Médicos e fornecedores agora etão com pagamentos em dia. E atendimentos que tinham sido suspensos foram retomados - Arquivo/FN

A notícia não poderia ser melhor. Depois de uma grave crise financeira, onde chegou a ser suspenso o atendimento de várias especialidades e cirurgias, o Hospital Montenegro (HM) está com todas as suas contas em dia. Médicos, funcionários e fornecedores estão com pagamentos em dia. E os atendimentos que foram suspensos estão retornando. “Entramos numa nova realidade”, comemora o diretor técnico, médico Jean Ernandorena.

No mês passado a direção do HM anunciou que atendimentos que estavam suspensos seriam retomados
– Crédito: Guilherme Baptista/FN

Com cerca de 500 funcionários, desde 2012 o Hospital Montenegro é portas abertas 100% SUS, ou seja, o único da região com atendimento totalmente gratuito, sendo referência para uma população de 180 mil pessoas, de 14 municípios da região. Nestes 88 anos de história, o maior hospital da região já enfrentou muitas crises. Em 2000, diante de uma enorme dívida e atraso no pagamento dos funcionários, que paralisaram atividades, esteve na iminência de fechar as portas. As senhoras da OASE – Ordem Auxiliadora das Senhoras Evangélicas, tiveram seus bens penhorados para fazer um empréstimo de R$ 4,2 milhões. E em razão das dificuldades, poderiam ter que entregar as próprias casas. Mas felizmente a situação mudou.

Em razão da demora nos repasses do Governo do Estado, no ano passado a crise voltou a bater na porta do HM. Os atendimentos do ambulatório de especialidades e cirurgias eletivas foi suspenso em novembro de 2018. Os atrasos nos repasses se acumulavam desde setembro do ano passado. Até o final de 2018 o atraso já somava R$ 6,8 milhões. Isso fez com que mais de 800 consultas e uma centena de cirurgias fossem suspensas. Mesmo assim, os profissionais mantiveram o atendimento básico para a região. “Mesmo com vários meses sem receber, os médicos não deixaram de trabalhar”, lembra o doutor Jean Ernandorena. Neste período a direção conseguiu manter os pagamentos dos demais funcionários. Mas a situação era cada vez mais difícil.

Nova realidade

Com a nova linha de financiamento liberada pelo Estado neste ano, todas as dívidas do HM foram quitadas, incluindo médicos e fornecedores. Segundo o diretor administrativo, Carlos Batista da Silveira, o Governo do Estado voltou a repassar os recursos em dia e assim foi possível regularizar a situação. Esperamos que isso se mantenha”, diz Batista, o otimista.

Os atendimentos que estavam suspensos começaram a retornar no mês passado, incluindo Cirurgia Geral, Fisioterapia, Gastroenterologia com exames de Endoscopias e Colonoscopias, Cirurgia Ginecológica, Bucomaxilofacial, Hematologia, Neurologia, Cardiologia e Fonoaudiologia. Em um primeiro momento os pacientes que tinham consultas ou exames agendados no mês de novembro de 2018 e que foram cancelados foram comunicados para reagendamentos. Após a primeira etapa, os pacientes da lista de espera de cirurgias e de reconsultas começaram a ser chamados e a partir deste mês de junho será feita a liberação através do Sistema de Regulação do Estado (SISREG) para os municípios de referência. “Muitos pacientes estavam esperando. A fila era grande”, diz o diretor técnico, Jean Ernandorena.

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