabafo on-line”. Participaram virtualmente da Audiência Pública da Comissão de Viação e Transportes (CVT), da Câmara dos Deputados. Para tanto, a Câmara disponibilizou todo um aparato técnico, composto de computadores e funcionários.

Um bom número de pessoas da comunidade se deslocou de ônibus e esteve no plenário da Câmara de Montenegro na quinta-feira. A interação virtual, ligando diretamente população e autoridades que estavam a centenas de quilômetros de distância, se concretizou graças a requerimento proposto pelo deputado federal, Pompeo de Mattos (PDT). Estava em pauta o debate sobre os impactos negativos da implantação de Praças de Pedágio junto à BR-386, na altura do Km 426 (na localidade denominada de Volta do Anacleto) e na BR 101 (altura do Bairro Caravaggio, em Três Cachoeiras).

Moradores de Volta do Anacleto se mobilizaram mais uma vez, mas ainda não obtiveram uma resposta positiva
– Crédito: Câmara de Verreadores

Na abertura dos trabalhos, além de mencionar que a comunidade de Volta do Anacleto estava presente, o deputado Pompeo disse que o objetivo era debater a colocação de passarelas, túneis e vias de acesso ao longo destas rodovias, para atender os moradores ao longo deste trajeto. Lideradas pelo ex-deputado estadual e ex-prefeito Paulo Azeredo, as pessoas compareceram organizadas, portando faixas e bandeiras. Alguns tiveram oportunidade de se manifestarem. Duas peças importantes neste “quebra-cabeça”: o gerente de Regulação e Outorga da ANTT, Marcelo Fonseca Cardoso e o representante da concessionária CCR Via Sul, Bruno Ferreira, compuseram a mesa de trabalho.

Além da sua manifestação em defesa dos moradores, Pompeo também exibiu um vídeo contendo o problema, que envolve o fechamento da Estrada Pedro Ost, existente há mais de 35 anos e utilizada por cerca de 200 pessoas, diariamente.

Representante da CCR disse que atual acesso não poderá ser mantido
– Crédito: Câmara de Vereadores

Representando a CCR ViaSul, Bruno Ferreira disse que é preciso resolver em conjunto o problema que envolve a P4 (Praça de Pedágio da BR 386 – Montenegro), no que tange à comunidade da Volta do Anacleto. Abordando aspectos técnicos, Ferreira afirmou que a Praça está localizada exatamente no local determinado pelo estudo de viabilidade. Lembrou que quanto ao fechamento dos acessos ao redor das Praças de Pedágios, consta no Manual de Rodovias que, no raio de um quilômetro, não pode haver acesso à rodovia. “A legislação precisa ser cumprida”, defendeu. Completando, disse que há um processo junto às prefeituras, para resolver esse assunto. Voltou a falar que, por uma normativa, estes acessos não podem existir.  No entendimento do técnico da CCR ViaSul, é preciso viabilizar uma solução que minimize o problema. Quanto ao caso da Volta do Anacleto, Ferreira disse que houve conversações, na busca de uma solução mais adequada. Porém, frisou que o acesso hoje existente não poderá ser mantido.

Acesso existente há mais de 35 anos

Demonstrando certa inquietação, o deputado Pompeo de Mattos voltou a falar: “vão instalar a Praça de Pedágio, fechar o acesso, para só depois fazer algo por essa comunidade, que chegou ao local bem antes”, cobrou.

Conforme o gerente de Regulação e Outorga da ANTT, Marcelo Fonseca Cardoso, o processo começou em 2015, com a elaboração do Estudo de Viabilidade. Ele observa que é comum este impacto devido à instalação das Praças de Pedágios, citando como exemplo o fechamento de acessos. Cardoso disse que até então não havia aparecido questionamentos como este, do acesso da Volta do Anacleto. Lembrou que a instalação das Praças já está em estágio avançado, e que uma mudança de posicionamento não mais acontecerá. Assim que Fonseca Cardoso concluiu sua fala, o deputado Pompeo foi taxativo ao dizer que como as pessoas iriam reclamar de algo que elas ainda não tinham conhecimento, como o fechamento de um acesso à rodovia, existente há mais de 35 anos. “Nas audiências públicas, em nenhum momento foi tratado com clareza, por exemplo, que iriam fechar acessos como o de Montenegro”, apontou Pompeo. Voltando a falar, Marcelo Fonseca admitiu a possibilidade de avançar nesta questão dos acessos.

O primeiro a se manifestar representando Montenegro, foi Paulo Azeredo, que atualmente é suplente de vereador e alertou  que esta medida da CCR ViaSul, em consonância com a ANTT, de fechar o acesso da localidade da Volta do Anacleto, vai acabar com a comunidade de mais de 150 anos, e várias gerações. “Que fique bem claro o pleito da comunidade, que é o acesso lateral, uma passarela para os que necessitam atravessar a via”, resaltou. Na sequência, moradores se manifestaram através da estrutura on-line.

Seu Fermino, morador antigo da Volta do Anacleto, disse que com a interrupção do acesso, a volta que será necessária para acessar a BR 386 dará mais de 20 quilômetro, numa estrada que em dias de chuva acumula mais de um metro de água. Vera Schneider questionou se a decisão da CCR Via Sul não estaria desrespeitando o direito de ir e vir dos cidadãos que já utilizam este acesso há muitos anos. “Vocês estão nos massacrando com aquelas máquinas”, desabafou, quase chorando.

Ana Paula lembrou que todos os moradores desta comunidade merecem respeito, e que está clamando por eles, na garantia do acesso à rodovia.  O morador José Antônio apelou para o lado emocional, pedindo que os representantes da CCR ViaSul “tirem o coração do bolso e o coloquem no seu devido lugar”.

O ex-prefeito Percival de Oliveira, em sua manifestação representando o deputado que preside a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, lembrou que, inclusive, o Município fez altos investimentos na estrada, com a obra de levante evitando seu alagamento. “Além de todos os prejuízos à comunidade, também teremos quanto aos recursos públicos, se a estrada for fechada”, lamentou.

Já demonstrando novamente certa inquietação, mais para o final da Audiência Pública o deputado Pompeo de Mattos foi taxativo: “podem se preparar vocês da CCR ViaSul, porque as coisas não são simples assim, e o bicho vai pegar!”.

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