Penitenciária do Pesqueiro, em Montenegro, tem cerca de 1800 presos, grande parte do Vale do Sinos - Arquivo/FN

O resgate de um preso em Caxias do Sul no último dia 7 de junho, que resultou na morte de um agente penitenciário e deixou outro gravemente ferido, lembrou um episódio ocorrido em Montenegro em 16 de abril de 2005 na localidade de Pesqueiro, em Montenegro. Na ocasião, dois presos simularam uma briga e se cortaram na Penitenciária. Após atendimento no hospital, no retorno para a Modulada houve uma emboscada com troca de tiros, com dois presos sendo resgatados e um agente da escolta baleado. O agente Jair Fiorin morreu dias depois e como homenagem hoje a Penitenciária Estadual de Montenegro leva o seu nome.

Passados mais de 16 anos do resgate, como está à situação das duas casas prisionais de Montenegro? Além dos agentes e PMs, o que foi investido em tecnologia e melhorias? E como está o aproveitamento da mão de obra prisional, tão importante na ressocialização do apenado e para o seu retorno para a sociedade após o cumprimento da pena. As perguntas foram respondidas pelos próprios diretores das duas casas prisionais, Edson Neves, da Penitenciária do Pesqueiro, e Nairo Ferreira, do Instituto Penal (semiaberto) da Timbaúva.

Penitenciária tem mais equipamentos

Segundo o diretor da Penitenciária Estadual de Montenegro, situada na localidade de Pesqueiro e que tem presos no regime fechado, a categoria dos agentes ainda sofre com a falta de efetivo. Mas Edson Neves diz que hoje o Estado está muito mais bem preparado e equipado em termos de armamentos, viaturas e serviço de inteligência, além de tecnologia. “Temos uma unidade básica de saúde interna, mas não funciona 24 horas. E a maioria dos casos em que presos passam mal é no horário noturno. E como não tem plantão médico, tem que ser conduzido ao hospital”, explica.

Revistas e equipamentos aumentam a segurança na Modulada
– Crédito: Polícia Civil

Sobre a segurança, o diretor ressalta que a Modulada possui equipamentos de scanner corporal e raio X, tanto para a entrega de gêneros alimentícios como para as sacolas entregues pelas visitas. “E temos acima de tudo o profissionalismo e a dedicação dos agentes”, frisa. Mesmo estando bem acima de sua capacidade total, que é de mil presos, tendo atualmente cerca de 1.800, ou seja, cerca de 80% acima, o diretor diz que está se conseguindo manter uma boa segurança e disciplina. “Não é uma situação totalmente tranqüila, mas a gente vem atuando na área preventiva. Frequentes são os flagrantes de tentativa de ingresso de drogas, celulares ou outros objetos lícitos, seja por arremessos ou visitas.

Quanto ao aproveitamento da mão de obra prisional, o diretor diz que hoje cerca de 300 dos 1800 presos estão trabalhando. “Não contamos com nenhum serviço terceirizado. Toda a manutenção, alimentação e limpeza são feitos pelos apenados. E temos convênios com duas empresas, que empregam em torno de 80 homens. Estamos avançando em busca de mais parcerias”, informa, considerando que o trabalho mantém o ambiente com mais segurança e disciplina, diminuindo a reincidência, além de diminuir pena e garantir uma renda para a família do detento. “Nosso objetivo é devolver essas pessoas em melhores condições para a sociedade”, afirma, citando que a Modulada de Montenegro recebe basicamente presos dos Vales do Caí e Sinos.

Semiaberto recebeu várias melhorias

Semiaberto da Timbáuva está de cara nova e mais segurança
– Reprodução/FN

No presídio da Timbaúva, o Instituto Penal que recebe presos em regime semiaberto, as melhorias são visíveis já na parte externa. Desde dezembro de 2017 na direção da casa prisional, Nairo Ferreira diz que as melhorias foram realizadas por necessidade e através de parceria com o Judiciário, além de Prefeitura e doações. “Avançamos bastante e pretendemos fazer mais”, diz, mostrando a transformação nas instalações. Sobre a segurança, diz que foi recebido um equipamento de raio x, o que contribui na revista dos materiais. Também videomonitoramento, com um cercamento eletrônico de todo o presídio”, destaca. “A última fuga que tivemos foi em 2018”, lembra.

Quanto ao trabalho prisional, o diretor diz que dos 70 apenados, 57 trabalham em serviços para a Prefeitura, além dos demais executarem trabalhos internos e em empresas. Também a busca de qualificação, com 15 detentos que estão fazendo através de parceria com o Senai em soldagem, empilhadeira e informática.

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